23 de janeiro de 2014

O Legado da Humanidade


(Publicado na antologia "Destinos Fantásticos) 

Seu nome é Diana. Você está sentada próxima a uma das saídas de uma das cidades-estados que ainda se mantém em pé. O campo de proteção impede que os poucos sobreviventes da espécie humana que restam no mundo sejam dizimados por aquelas criaturas terríveis que surgiram de um dia para o outro, de algum inferno perdido nas profundezas do planeta. Sentada, aqui, você vê Alan se aproximar com um sorriso presunçoso no rosto, como sempre. Ele lhe acompanhará em uma missão além dos limites do campo. A situação do planeta é calamitosa. Há muito tempo falava-se do aumento da temperatura, dos níveis dos mares, superpopulação. Tudo isso mudou. A população se resume a milhares, quem sabe alguns pouquíssimos milhões, no mundo todo. Os mares? Destruídos. Alguns praticamente secaram, outros se espalharam pelos continentes, poluídos. O mundo hoje é quente, muito quente. Apenas onde a tecnologia está presente pode-se ter uma vida confortável. Ainda assim, mesmo com todos esses problemas, é o seu mundo, o mundo que você protege e tenta salvar.

1 - Alan está tão preparado quanto você, mesmo sendo uma missão de busca. Vocês se cumprimentam e entram em uma nave, que Alan faz com que levante voo e atravesse o campo de proteção. A partir de agora suas vidas estão em risco. Vocês não discutiram, antes, um plano de ação. Analisam, então, rapidamente as opções. Seria seguro separarem-se? As buscas seriam mais rápidas assim, poderiam conseguir voltar antes de o sol se pôr, e esse é um fator muito importante não para o sucesso da missão, mas sim para a sobrevivência. de vocês. Sobrevoam as áreas arrasadas. É difícil aceitar que há pessoas vivendo fora do campo só porque não têm condições financeiras para isso. Dinheiro é um mal que deveria ter sido extinto há séculos. Vocês pousam no local estabelecido e se olham, decidindo o que fazer. Separar-se de Alan: vá para o trecho 2. Continuar com Alan: vá para o trecho 3.

2 - Você sobe em uma das brilhantes motos da nave. Alan segura seu braço. Toma cuidado, Diana. Você meneia a cabeça e, sem dizer nada, acelera. O veículo ganha velocidade rápida e silenciosamente, deixando um rastro de luz azul. As casas destruídas passam velozmente, assim como as pessoas meio esfarrapadas que te observam. Não devia haver condições para viver atrás do campo de proteção. Não existe apenas um tipo de perigo no mundo. A vida de cada uma daquelas pessoas deve ser um tormento diário, uma incerteza de vida e morte. Você ativa o GPS/ radar da moto. O radar serve para identificar vida orgânica, qualquer que seja ela. Chega ao limite da cidade. À sua frente há apenas um deserto de destroços, escondendo a morte em cada curva. Realizar buscas na parte habitada: vá para o trecho 4. Seguir em frente: vá para o trecho 6.

3 - Você sobe em uma das brilhantes motos da nave. Alan sobe na outra. Olham-se antes de colocarem os capacetes. Ele ativa o campo de força da nave antes de partirem. Para onde?, ele pergunta. Ainda não sei. Ligue seu radar e fique de olho. Pontos vermelhos brilham na tela holográfica por todos os lados, sinais dos humanos ao redor. É horrível pensar que há condições para se viver atrás do campo de proteção. Existem muitos perigos no mundo. Vocês chegam ao limite de habitação. Daqui para frente a cidade está abandonada. São quilômetros quadrados sem fim para buscar. Alan olha significativamente para você. O que fazer? Cada um ir para um lado: vá para o trecho 13. Continuar juntos: vá para o trecho 5.

