5 de janeiro de 2012

Uma balada de primavera – Segunda parte - Um invernal verão de sentimentos


Tudo começou na estação das flores e nela terminou. 
Termina-se a primavera. Nasce o inverno.
Tudo era de uma certeza férrea. Estava acabado, não haveria mais volta.
As notas ainda ecoavam tristemente pelo auditório abandonado. Eram apenas elas que o mantinha em pé.
Aproximavam-se terrivelmente do seu fim, do momento em que a última nota soaria, reverberaria e então se perderia para sempre naquele palco esquecido que antes abarcara gigantesca alegria. Assim que isso se desse por realizado, toda a estrutura ruiria, tudo o que tinha sido construído pelos corações, maestro e maestrina, com sua música perfeita, seria levado abaixo. O que mantinha tudo em pé era o amor, e esse amor chegava próximo do seu fim.
Os tolos podem pensar: “Como assim, música perfeita? Nada é perfeito neste mundo!”.
Ah, realmente tolos são aqueles que acreditam em tais frases! A perfeição pode nascer da imperfeição, mas apenas quando seus genitores são assim, no plural. Manter aquele lugar em pé dependia de apenas duas pessoas: o maestro e a maestrina, ninguém mais.
Foi com o fraquejar de um deles que a primavera de sentimentos enfim teve o seu fim, dando lugar ao tão terrível inverno de sentimentos.
O maestro abandonou a música, jogou sua batuta no chão, correu do anfiteatro. A maestrina, pega de surpresa, tentou manter a música, chamar seu amado de volta, mas ele tinha ido embora, levando consigo um grande pedaço de si.
Seu coração não era mais o mesmo, não podia mais bater. Ainda assim, não podia se deixar deitar e morrer.
Sangue transbordava de suas feridas. Instrumentos desafinaram, cordas estouraram, metais enferrujaram, peles se rasgaram. Finalmente, a batuta da maestrina se quebrou e ela foi ao chão.
Lágrimas brotaram com intensidade, encharcando as tábuas do palco, manchando-o irreversivelmente.
O maestro correu cada vez mais para longe do amado teatro tão duramente construído, tentando esquecê-lo, fazendo-se acreditar que ele era passado, que aquela estrutura grandiosa não era essencial para a sua vida.
Em sua fúria de fuga, mal percebeu que faltava-lhe metade do coração.
O sangue escorria por suas entranhas, mas a febre de outros sentimentos tomava seu corpo e, assim, mergulhava seus órgãos em um torpor que não o permitia sentir a dor que invariavelmente uma hora o abraçaria com intensidade.
E assim, eles seguiram suas vidas.
Ou tentaram.
A maestrina chorou e chorou e, quando todos os instrumentos já estavam inutilizáveis, por mais que ela tentasse voltar a regê-los, abandonou também o seu querido teatro, desejando nunca mais voltar ali.
O maestro sorriu. Sorriu e brincou, e imaginou construir outro teatro. A música imaginada para gerar tal construção, segundo ele, seria mais séria, mais sóbria, mais madura, e, assim, muito mais resistente.
A música que abandonara era mágica, e foi isso que proporcionou tal espetáculo de arquitetura que era o antigo e agora fantasmagórico teatro que dividira com sua maestrina.
O maestro disse que não, que aquilo era passado. Sua mente recusava-se a escutar seu coração, que sabia de toda a verdade. Ao deixar de se comunicar com o coração, a mente deixou de perceber que seus instrumentos haviam sido deixados no teatro e estavam quebrados, que os sentimentos estavam desafinados, que o coração estava sofrendo. O coração sabia a verdade, sabia por quem queria tocar sua música, com quem, para quem. Mas a mente não escutou, não escutou que, quando o teatro desabasse, soterraria com ele todos os seus instrumentos sentimentais.
Enquanto isso, a maestrina sofreu.
O maestro sofreu.
Mas imaginava que não sofria.

4 de janeiro de 2012

Uma balada de primavera – Primeira parte - A sinfonia dos campos de pinheiros


Um aperto de agonia. Uma pequena dor nas profundezas do meu peito. Uma grande dor dentro do meu coração. Parece pequena, pois a mente esforça-se em seu extremo para que assim pareça.

Coração agoniado, nervoso, tenso, temeroso. Assim pulsa o órgão que mantém viva a esperança de viver.

