16 de dezembro de 2011

Resenha: Sangue Quente


Título: Sangue Quente
Autor: Isaac Marion
Editora: Leya
Páginas: 256
Skoob: Livro

R é um jovem vivendo uma crise existencial - ele é um zumbi. Perambula por uma América destruída pela guerra, colapso social e a fome voraz de seus companheiros mortos-vivos, mas ele busca mais do que sangue e cérebros. Ele consegue pronunciar apenas algumas sílabas, mas ele é profundo, cheio de pensamentos e saudade
 Não tem recordações, nem identidade, nem pulso, mas ele tem sonhos. Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a "vida" de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro. Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa.

Este livro já começa pela capa, que é espetacular e, para quem leu, percebe-se que conta subjetivamente um importante aspecto da história. Assim que o vi na Livraria Cultura, decidi comprá-lo.
Que livro antes foi contado da perspectiva do "monstro" da história?
Outro atrativo para mim. Assim que li a sinopse, me interessei mais ainda. Como seria uma história de um apocalipse zumbi contado por um zumbi? No mínimo, interessante e intrigante.
Marion foi muito feliz ao escrever sua história. Ao contrário do que podia se pensar no começo, ele não desestruturou a imagem de R., o zumbi, transformando-o em um "humano". Ainda que pensem como humanos, todos os zumbis, agem pelo instinto, e R. não é exceção.
O zumbi protagonista foi humanizado até o ponto onde um zumbi podia ser humanizado, levando em conta também a natureza diferente de R., mais inteligente que os outros, o que pode até parecer ser um pouco forçado para que a escrita da personagem seja mais fácil, mas não é. Afinal, grandes histórias acontecem apenas com pessoas diferentes da maioria. Se Harry Potter fosse um trouxa ou até um bruxo sem um passado diferenciado, não haveria história.
Violência na medida certa, descrita de uma maneira que não deixa a leitura pesada, mas também não transforma uma história de zumbis num conto de fadas, assim como o romance, que não é meloso, mas sim intenso e diferente.
Um livro maduro, escrito para jovens/ adultos, mas que fará você se apaixonar por ele logo nas primeiras páginas, que fará você sentir afeto, gostar de um zumbi de uma forma que nunca pensou ser possível.
Simplesmente uma ótima sacada de Marion, e muito bem desenvolvida.
Recomendo.
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