4 - Talvez essa não seja exatamente uma boa ideia. Você já saiu em muitas missões além do campo e também já andou muito por aqui, mas nunca sozinha. Se topar com muitos inimigos as coisas podem ficar feias. Você vira a moto e volta para a parte habitada. Pelo estado das pessoas, o status desta área não vai continuar sendo esse por muito tempo. Elas parecem meio esfomeadas, amedrontadas, desesperançadas. Logo serão derrotados se não receberem ajuda. E tudo o que você queria era poder ajudá-las, mas não é permitido. Chega novamente à nave. O rastro da moto de Alan é facilmente captado pelos sensores da sua, vai ser fácil encontrá-lo. Uivos cortam o silêncio da devastação. Ir ao encontro de Alan: vá para o trecho 8. Afastar-se dos lobos: vá para o trecho 9.

5 - Vocês percorrem lentamente as ruas, atentos a qualquer ponto verde que possa aparecer nos radares, e também nos vermelhos, é claro. Depois que essa parte da cidade foi abandonada (e é uma parte muito grande), os monstros antigos do planeta que viviam por perto a tomaram para si. Não só como um abrigo próximo às suas vítimas, mas também para protegerem-se. Aquelas malditas coisas matam qualquer coisa que se movimenta. Alan rompe o silêncio repentinamente. O que te move, Diana? O que faz você não desistir, não perder a esperança?". Você olha para Alan. Ele não olha de volta, não há sorrisos no seu rosto. Responder a pergunta: vá para o trecho 7. Não conversar além do necessário: vá para o trecho 16.

6 - Você acelera. Há várias horas de luz solar pela frente, terá tempo para retornar. Você está se arriscando e sabe disso. Eles geralmente vêm desta área, mas já você vasculhou os arredores da cidade dezenas de vezes e nunca encontrou nada. Fica de olho no radar que brilha no painel holográfico à frente do seu rosto. O objetivo daquela missão é encontrar um ponto verde nele, que pode significar a cura para o mundo. Segue por caminhos aleatórios em meio aos escombros, quase sem fazer som algum, até que algo surge no radar. Um ponto vermelho. Aqui um ponto vermelho com certeza significa problemas. Deve ter te farejado, pois se aproxima bem rápido. Tentar despistar: vá para o trecho 9. Ir ao encontro: vá para o trecho 10.

7 - Você respira fundo, tentando lembrar e não lembrar ao mesmo tempo. O problema não é a memória em si, mas os sentimentos que ela desperta em você. Lobos correndo, três pessoas em círculo. O brilho dos disparos. Corra, Diana!. Não consigo me mover. Os lobos atacam. A resistência não consegue aguentar. Dois deles caem, sobra apenas um, sem arma, apenas uma espada na mão. Pai!. O lampejo do aço, um ganido. Outros dois se seguem. Sangue pinga da lâmina. De repente, um brilho laranja ilumina o local. Corro. Respiro fundo para me controlar. “É isso que me move. Um apito desperta vocês. No radar, um ponto vermelho. Separar-se para despistar: vá para o trecho 13. Ir ao encontro: vá para o trecho 10.

8 - Você aciona o modo de perseguição da moto. O veículo acelera sozinho, te levando pela cidade, usando os rastros energéticos como guia. Você sai da área habitada e entra na parte abandonada, muito maior do que os poucos quarteirões que ainda possuem vida. São centenas de quilômetros quadrados para procurar.  Você já andou muitas vezes por aqui, mas nunca se sabe se uma vida não poderia nascer de repente no meio da morte, não é? Ouve um uivo distante. Parece vir mais ou menos do mesmo lado para onde está indo. Não há nada no radar. Ainda não, pelo menos. Realizar as buscas com Alan: vá para o trecho 5. Afastar-se dos uivos: vá para o trecho 9.

9 - Você acelera por entre casas e prédios destruídos, restos centenários da civilização dos seus antepassados, indo mais longe do que pretendia. Coisas como a que te seguem agora sempre existiram no mundo, já as que causaram a ruína da espécie humana surgiram há pouco mais de um século. Outros pontos aparecem no radar, correndo na sua direção. Você é obrigada a ir cada vez mais rápido, cada vez mais longe de qualquer lugar. Finalmente, depois de certo tempo, eles somem. Faz uma curva e se depara com uma barreira de destroços. Tenta achar um caminho para contorná-la. Não há, estão todos bloqueados. É seguir a pé ou procurar em outro lugar. Continuar a pé: vá para o trecho 11. Buscar em outro lugar: vá para o trecho 22.