Uma explicação para a origem desses sentimentos: este coração que aqui vos fala desacostumou-se a bater sozinho.

Não. Impossibilitou-se de bater sozinho.

Seu ritmo não mais é mantido através de sua própria vontade ou essência. Hoje ele é um coração dividido. Melhor. Um coração compartilhado.

Por um ano e sete dias, seu ritmo manteve-se compassado, ritmado, deslizando por linhas suaves, lentas, agudas, tensas, graves, rápidas. Sempre acompanhado de outro bater de mesmo tom, apenas em uma oitava diferente. Juntos, compuseram uma orquestra.
Uma orquestra que começou a tocar sua música em meio a um pequeno campo de pinheiros.

Uma orquestra de apenas dois instrumentos?

Não. Os corações foram os maestros. Eles conduziram a sinfonia. Os instrumentos foram diversos. Os nomes? Sentimentos.

Um ano e sete dias tocados por intensos sentimentos. Alguns de corda, outros de sopro, outros ainda de percussão e por aí vai. Em cada classe, ainda outra variedade de variações. Contrabaixos e violinos, clarinetes e trombones, bumbos e pratos.

E então, no oitavo dia, tudo isso era uma orquestra desfeita. Nenhum instrumento tocava mais. O som era apenas um:

O Silêncio.

Igualmente à intensidade com que era ouvido, ele era sentido.

Uma falta de alguma coisa. Uma falta de tudo.

Os corações, maestros tão dedicados, estavam destroçados. Metaforicamente falando, era como se, a um, faltasse um átrio, e no outro, dois ventrículos tivessem sido destruídos. Àquele primeiro, o sangue não jorrava mais pelas artérias, mas derramava-se por todo o corpo.

De toda aquela sinfonia, sobraram-se apenas os ecos.

Lembranças.

O som dos violinos caminhava lentamente pela mente de ambos, pois os corações não conseguiam nem mesmo mais lembrar, mergulhados na dor das partes que perderam e, ainda assim, não podiam simplesmente deitar e deixar de bater.

Um instrumento, por sua vez, não podia mais ser ouvido. Nem de uma forma real e nem mesmo nos ecos retumbantes das notas que teimavam em não se dispersar dentro do anfiteatro um dia lotado, agora, abandonado, como se tivesse sido deixado às pressas por causa de uma catástrofe iminente. Catástrofe que talvez chegasse a acontecer. No exato instante que todas as notas cessassem, toda a estrutura construída a partir delas finalmente ruiria, enfim enterrando para sempre aquele instrumento imóvel, abandonado com suas dezenas de cordas à mostra, um banco para dois à sua frente, como se ainda esperasse a volta dos músicos, a volta de seu maestro e maestrina.

Nos ecos remanescentes das batidas ritmadas, o piano não podia ser ouvido.

As vibrações dos outros instrumentos chegavam até ali, filhas dos pensamentos sofridos que ainda se mantinham atrelados àquela casa de espetáculo onde, antes, uma das mais belas e fantásticas sinfonias da Terra tinha sido criada aos poucos, para depois adquirir sua própria vida, regendo-se por si mesma.

Mas os pensamentos não podiam fazer soarem novamente as cordas do piano, não podiam fazer as teclas e pedais serem acionados, não podiam produzir som algum daquele instrumento. Não podiam, pois aquele piano havia sido feito para ser tocado a quatro mãos e apenas assim.

Dessa forma, o piano soou em seu canto, esquecido, silencioso, por um tempo que pareceu aterradoramente interminável.

3 de janeiro de 2012

A escolha já está feita, nada poderá mudá-la


De que adianta arrepender-se de atitudes já tomadas, atos já realizados? Tal sentimento degradante, que corrói a alma quando não controlado, não poderá corrigir os erros, alterar as consequências.

O que se deve fazer?

Investir tempo em atitudes que possam ter alguma valia para o problema. Se, enfim, tudo não puder ser resolvido da forma desejada, aceitar é a única solução.

Porém, desistir é inaceitável.

Desistir? Nunca. Cair? Não, eu não caio mais.

Não me prostrarei ao chão com lágrimas no coração e lá ficarei.

Erguer-me-ei uma vez mais, movido e sustentado pelo amor que tentam impedir.

