11 de novembro de 2011

Fuga em direção a mim


Estou com vontade de fugir do mundo. Queria poder correr e correr sem nunca me cansar, correr rápido o suficiente para desaparecer com os quilômetros rapidamente, vencê-los com suavidade, embrenhar-me no mundo calmo e suave das grandes matas do mundo, passar por lagos, riachos, cachoeiras, e ainda assim continuar correndo, me afastando de tudo, até finalmente chegar no lugar, algum lugar que não sei qual, mas um lugar específico onde eu pudesse apenas esquecer de quase tudo e ficar, ficar e ficar por tempos indeterminados o suficiente para que tudo em volta mudasse, para que o mundo esquecesse da minha existência e eu esquecesse da existência do mundo.

Queria que esse lugar tivesse apenas uma cabana de madeira no meio de uma grande clareira com uma grama curta em volta, as árvores a rodearem tudo com sua tranquilidade e silêncio. Também haveria um riacho por perto, um riacho com sua nascente que brotasse das entranhas da terra, límpida, cristalina e muito fria, descendo por entre as pedras lisas, produzindo seu som suave e melodioso que acalma os corações.

Eu percorreria o curso do riacho por horas e horas, andando por dentro dele, pisando nas pedras secas e molhadas do caminho, deixando a água banhar os meus pés, equilibrando-me, correndo, andando mais devagar, saltando de um ponto ao outro, respirando o ar frio e úmido da mata fechada, sentindo a suave brisa que soprasse do alto, passando por entre as folhas e galhos que filtram a luz solar, emanando uma luminosidade verde, calmante.

Em certo ponto desse riacho eu encontraria uma cachoeira. Eu estaria no alto dela, as grandes rochas descendo altivas com o pequeno curso d’água a lhes cortar a superfície, moldando-as a seu bel prazer através do tempo. De lá de cima, talvez dez metros acima do nível do riacho que continuava embaixo, eu olharia para tudo ao redor, sentindo a energia pulsando dentro de mim e, ao olhar para baixo, veria que, na base da cachoeira, o riacho se transformava em uma lagoa totalmente translúcida com vários metros de profundidade.

Com um sorriso no rosto, eu respiraria fundo e me atiraria no ar, sentindo as correntes a passar velozes por mim enquanto eu acelerava cada vez mais, chegando cada vez mais perto da superfície agitada da lagoa.

Finalmente, eu romperia a água, afundando vários e vários metros, deixando a água gélida me envolver por completo, ficando submerso por todo o tempo que meus pulmões me permitissem, para então subir à tona e nadar calmamente para a borda da lagoa.
Escalaria a cachoeira até um pequeno pedaço seco de rocha onde a luz do Sol incidisse diretamente e lá deitaria, deixando que o calor evaporasse a água do meu corpo, fechando os olhos e relaxando, sentindo-me finalmente no meu lugar, enquanto, na minha mente, apenas um pensamento ocupasse-a por inteiro
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