10 - Você vira a moto abruptamente. Respira fundo e gira a mão. A roda derrapa com a aceleração brusca. A adrenalina pulsa em suas veias conforme se aproxima do ponto vermelho. Ouve a respiração ofegante da fera antes de poder vê-la. O monstro salta sobre uma pilha de destroços, indo diretamente para o seu rosto. Joga a moto de lado, lutando para manter o controle, mas uma pedra no caminho não te ajuda. A moto voa para longe, girando e quicando no chão, sendo destruída. Você se ergue assim que para de rolar. Vira para encarar o lobo no instante que ele começa a correr para você. Usar a espada: vá para o trecho 12. Usar a arma: vá para o trecho 21.

11 - Você desce da moto e ativa o radar no seu punho. Anda até a base da pilha de destroços e começa a subir. São pelo menos uns dez metros de escalada perigosa, pois todo ponto onde pisa e segura está solto. Você escorrega várias vezes. Nunca chegou tão longe, nem sabe a que distância da cidade está. Ao chegar ao topo, surpreende-se. Você está na borda de um grande círculo de destruição, e o morro de escombros que escalou é como um gigantesco anel que isola uma planície coberta de cinzas, o resultado de uma devastadora explosão. O radar em seu punho apita. Olha para trás e vê um lobo imenso andando em meio à ruína. Uivos distantes ecoam pelo ar. Voltar para a moto: vá para o trecho 19. Descer a pé para a planície: vá para o trecho 23.

12 - Você desembainha sua katana. Os olhos negros da fera estão fixos nos seus. Pela mandíbula aberta é possível ver as fileiras de dentes afiados. Uma mordida é morte na certa. Lembranças começam a jorrar na sua memória, tentando escapar da barreira que tão cuidadosamente você ergueu ao redor delas. Lágrimas queimam pela sua face, acendem seu ódio como se fossem feitas de um fogo que não pudesse te ferir, apenas potencializasse as chamas que existem em você. Em dois movimentos rápidos o lobo cai no chão. Uma frase lampeja vinda das memórias. Lembre-se sempre que a mente é quem deve dominar as emoções. Deixar-se levar pelas emoções: vá para o trecho 15. Reencontrar Alan: vá para o trecho 37.

13 - Se vocês ficarem separados, podem procurar mais rápido e varrer uma área maior da cidade. Por mais que aqui seja perigoso, não é tanto quanto na cidade devastada. Os perigos, aqui, pelo menos podem ser tocados, não atravessam paredes para roubar suas almas. Bem, pelo menos não na maior parte do tempo. Uma grande praça surge de repente. Você para devagar, observando ao redor. Conhece muito bem este lugar. Um enorme arranha-céu se destaca das construções ao redor. O vento uiva suavemente pelos corredores de prédios, turbilhonando-se sobre uma grande fonte seca no centro do círculo. Aquele edifício te causa uma sensação estranha. Um uivo distante te assusta, trazendo lembranças repentinas à tona, te pegando desprevenida. Olha para o radar. Não há nada. Outro uivo, dessa vez mais perto, de outra direção. Seu coração acelera. É como se estivessem te cercando. Se for isso, não é bom. Fugir da possível armadilha: vá para o trecho 9. Flashback: vá para o trecho 15.

14 Você entra lentamente no prédio, atenta a qualquer coisa. O objetivo da missão pode estar ali, a salvação da raça humana. Uma planta. Uma simples planta é o que procura. Se puder encontrar um ser desta natureza vivo, talvez possam chegar à Gaia, e, assim, quem sabe, salvar sua espécie. Quando você chega ao segundo andar, ouve sussurros subindo as escadas. Seu coração paralisa. Eles estão chegando. Por uma janela, você vê dezenas do lado de fora. Não pode lutar, tem que fugir, e só tem duas escolhas. Subir: vá para o trecho 31. Descer: vá para o trecho 36.