Ninguém pode nos impedir de sentir, nem a dor, nem a distancia, muito menos outras pessoas. Se precisar ser, o tempo passará, e então, novamente a felicidade reinará, e aí, ninguém poderá impedi-la.

Sim, pois esse é um amor mais forte que muita coisa que possam já ter visto, pois salvou-nos de todas as formas que alguém pode ser salvo, ensinou a ambos o verdadeiro sentimento do amor correspondido entre um homem e uma mulher, transformou a ambos, o garoto virou homem, a garota virou mulher. Mostrou que é capaz de existir a felicidade plena sem um motivo especial. Está-se apenas feliz, e isso basta. Basta por que a pessoa está ali, ao nosso lado, também feliz.

Ah, se o arrependimento matasse...

Estaria eu enterrado dezenas de palmos abaixo da terra.

Se o arrependimento curasse... Hoje nada disso estaria acontecendo. Hoje tudo estaria bem e eu não estaria sentindo como se uma faca de prata, fria como a morte, se fincasse no meu coração todas as vezes que penso que não verei aquele sorriso, aqueles olhos, ouvirei aquela risada, aquela voz sussurrando o meu nome, por um bom tempo ainda.

Mas... não. Quem disse que tudo está perdido?

O arrependimento não mata nem cura, nem nunca matará ou curará. Não se morre, também, de dor no coração e saudade. Ambos, porém, podem inspirar a perda da força de vontade.

Mas, novamente, não. Usarei tais sentimentos tão dolorosos, se for realmente necessário, para me fazer continuar em frente e cada vez mais em frente, para cima, para poder lutar pelo meu amor.

E então, um dia, e juro que esse dia não demorará a chegar, estaremos juntos novamente. Se quiserem impedir, não poderão, apenas nos forçarão a fazer coisas que não queremos, a providenciar, quem sabe, uma quebra das regras, um afastamento não desejado.

Mas, se chegar a tal ponto, infelizmente não restará escolha.

As regras estão sendo impostas. Tais regras serão seguidas.

Regras, entretanto, foram feitas para serem quebradas, em sua maioria. Assim que se tornar possível, plausível e tangível, nada nos impedirá de por tais regras abaixo.

A vida é uma questão de escolhas. Uma escolha minha desencadeou essa situação. Uma escolha de outras pessoas está agravando-a sem necessidade, o que apenas nos obrigará a tomar outra escolha.

Mais uma vez, é uma questão de escolher. Escolhemos o nosso futuro. Escolheram dificultá-lo. Escolheremos realizá-lo, não importam as escolhas que precisarão ser feitas para que isso aconteça.

Porque só esqueceram de enxergar uma coisa: nós estamos juntos, nada poderá nos separar, pois não é a distância entre nossos corpos que faz o nosso amor, mas sim a distância entre nossos corações, nossos espíritos, e ambos estão unidos.
Nenhuma escolha pode separá-los.

2 de janeiro de 2012

A dor e a nossa mente


Me espanto cada vez mais com o poder que a nossa mente possui.

Podemos realizar dezenas de tarefas, acumular infinitos conhecimentos e, quanto mais acumulamos, mais podemos acumular. Podemos pensar e realizar mais de uma coisa ao mesmo tempo e, quanto mais praticamos, mais coisas e com mais eficácia podemos fazê-las.

Podemos lidar com inúmeros sentimentos e ir da extrema felicidade ao absurdo pânico da tristeza. Podemos lidar com esses sentimentos de variadas formas, basta apenas escolhermos a forma como queremos lidar.

Entramos em pânico se quisermos entrar, ficamos calmos se quisermos ficar.

“Você não sabe o tamanho da sua força até que sua única opção é ser forte”.

Incrível como uma escolha, uma atitude, pode se desdobrar em tantos outros acontecimentos. Incrível como uma única escolha pode mudar totalmente a nossa vida.

“A gente não vai pode mais ficar junto, me desculpa. Não manda mais nenhuma mensagem... Eu te amo. Adeus”.

Entro em pânico ou não?

Com certeza o pânico foi a primeira coisa que a minha mente pensou. Pânico, medo, dor, tristeza.

Mas não. Um instante depois, sem que eu nem percebesse, minha mente bloqueou esse sentimento sem que eu nem mesmo decidisse que ia fazer isso. Por outro lado, sei que é o que devo fazer.

O pânico não ajuda a pensar e não nos faz tomar as atitudes corretas.

