22 de setembro de 2010

Dilúvio Antropológico

Uma bela chuva ontem hein? É, eu estava no meio dela. Bem, não exatamente no meio (eu teria várias recordações se tivesse estado), mas foi quase a mesma coisa.

Estava eu sentado no banco do banco (*Leia sobre bancos no texto “Sente-se, por favor“ do mês de julho), esperando para falar com o gerente, quando a chuva começa. Inicialmente, foram apenas alguns pingos esparsos. Um minuto depois, milhares de litros d’água despencavam estrondosamente dos céus. Lá em cima devia estar mesmo frio, pois, quase com a mesma quantidade que a água, o granizo começou a bombardear o chão com pedras de pelo menos 2 cm.

A chuva caía lá fora, o banco funcionava internamente. Por pouco tempo, nas duas situações.

Uma gota caiu na mesa do gerente, todos olharam. Outra gota, mais longe, fez uma mulher interromper seu caminho. Em mais alguns instantes, não era apenas do lado de fora que chovia. A água jorrava pelo encaixe dos lustres no teto de gesso, molhando papéis, computadores e impressoras. Em algum lugar o forro começou a rachar. Abandonaram os computadores em meio à piscina que se transformava a agência e saímos antes que algo pior acontecesse.

Do lado de fora, não era possível dar um passo e continuar consciente. As pedras quicavam no asfalto e subiam quase um metro no ar. Mais um pouco e não mais podia se ver o asfalto, uma pequena camada de gelo se formando no chão.

Dei carona no meu guarda-chuva (ainda tem hífen?) para um funcionário do banco até o carro dele e ele me deu carona até em casa (uma troca de favores ;D). quando cheguei lá, o granizo já havia parado (ainda bem!), mas percebi que o guarda-chuva tinha sido acertado, pois está rasgado em cima.

A primeira coisa que eu vi quando entrei no hall do prédio: as plantas da minha mãe foram destruídas pelas pedras. Buracos imenso nas folhas. Bem, na verdade, havia mais buracos do que folhas, então não sei se eram buracos nas folhas ou folhas entre os buracos. Deu dó das coitadinhas.


Subi na laje do prédio e peguei um punhado de granizo. Cada uma daquelas pedras tinha o potencial de matar fácil, fácil um pássaro num só golpe.

Sai de casa, indo para o cabeleireiro (que, por sinal, cortou demais o meu cabelo =/) e fui registrando os estragos pelo caminho. Na televisão, as imagens eram impressionantes. Lugares com pelo menos 30, 50 cms de gelo. Cara, Guarulhos trocou de hemisfério e ninguém me avisou?

O cenário nas ruas parecia das nevascas norte-americanas e canadenses, tirando o fato que lá neva (principal diferença: neve quando cai não machuca!!).

Tentei desatolar um civic do meio do gelo, sem sucesso. O carro andou alguns metros e chegou um ponto que não avançou mais. Pessoas tiravam o gelo que havia entrado em suas casas e tentavam desimpedir as ruas, completamente tomadas pelo granizo. Fui caminhando pelo belo cenário (não deixou de ser uma coisa bonita, mesmo com tantos estragos) e registrando com o celular (sempre andar com uma câmera hein Vih! ;D)

Mas, o que causou todos esses estragos, todas essas perdas? Nós mesmos. Não temos do que reclamar. Em Guarulhos isso nunca aconteceu e, se está acontecendo agora, é porque nós desequilibramos a natureza. Estamos destruindo e modificando intensamente um sistema que era perfeito e equilibrado, por isso devemos nos acostumar a ver coisas que não víamos antes e ter prejuízos que, há dez anos, não aconteceriam.

A culpa é nossa e agora temos que arcar com as conseqüências...

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