15 - Lobos correndo, três pessoas em círculo. O brilho dos disparos. Corra, Diana!. Não consigo me mover. Os lobos atacam. A resistência não consegue aguentar. Dois deles caem, sobra apenas um, sem arma, apenas uma espada na mão. Pai!. O lampejo do aço, um ganido. Outros dois se seguem. Sangue pinga da lâmina. De repente, um brilho laranja ilumina o local. Corro. O radar apita. Uma olhada rápida te diz que é apenas um lobo. Você aperta o cabo da espada, o ódio há muito reprimido queimando em seu peito. Ele surge no seu campo de visão. Logo atrás a forma laranja semitransparente de um espírito. Dar combate aos inimigos: vá para o trecho 32. Se esconder e deixá-los passar: vá para o trecho 27.

16 Você continua olhando para frente. Alan sabe muito bem que você odeia que se metam na sua vida, porque está perguntando isso agora? Você nunca deu liberdade para que ele se sentisse à vontade de perguntar sobre o seu passado. Você sente que ele está meio nervoso, esperando alguma resposta. Talvez esteja apenas querendo ser gentil. Mesmo assim, você não está a fim de compartilhar experiências com ele. Vamos nos concentrar na nossa missão, Alan. Já é difícil e perigosa demais sem ficarmos nos distraindo com conversas inúteis. Um apito encerra o assunto. No radar, um ponto vermelho. Separar-se para despistar: vá para o trecho 13. Procurar emboscada: vá para o trecho 26.

17 Você acelera a moto, o som das patas das feras chegando mais perto. Assim que estiver do outro lado será mais fácil deixá-los para trás, com terreno limpo para correr. De súbito, um lobo, maior que o primeiro, salta de trás de uma pilha de destroços. Você freia e corta para a esquerda, volta a acelerar, puxa sua arma e no momento em que ele se vira para você, a boca arreganhada, cheia de dentes enormes, você dispara. O tiro de energia destrói-o por dentro. Ele morre em silêncio. Você acelera, então, em direção à rampa. Quando está praticamente nela, surge um lobo de lugar algum e bloqueia sua passagem. Você está a apenas uma dezena de metros dele, não vai dar para parar. Continuar mesmo assim: vá para o trecho 20. Passar pelo lado dele: vá para o trecho 18.

18 - Quando você está perto o suficiente para sentir o fedor do hálito da fera, corta para seu lado direito. Ele demora a reagir, parece que o pegou desprevenido. Um sorriso começa a se espalhar pelo seu rosto. Cedo demais. Um forte solavanco arranca a moto de baixo de você. Você é atirada para frente enquanto ouve o som da destruição do veículo ao capotar pelos destroços. Demora alguns segundos até conseguir parar de rolar pelo chão e se levantar, ainda na inércia do movimento. Assim que se põe em pé, vê o lobo correndo desabalado na sua direção. Enfrentá-lo com a espada: vá para o trecho 12. Usar a arma: vá para o trecho 21.

19 - Se você tentar fugir desta besta a pé não irá muito longe, e pode haver outras. Chega, então, à moto, faz a volta e se depara com um lobo de dois metros de altura andando na sua direção, dentes arreganhados. Você acelera e desembainha uma katana que sempre leva consigo. Vai direto para o animal. Ele corre na sua direção. No último instante, você corta bruscamente para o lado e golpeia com a espada. Gira a moto a tempo de ver sua cabeça caindo no chão. Uivos chegam até seus ouvidos. Uma dezena de pontos no radar. Você procura um meio de passar com a moto para o outro lado. Mais à frente, vê uma pilha irregular que talvez sirva como rampa. Tentar saltar pela rampa: vá para o trecho 17. Ir atrás dos lobos: vá para o trecho 10.