A cada segundo desde que li a mensagem, sinto-o, porém, agitando-se dentro de mim, ameaçando me dominar, apertando meu peito com suas garras de aço, ameaçando esmagar o meu coração.

Muito maior que o pânico pode se tornar, há o amor, que toma meu coração por completo e não permitirá que eu perca a racionalidade, que eu me desespere e não consiga tomar as atitudes que precisarei tomar.

“Adeus...”

Não, nunca. Não aceitarei um adeus, não enquanto eu souber que no outro coração também pulsa um amor, amor por mim. Eu lutarei, lutarei com todas as minhas forças, “armas”, lutarei com o meu amor, pelo meu amor, pela minha felicidade, pela dela, pelo nosso sonho de ficarmos juntos.

“Um sonho sonhado a dois se torna realidade”.

Sonhamos o nosso sonho a dois, investimos todas as nossas expectativas nele e, por mais que eu tenha fraquejado e errado, o sonho está aqui, junto com o amor, e ainda mais forte do que antes. Deus sempre ajuda aqueles que querem ser felizes, sempre. Por que ele não iria nos ajudar agora? Por quê? Sei que vai, acredito e confio nele, sei que ele estará ao nosso lado. Porém, quem precisa agir somos nós, e eu agirei, não ficarei parado e aceitarei essa imposição. Não. Não podem nos impedir de sermos felizes, de ficarmos juntos. Ninguém pode. Se Deus está do nosso lado, quem realmente pode ficar contra nós?

Ninguém pode.

Eu não vou desistir de você, Amanda, não vou, nunca. Aguenta firme e não desista de mim, por favor. Vai dar tudo certo, você vai ver, vamos fazer dar. Confie em mim. Eu vou fazer dar certo.

Eu amo você e te amarei até o fim, até a luz do Sol se apagar, até que a última estrela deixe de brilhar, e apenas isso já é o suficiente para eu nunca desistir de você.

1 de janeiro de 2012

O nascer do novo ano



Muitos podem pensar: “Mas eaí, tem que chover assim logo no primeiro dia do ano?”.
E então, observando e ouvindo a chuva torrencial que passa pelo lado de fora da minha janela, eu penso: “Sim, tem que chover. A chuva tem que cair forte e com cada vez mais força para poder lavar das ruas, dos ares, das cidades, deste nosso país, das nossas almas, as sujeiras do ano que passou, os erros, os deslizes, os tropeços, para então entrarmos em uma nova fase, limpos, sem máculas, com a vontade imaculada de fazer da nossa vida, aquela que queremos poder viver. Um dia de chuva é um dia belo, pois é a chuva que proporciona a primavera, o nascer das flores, o aparecer do arco-íris. É a chuva quem gera a vida, e é esta chuva que cai neste primeiro dia para regar o nascer deste novo ano, que irá regar nossas almas para que nelas possam florescer as mais belas e perfeitas flores de felicidade”.

31 de dezembro de 2011

Passado. Futuro. Presente


“Eu preciso escrever um último texto”, pensei. Sim, preciso mesmo, só não sei o que colocar nesse último texto. Talvez transformar em palavras o que se passa no meu coração... Sim, acho que é uma boa forma de “terminar” o ano.
Podemos pensar, talvez, no ano novo assim, metaforicamente:
Uma união entre o Passado e o Futuro. Um ano que fica e outro que começa.
Comemoramos a passagem à meia noite, que também pode ser chamada de vinte e quatro horas. Sendo assim, tal horário, em ponto, nem um segundo a mais ou a menos, pertence, também, ao Passado e ao Futuro, pertence a ambos os anos. Será que poderia ser chamado de Presente?
Poderia sim, no instante em que estivermos na meia noite, é o Presente, mas é um Presente diferente, talvez.
Na verdade, todo Presente é uma união de Passado e Futuro, mas, simbolicamente, este Presente é diferente. É a passagem de um ano para o outro, de uma fase para a outra, é uma nova oportunidade de reinventarmos a nossa vida. Sim, eu sei, podemos fazer isso em qualquer outra época do ano, mas, nesta, os sentimentos de felicidade emanam por todos os lados e, assim, somos contagiados por eles, pela alegria, desejos de paz, saúde e sucesso e, dessa forma, sentimos com mais intensidade a vontade de mudar que fica latente durante o resto do ano.
Vontade sem ação, porém, é desejo latente que nunca se transformará em realidade.
Agora, enquanto escrevo, estou onde não queria estar. Queria, neste instante, estar segurando a mão da mulher que mais amo nessa vida, sentir os dedos pequenos dela em vota dos meus, seu cheiro chegando até mim, o calor do seu corpo, o som da sua voz, da sua risada, a intensidade do seu amor. Mas não, estou em casa, e a culpa é totalmente minha.
Este ano que termina foi bom para mim. Muitas coisas boas aconteceram, muitas mesmo. Sonhos, desejos, felicidade, tudo isso fez parte da minha realidade.
Quando chegar o instante do Presente da meia noite, pedirei, desejarei, farei a mais intensa prece para que tudo isso possa continuar na minha vida neste próximo ano, que a minha realidade possa ser cada vez mais e mais feliz, que meus sonhos possam continuar sendo reais na minha vida, se realizando cada vez mais e que, quando chegar esta mesma época do ano, eu possa estar no lugar onde meu coração também está, ao lado dela, não importa onde.
Por isso, usarei essa união de Passado e Presente, todas elas, todas as que estão por vir, da melhor forma possível, aceitarei o presente dos Presentes de Deus de braços abertos e farei deles o meu melhor, me esforçarei ao máximo pela minha felicidade, e também pela dos que me cercam.
Não sei exatamente o que mais escrever...
Meu coração se aperta de uma saudade tão grande que fica difícil tentar descrever ou explicar. Nem mesmo esta tão bela e única palavra do nosso idioma, saudade, pode definir o tamanho do que sinto dentro de mim, pode expressar a dor que esse sentimento está me causando, dor maior por saber que fui eu quem o causou.
Mas tudo bem. 2012 será diferente, pois os velhos erros ficarão sim para trás, porque eu acredito sim em Deus, sei que ele está ao meu lado, ele e meus tantos amigos do lado de lá, me ajudando a dar cada passo, a traçar cada caminho e então percorrê-lo.
Quais meus maiores desejos para este ano?
- Passar este ano inteiro ao lado da garota/ mulher que mais me fez feliz na vida, que me ensinou o verdadeiro amor entre um homem e uma mulher, que me tornou homem, que me ensinou e me fez crescer, amadurecer. Passar este ano e também o próximo, e outro, e outro, e todos os que virão.
- Divulgar cada vez mais meu livro, minha história, meu maior sonhos. Que ele possa chegar a cada vez mais pessoas, que cada vez mais pessoas possam conhecê-lo, que eu consiga lançar o segundo e ele seja também um sucesso e que eu consiga passar a verdadeira mensagem que quero passar com esta história.
Resumindo, estes são meus maiores sonhos.
Que Deus me ajude a concretizá-los.

29 de dezembro de 2011

Novo fim de um ano velho


Vinte e nove de dezembro de dois mil e onze.

Antepenúltimo dia do ano. Véspera da véspera do fim. Dois mil e onze, sim, chegou ao fim.

Mais um ano que passou voando, como têm sido os últimos que vivi. Lembro perfeitamente que antes os anos não passavam assim, tão rápido. Piscamos, e então Janeiro acabou e a faculdade está aí de novo. Respiramos e já estamos de férias (tirando as semanas das provas, que passam na velocidade de décadas inteiras). Quando, enfim, exalamos o ar, já estamos em dezembro novamente (passando mais algumas vezes pela estranha distorção de tempo causado pelas provas).

Foi assim com esse ano, com o ano passado e com o que veio antes e o outro.

Até pouquíssimo tempo atrás eu tinha dezesseis anos e quinhentos reais no bolso pelo meu primeiro emprego. Num tempo que não pareceu durar mais que um ano e pouco, já tenho vinte (pelo menos o dinheiro cresceu junto com a idade).

O mais impressionante, porém, não é o tempo de anos que se espreme numa concepção de meses, mas sim os acontecimentos desses anos espremidos em meses que pareceram precisar de décadas para se desenrolar. Não por que se arrastaram, mas sim pela imensa quantidade de coisas que aconteceram comigo nesse tempo. Realmente muita coisa, muito aprendizado, muitas mudanças, muito amadurecimento.

O Gustavo de dezesseis anos com certeza não conseguia imaginar como seria o Gustavo de vinte.