20 Você abaixa-se na moto e gira o acelerador ao máximo. O lobo rosna e salta. Vão colidir. Você vê os olhos da fera arregalando-se de medo. Ele gira o corpo no ar e, usando a moto como apoio, salta para longe. O veículo balança violentamente. Você está quase caindo quando decola. Prende a moto com as pernas para que não se distancie de você. O impacto com o chão faz seus dentes estalarem. Tenta parar, mas perde o controle da moto. Ela sai debaixo de você e capota. O som da sua destruição é uma pontada na alma. Os lobos se silenciam. Não uivam ou rosnam, nem mesmo parecem andar, e isso não é normal. Algo está acontecendo. Ver o que está acontecendo: vá para o trecho 28. Seguir em frente: vá para o trecho 23.

21 Você puxa a arma e atira. Acerta a cabeça do lobo, que gane e tomba, ainda vivo. Você parece ouvir a voz do seu pai novamente. Começa a correr. O lobo rosna e te segue. Metade do seu rosto se foi com o tiro. Ele salta. Você gira, mira e atira. O tiro destrói seu peito e o tira da trajetória. Quando cai no chão, está morto. Você corre, então, até uma pilha de destroços para fugir dos outros. Ao chegar ao topo, surpreende-se. Está na borda de um grande círculo de destruição, e o morro de escombros que escalou é como um gigantesco anel que isola uma planície coberta de cinzas, o resultado de uma devastadora explosão. Descer para a planície: vá para o trecho 23. Voltar para um local mais seguro: vá para o trecho 28.

22 É óbvio que você não se sinte à vontade de deixar sua moto. Deve ter algum outro lugar que posso usar para passar, com certeza. Aproxima-se de onde os prédios ainda estão em pé, porém todos desabitados. Para no limite das duas áreas e desce da moto para inspecionar uma casa. Não há sinal de que algo tenha vivido ali desde muito tempo, nem sinal do que pode ser a cura para o mundo. Plantas. Não há mais plantas, nenhuma. Se você encontrasse uma, poderia, quem sabe, encontrar a Gaia, salvar o mundo. De repente seu radar volta a apitar. Um ponto vermelho se aproxima rapidamente. Afastar-se da cidade abandonada: vá para o trecho 19. Despistá-los na cidade: vá para o trecho 26.

23 - O silêncio repentino dos lobos é perturbador, e por mais curiosidade que você possa sentir, provavelmente é melhor que não descubra por que. Você  começa a correr para o meio da planície, aprofundando-me mais naquele lugar isolado, ativa o comunicador na sua orelha. Alan, preciso de ajuda. Sem resposta. Alan? Está aí? Nada. Você para de correr. O radar desliga. É o local. Alguma coisa está interferindo nos equipamentos. Você não pode continuar essa busca sozinha, é suicídio. Volta até a beira do anel. Quando olha para trás, um enorme escorpião translúcido levanta-se do chão. Enfrentar o espírito: vá para o trecho 29. Fugir: vá para o trecho 25.

24 - Você escala uma pilha de escombros que deveria ter sido uma casa e, quando chego ao topo, salta. Aterrissa em um bloco instável de concreto. Ele tomba de lado, você perde o equilíbrio e cai. Tenta se manter em pé, mas acaba torcendo violentamente seu tornozelo. Usa as mãos para se apoiar e acaba soltando a arma. Você chega ao chão depois de rolar o resto do monte, a arma caída uns dois metros longe. Desesperada, você se arrasta em direção a ela, segura em seu cabo e se vira no chão. Fica paralisada. Os espíritos estão a não mais que três metros de você, que grita quando avançam. O som desaparece quando seu corpo tomba para o lado, inerte, sem vida. Sem alma.

25 - Em menos tempo do que você podia imaginar, esta do outro lado do anel. Corre desabaladamente para fugir do espírito. Outro surge de repente do seu lado. Você grita e se joga para longe, levanta e corre novamente. Agora são dois atrás de você. Eles atravessam as pilhas de detritos enquanto você é obrigada a desviar delas. Cai mais uma vez. Estão quase em cima de você, que atira para tentar afastá-los, mas não surge efeito algum. Ouve, então, um uivo, o som de patas correndo. De repente, um lobo atravessa o seu caminho, um espírito logo atrás dele. Uma ideia totalmente louca surge na sua cabeça. Saltar e agarrar o lobo: vá para o trecho 33. Isso é loucura demais, ele vai te matar: vá para o trecho 24.

26 - Você ronda lentamente pelas ruas, olhos e ouvidos atentos a qualquer coisa. Sabe que os lobos estão por perto, e também outras coisas que prefere não encontrar. Pelo menos a maioria delas não sairá até a noite. Seu coração acelera. Qualquer esquina pode estar escondendo um brilho laranja, um brilho de morte. Uma grande praça surge de repente. Você para lentamente, observando ao redor. Conhece muito bem este lugar. Um enorme arranha-céu se destaca das construções ao redor. O vento uiva suavemente pelos corredores de prédios, turbilhonando-se sobre uma grande fonte seca no centro do círculo. Aquele edifício te causa uma sensação estranha. Vasculhar o arranha-céu: vá para o trecho 14. Continuar rodando: vá para o trecho 35.

27 - Você se esconde atrás de um pequeno monte, agacha no chão e ficoa escutando. Um suave som deslizante chega até você pelo lado errado. Quando se vira, seu coração repentinamente dispara. Uma grande cobra laranja se aproxima, seu corpo saindo de uma pilha de concreto. Você corre na direção de onde veio, esquecendo-se momentaneamente do lobo. Mais espíritos surgem dos escombros. Esquecendo todo o ódio, concentra-se apenas em fugir. Só que eles são muitos. O lobo se aproxima de você. Uma ideia louca te vem à mente. Talvez seja a única escapatória. Ou talvez seja sua morte. Saltar no lobo: vá para o trecho 33. Isso é loucura demais, ele vai me matar: vá para o trecho 24.

28 - Você olha para trás, perturbado com o silêncio repentino dos lobos. Quando os vê correndo para longe, seu coração acelera. Um instante depois, você descobre o motivo da fuga. Espíritos. Você olha para a planície, mas ela não é uma opção. Um grande escorpião laranja se ergue lentamente do solo. Você desce correndo, de volta às trilhas de escombros, antes que algum deles te veja. Não está longe demais da parte intacta e abandonada da cidade, então corre para lá o mais rápido que pode, tentando se manter escondida dos espíritos. Ouvindo os ganidos dos lobos, você consegue chegar à suposta segurança dos prédios. Agora precisa ver o que vai fazer. Procurar Alan: vá para o trecho 37. Continuar com a missão: vá para o trecho 35.

29 - Você puxa sua arma e vai ao encontro do monstro, segurando o gatilho, fazendo os tiros saírem rapidamente, um atrás do outro. Ao tocar o espírito eles explodem, destruindo lentamente o tecido da besta, que ruge e corre na sua direção. Você salta de lado, rola no chão e volta a atirar. Ele vira e avança. Você corre ao seu redor, tentando confundi-lo, atirando. Ele se desintegra mais rapidamente, até que, com um último grito, explode no ar. Antes que você possa comemorar, outras formas surgem do chão, atraídas pelo som. Répteis e insetos, bem menores que o escorpião, em um número maior, te cercando. Fugir do cerco e enfrentá-los: vá para o trecho 24. Voltar para os escombros: vá para o trecho 34.