Mas é inevitável, o tempo passa e, por mais batida que essa frase já seja, cabe a nós decidir o que fazer com ele.

Mas porque desanimar com o fim de dois mil e onze? 2012 está logo aí! E, com certeza, será muito melhor que 2011, afinal, temos um grande evento mundial para acontecer! E, melhor ainda, não acontecerá no Brasil, já que não temos estrutura pra um evento desse porte. Assim, poderemos assistir ao fim do mundo de camarote ;D hehe (Ok, parei).

No fim de 2010 combinei com uma pessoa que mudou a minha vida: “2011 vais ser o nosso ano, não vai? Vamos fazê-lo valer a pena, não vamos? Será o melhor ano das nossas vidas”.

E foi. Muitos percalços, problemas, dúvidas, medos, mais problemas, choro e tudo o mais, mas muito amor, paixão, prazer, alegria, felicidade, amizade e outras muitas coisas boas mais. Um equívoco no meio do caminho também, mas que está sendo corrigido a tempo.

Agora, aproveito pra refazer a proposta do ano passado para tal pessoa: 2012 será ainda melhor que 2011, não será? Muito melhor por que não iremos cometer os erros que cometemos em 2011, por que os erros são para isso mesmo, para aprendermos a não cometê-los novamente.

2012, eu tenho certeza, será muito melhor que 2011. E sabe por quê? Porque eu quero que seja. Porque eu vou fazer com que seja, porque vou fazer de tudo pra manter a linha de bons acontecimentos de 2011, onde tantas coisas mudaram na minha vida, coisas demais mesmo.

Continuarei fazendo meus sonhos virarem realidade, continuarei amando e ainda mais que antes, continuarei apaixonado, manterei as amizades, farei outras novas como já estou fazendo...

Sinto pela segunda vez que o próximo ano valerá à pena, e muito à pena, porque a primeira e última vez que senti isso, foi no final de 2010. Com certeza muitas surpresas me esperam, porque vou trabalhar para que elas apareçam.

Antes eu dizia que nada de diferente acontecia comigo. É claro que não, eu não estava aberto a isso, não acreditava que podiam acontecer. Hoje eu acredito. E sabe o melhor? Elas acontecem.

Por que você não faz, então, seu 2012 ser da forma que você quer que seja? Por que, sim, nós podemos fazer cada dia nosso ser da forma como desejamos e, de dia em dia, construímos um ano. Eu construí o 2011 que eu quis e farei o mesmo com o próximo ano. E você, vai também?

E você? (E esse você é muito mais específico) Quer construir um 2012 perfeito comigo?

O grande vilão da escolha é a indecisão. Ou talvez ambos sejam antônimos, não inimigos. O fato é que a indecisão nos impede de fazer escolhas, ou então de tentar escolher mais de uma coisa.

Escolhas são caminhos. Quando escolhemos algo, trilhamos um caminho. Se escolhemos dois algos, tentamos percorrer dois caminhos. O problema disso é que, invariavelmente, uma hora ou outra, tais caminhos vão se separar e então teremos que escolher um deles. Se não escolhermos, então estaremos escolhendo um terceiro caminho.

Esse terceiro, porém, percorreremos, inevitavelmente, sós.

A Mão Esquerda de Deus

Título: A Mão Esquerda de Deus
Autor: Paul Hoffman
Editora: Suma de Letras
Páginas: 327
Skoob: Livro

"Preste atenção. O Santuário dos Redentores no Penhasco de Shotover deve seu nome a uma grande mentira, pois há pouca redenção naquele lugar e ele tampouco serve de refúgio divino".

É com esse alerta que o inglês Paul Hoffman começa A Mão Esquerda de Deus, um livro sombrio e cheio de mistério. Estréia do autor no romance aventura, a obra vem sendo divulgada no exterior como um "novo Harry Potter", muito embora o autor não recorra a elementos sobrenaturais nem raças não-humanas em sua narrativa.

O cenário da trama é desolador. Habitado por meninos que foram levados para lá muito novos e geralmente contra a sua vontade, o Santuário dos Redentores é uma mistura de prisão, monastério e campo de treinamento militar. Lá, esses milhares de garotos são submetidos a uma sádica preparação para lutar contra hereges que vivem nas redondezas. A intenção dos Lordes Opressores, os monges que protegem o lugar, é fortalecer os internos tanto física quanto emocionalmente, preparando-os para uma monstruosa guerra entre o bem e o mal.

Entre os jovens está Thomas Cale. Não se sabe ao certo se ele tem 14 ou 15 anos ou como foi parar ali. O que se sabe é que Thomas tem uma capacidade incomum de matar pessoas e organizar estratégias de combate. Essas poderosas habilidades serão colocadas à prova quando ele e dois amigos testemunham um brutal assassinato entre os corredores labirínticos da prisão. A visão do crime dá início a uma perseguição desesperadora e, finalmente fora dos muros do monastério, Cale irá compreender a extensão da crueldade dos lordes e a verdadeira origem de seu poder.

Um livro que, à primeira vista, já chama atenção por diferentes aspectos. Sua capa é bem trabalhada, sombria. Um homem encapuzado com uma espada na mão sob o título “A Mão Esquerda de Deus” só pode sugerir, no mínimo, uma história de uma ação mais “macabra”, com certa maldade. Na cultura humana, o “esquerdo” sempre foi visto como o errado, o mal, o que vai contra a ordem e coisas assim. Os maiores homens de um rei são suas mãos direitas, não as esquerdas. As palavras “A Mão Esquerda” já nos induzem a pensar que esta mão está longe do que diríamos ser certo, ético, justo ou até mesmo bom. E Cale, a personagem principal da história, muitas vezes se encaixa nesse conceito.

A ideia geral da série é boa, criativa e original. No início, pensa-se que o mundo é uma coisa, para, um pouco depois, perceber-se que ele bem maior que aquilo. Nas primeiras páginas, o autor nos faz pensar que o mundo inteiro é dominado pelos Redentores e está em uma guerra mundial contra os Antagonistas, mas depois vemos que não é isso, que a guerra não é tão grande assim e o mundo é muito maior.

Eu, quando percebi isso, desencantei um pouco. Talvez a trama seja mais bem trabalhada do que foi expresso neste primeiro livro, mas, por enquanto, não parece.

Ao contrário de personagens de outros livros, como Eragon e Herdeiros da Luz, onde vemos as personagens aprendendo tudo, ou O Senhor dos Anéis, onde Frodo não faz o tipo clássico de herói, Thomas Cale já começa, no livro, sendo um perfeito e cruel assassino.

Porém, como os outros, ainda e jovem e apresenta seus dilemas, não sendo assim tão desprovido de emoção como tentaram fazer dele. Por mais que o instinto de sobrevivência fale alto, ele não abandona seus amigos quando precisaram dele.

Duas coisas, porém, me incomodaram substancialmente na história.

Uma delas é o romance dele com uma “princesa”. Nada contra o amor entre um plebeu e uma pessoa da corte, o problema foi como tudo aconteceu: rápido demais. Em um momento, ela o repudiava, no outro, estavam perdidamente apaixonados deitados nus em uma cama. Acho que faltou desenvolver um pouco mais esse relacionamento.

Outra coisa, e essa coisa me incomodou muito mais, foi a guerra que aconteceu.

Hoffman conseguiu estabelecer uma estratégia de deslocamento de exércitos muito boa, mas, quando a batalha realmente aconteceu, pecou demais.

Geralmente os melhores e mais bem treinados exércitos são também os mais disciplinados, mas ele conseguiu aliar excelência com indisciplina, e, num exército, essas duas coisas não se encaixam.

Segundo que o general que comandou o exército, por mais que não seja o “principal”, comportou-se como uma criança jogando “War”.

É simplesmente impossível, em todo e qualquer sentido, que a guerra acontecesse da forma como aconteceu. Impossível. Números, por mais que não sejam o mais importante, são definitivos quando a proporção é de quarenta mil contra dois mil. É simplesmente impossível os dois mil ganharem dos quarenta mil quando todos os envolvidos são simples humanos sem nenhuma habilidade especial. Acredito que ele também precisa rever o conceito de vantagem num campo de batalha. Em um campo de batalha direto, exército contra exército, não faz diferença você esperar o oponente chegar até você ou avançar para ele se você não tiver alguma armadilha pronta e, definitivamente, ficar observando enquanto oponente põe em prática uma estratégia bem na frente do seu exército, não é a melhor atitude a se tomar.