30 - Você vai morrer, sabe disso. Talvez Alan encontre seu corpo, se estiver vivo, e, com ele, uma nova vida para todos. Ou talvez mandem equipes de busca. De toda forma, você será encontrada. Tem que acreditar nisso. Precisa acreditar, para ter coragem. Você respira fundo. Salta. O impacto das suas costas contra o vidro te tira o fôlego, mas ele se parte. Seu peso desaparece. Você está voando, a esperança protegida na cápsula das suas mãos, a esperança de encontrar a Gaia, o espírito do planeta. Se esta planta pôde nascer, significa que ela ainda está viva. Encontrando-a, talvez possa-se ajudá-la a curar o mundo. Pela primeira vez na vida, você se sente livre. Espanto, alegria e decepção tomam conta da sua mente. No momento em que está mais próxima da morte se sente mais viva do que em todo o resto da sua existência. E sabe que isso se deve simplesmente pela vida que pulsa entre suas mãos. Desde que pôde compreender tudo, o seu mundo, você busca a existência deste pequeno ser sem nunca desacreditar que ele existia. Mesmo sabendo que vai morrer, você sorri. Lágrimas escapam dos seus olhos, e mesmo elas são de felicidade. O sol ilumina o seu mergulho, um mergulho em direção à salvação, salvação da espécie humana. Cacos de vidro brilham ao seu redor como se fossem uma chuva de prata agraciando o renascimento da humanidade. O chão se aproxima cada vez mais rápido. Seu tempo está acabando. Você não reviu sua vida, não teve flashs nem nada disso. No momento antes de morrer, você viveu. Fecha, então, os olhos, esperando o impacto. Ouve uma voz. Ouve seu nome. O vento cessa. Você não sente nada. Abre os olhos e vê Alan. "Então a morte é assim, tão serena, tão rápida?", você pensa. Ele sorri. A nave se ergue no céu.

31 - Você corre o mais rápido que pode escadas acima. Os andares desaparecem sob seus pés, mas logo o tamanho do prédio começa a levar a melhor. Os espíritos, não muito atrás, com a certeza de mais uma morte certa. De repente o radar em seu punho apita. Você se assusta, cai e acerta-o em cheio no chão. Pedaços voam por todos os lados. O mundo para. Silêncio total. O apito só podia significar uma coisa. Pelo menos você acha que sim. Pode ter encontrado a mais rara forma de vida do mundo. Vasculhar o andar: vá para o trecho 39. Não dará tempo, vou ser morta: vá para o trecho 36.

32 - Você puxa suaa arma, deixando o ódio tomar conta. Atira no lobo. Ele grita de dor, tropeça e cai. O espírito o alcança e, com um último suspiro, a alma do lobo é arrancada do seu corpo. Você afunda o dedo no gatilho e avança para o espírito. Ele recua, alvejado pelos disparos energéticos, gritando de agonia, até que desaparece no ar. Você está ofegante. Um arrepio percorre seu corpo todo. Ao olhar ao redor, sente como se seu coração parasse, como se antecipasse o momento que estava prestes a vir. Está cercada. Pelo menos uma dezena de espíritos ao seu redor, parados, observando. Você deixa a arma cair. Já está sentenciada. Está morta. Os espíritos avançam todos ao mesmo tempo.

33 - O tranco que recebe ao se agarrar ao lobo quase te faz soltá-lo, mas você consegue continuar segurando seu pelo. Ele nem pareceu notar que está carregando um peso extra, tamanho o medo do animal. Ele é rápido, bem rápido. Os espíritos logo ficam para trás enquanto vocês se aproximam da parte desabitada e intacta da cidade. Você se solta antes que a besta perceba que não está sozinha e tente te matar, entra no primeiro prédio que vê, arma na mão, atenta a qualquer sinal da aproximação de espíritos. Dentro do prédio, uma surpresa. A moto de Alan, totalmente destruída. Investigar: vá para o trecho 37. Continuar as buscas pela cidade: vá para o trecho 35.

34 - Você corre para longe da planície, para longe dos espíritos, mas eles vão atrás de você. Destrói dois deles, mas ainda sobram dois, e são bem rápidos. Você muda de direção várias vezes, tentando enganá-los. Eles simplesmente atravessam os detritos como se não tivessem matéria. Você dá seu máximo, entretanto, parece que não vai ser o suficiente. Estão quase te alcançando. De repente, você ouve outra respiração, o que só indica outro ser vivo. Um lobo surge de um corredor de destroços ao seu lado. Ele vai passar bem sua minha frente. Uma ideia louca e perigosa surge de repente na sua mente. Saltar no lobo: vá para o trecho 33. Isso é loucura demais, ele vai me matar: vá para o trecho 24.

35 - Você continua procurando. Anda meio que a esmo pela cidade, sem um destino definido, buscando algum sinal de lobos, espíritos, de qualquer coisa. Algum sinal de esperança. Por mais que esta missão já tenha saído completamente dos trilhos, você não pode desistir de procurar, simplesmente não pode. Se perder a esperança, está tudo acabado. Depois de algum tempo, encontra algo um tanto perturbador: uma faca caída no meio da rua, sangue fresco manchando sua lâmina. Alan está em perigo. Você precisa ajudá-lo. Olha ao redor e percebe onde está. Novamente a praça, aquela praça, aquele prédio. Ir atrás de Alan: vá para o trecho 37. Entrar no prédio: vá para o trecho 14.

36 - Você começa a correr, puxando sua arma. Hesita, dividida pela dúvida. Dúvida esta que não podia haver neste momento. A hesitação no meio de uma guerra leva apenas à morte. Um espírito surge vagarosamente do chão à sua frente, quase preguiçosamente, como se não tivesse pressa de te matar. Você paralisa por meio segundo. Quando finalmente reage, não há mais tempo. O brilho laranja já está por todos os lados. Você fecha os olhos. Uma lágrima rola pela sua face. Um pedido de perdão se prende à garganta. Entrega-se à morte.

37 - Você precisa encontrá-lo logo. Sabe que se ele estivesse no seu lugar, iria atrás de você, portanto, pode abandoná-lo desse jeito. Um senso de urgência toma conta de você, que começa a correr pelas ruas. O sol está começando a baixar no céu, já. Você não tem muito tempo, se quiser realmente continuar viva. Não pode deixar a noite te pegar do lado de fora do campo de proteção. Você chega à divisão entre as duas partes da cidade, a abandonada e a destruída. Um baque mental te atinge. Você conhece este lugar, ele está marcado na sua memória, no seu passado. Marcado com sangue. Corra!, diz o eco do passado. E Você está paralisada. Flashback: vá para o trecho 15. Concentrar-se na busca pelo Alan: vá para o trecho 38.

38 - Você fecha os olhos e respira fundo. Tem que se focar. Alan precisa de você, a vida dele depende disso. Você não pode falhar. Enfim, assume o controle e abre os olhos. Nesse instante, um bipe corta o silêncio de morte da cidade. Inimigos. "Porque logo aqui, logo agora?", você pensa e sai do meio da rua, olhando para a direção de onde o ponto vermelho no radar se aproxima. Pelo menos é apenas um. Um segundo depois um grande lobo surge no seu campo de visão. Seu sangue ferve na mesma hora. Atrás dele, a forma alaranjada de um espírito. Isso faz com que repense um pouco a situação. Enfrentá-los mesmo assim: vá para o trecho 36. Deixá-los passar: vá para o trecho 27.

39 - Você entra correndo pela porta que sai das escadas. Seus olhos correm pela devastação do ambiente sem se importar. Estão focados em apenas uma coisa, a única que importa. Você corre por entre mesas e cadeiras quebradas, buscando, procurando. Até que sente o cheiro. Cheiro de terra. Sobre uma mesa, um punhado dela. No alto, uma goteira. Entre os dois, uma pequena folha. Um reflexo laranja te desperta. Enfrentar os espíritos: vá para o trecho 36. Proteger a planta: vá para o trecho 40.

40 - Você enfia as mãos por baixo da planta, enchendo-as de terra úmida e corre em direção a uma das grandes janelas do prédio. A esperança de toda a humanidade vive fragilmente nas suas mãos, e parece que não você não tem chance de conseguir escapar, até que começa a entrar em desespero. Olha pelo vidro. Pelo menos uns quinze andares te separam do chão. Olha para trás. Um escorpião laranja entra calmamente na sala. Você fecha os olhos e reza, segurando delicadamente aquela minúscula vida nas palmas das suas mãos. Uma lágrima cai na terra. Atirar-se pela janela: vá para o trecho 30. Tentar despistar os espíritos no prédio: vá para o trecho 36.





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