Num conceito geral, dando uma nota de um a cinco, eu o classificaria com três. O texto é bem trabalhado e as personagens bem definidas, ainda que em alguns casos algumas pareçam ter mais de uma personalidade, mas não de uma forma proposital.

Um livro bom de se ler, envolvente, mas espero que a continuação faça-o valer mais à pena.

28 de dezembro de 2011

O Mochileiro das Galáxias – A Série


Títulos: O Guia do Mochileiro das Galáxias; O Restaurante no Fim do Universo; A Vida, o Universo e Tudo Mais; Até Mais e Obrigado Pelos Peixe; Praticamente Inofensiva; E Tem Outra Coisa.
Autor: Douglas Adams
Série: O Mochileiro das Galáxias
Editora: Sextante
Skoob: Livros

Sinopse “O Guia do Mochileiro das Galáxias”

Arthur Dent tem sua casa e seu planeta (sim, a Terra) destruídos em um mesmo dia, e parte pela galáxia com seu amigo Ford, que acaba de revelar que na verdade nasceu em um pequeno planeta perto de Betelgeuse.

Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, este livro vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado. Este é o primeiro título da famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect. A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário. Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da "alta cultura" e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.

Definindo em uma palavra?

Fascinante.

Uma primeira dica? Se você abomina coisas “nerds”, nem comece a ler estes livros, pois fascinante será a última coisa que você vai achar da série.

Quando peguei o primeiro volume para ler, não sabia o que esperar dele a não ser um pequeno trecho sobre as toalhas (item indispensável e, talvez, o mais importante, para um mochileiro das galáxias) que um amigo me mostrou. Ali já vi que o livro seria bem brisado.

Mas, como gosto de coisas brisadas, me joguei de cabeça.

A cada página virada eu me surpreendia uma vez mais (ou muitas), com as ideias fantásticas e absurdas que Adams desenvolveu. Analisando-as por si só, qualquer um diria que são coisas ridículas demais até mesmo para se colocar em um livro de ficção, e talvez seriam, se não tivessem sido escritas por Douglas “Gênio” Adams. Sim, o cara é um gênio.

Como diz na contra capa, sua genialidade é cômica e, mesmo que algumas piadas apenas ingleses entenderiam, podemos rir com muitas outras.

A forma como ele escreveu suas brisas faz com que elas deixem de ser idiotas e passem a se tornar fascinantes, como criar um gerador de improbabilidade infinita através de uma máquina de café (se não me engano) e outras coisas totalmente sem sentido ou explicação que apenas deixam a série ainda mais interessante.

Às vezes a leitura é difícil, mas não por que o texto é maçante, mas sim porque as ideias explicadas são bem complexas.

Ele viajou pelo mundo da física e da matemática e conseguiu trazê-los brilhantemente para o universo literário, criando desde naves que podem estar em qualquer ponto do universo ao mesmo tempo até outras que viajam através de cálculos feitos no caderninho de um garçom de restaurante, pois a matemática gastronômica difere totalmente suas regras da matemática comum.

As personagens são fantásticas.

Arthur Dent, a personagem principal, parecendo ser bem lerdo no começo, se mostra extremamente engraçado no decorrer dos livros, e até mesmo inteligente depois. Ford Prefect parecia mais comum no começo, mas apenas até colocar suas mangas de fora e mostrar o verdadeiro Ford, ironicamente hilário, corajoso e medroso, calmo (no começo) e irritadiço. Zaphod Beblebroox e suas duas cabeças e, provavelmente, a personagem mais exótica da história, mas desaparece misteriosamente da trama no terceiro livro. Alguns dizem que os outros dois livros, sem ele, perdem a graça, mas eu achei que o quarto livro, mesmo com uma quantidade reduzidíssima de personagens em relação aos outros, ficou ótimo também. E não podemos esquecer Marvin, o robô depressivo que, no começo, pensa-se que não será de grande importância pra história, mas acaba participando mais do que significativamente de tudo e, mesmo ele sendo bem chato, acaba-se sentindo certo afeto por ele no seu fim.

Não me estenderei mais. Só se pode ter uma real noção de como é essa série, lendo-a. Posso dizer que é, novamente, fascinante, empolgante, muito brisada, muito engraçada, cheia de ação, reviravoltas inimagináveis e outras coisas mais, mas, se quiser realmente ir para outros mundos, pegue estes livros e leia.

 
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