Mostrando postagens com marcador Textos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Textos. Mostrar todas as postagens

22 de dezembro de 2012

Ode ao fim do mundo



Gosto dos "fins de mundo". É sempre interessante observar a intensidade com que eles conseguem mexer com as pessoas. É claro, para a maioria não passa de uma piada e, tendo os conhecimentos que eu e muitas outras pessoas têm, é mais do que óbvio que este fim do mundo seria exatamente igual ao ano 2000, por exemplo, onde se esperou uma pane geral de todos os dispositivos eletrônicos da época. No fim, nada aconteceu.
Ontem, 21 de dezembro de 2012, nada aconteceu também. Bem, pelo menos não da forma que as pessoas acreditavam que ia acontecer. Não houveram surtos de zumbis ou vampiros, não houve surtos inexplicáveis de doenças ou chuvas de meteoros, não houve aquecimento do centro da Terra por radiação solar, nem terremotos, tsunamis ou invasões alienígenas.
Até porque, qual era a lógica de esperar coisas assim? Tudo por causa do calendário Maia? É por isso que eu sempre digo que falta criatividade e curiosidades às pessoas. O calendário Maia não acabou, como algumas paródias dizem, nem previu o fim do mundo, como outros sensacionalistas inventam. O calendário Maia é simplesmente feito de ciclos que duram alguns milhares de anos, e o término de cada um desses ciclos, historicamente, sempre foi marcado por uma mudança drástica. No fim do último ciclo, o império Maia foi destruído. Em 21 de dezembro de 2012 houve o fim de outro ciclo, e então alguém teve a (brilhante) ideia de dizer que ia ser o fim do mundo. Só que ninguém se preocupou em ver realmente se havia algum registro dos Maias dizendo que o mundo realmente ia acabar.
Bem, ainda assim, momentos como esses são... interessantes.
Duvido que até mesmo o mais cético dos homens não sentiu um leve desconforto ontem, porque assim é o ser humano. Somos facilmente influenciáveis. Se uma pessoa nos diz que há um monstro em uma floresta, não vamos acreditar. Se muitas pessoas, uma cidade inteira, afirma categoricamente que há um monstro naquela floresta e que até mesmo há registros de pessoas que foram mortas por ele, eu, pelo menos, ainda assim, não acreditaria, e talvez você também não. Mesmo assim, você entraria na floresta depois de receber o aviso de milhares de pessoas? Apenas um idiota faria isso. Assim foi com o mais recente fim do mundo.
Eu disse que momentos como esse são interessantes porque eles nos fazem pensar um pouco na nossa vida, naquilo que fizemos, deixamos de fazer, gostaríamos de ter feito, que ainda queremos fazer. Quando os olhos se fecharam ontem, com todos na cama, acredito que boa parte das pessoas tinha pensamentos como esse na mente, ou pelo menos tiveram ao longo dos dias 20 e 21.
Entretanto, por mais que tenham havido planejamentos, promessas, vontades, ontem, a maioria delas foi esquecida com o abrir dos olhos de hoje. Porque o ser humano também é assim. Esquece fácil da coisas que promete, dos desejos de mudança. É mais fácil e simples, menos trabalhoso, continuar como estamos.
E assim caminha a humanidade.
O fim do mundo não chegou, ainda não (porque um dia ele virá, daqui milhares, milhões de anos, quando nosso sol envelhecer o suficiente e crescer até engolir nosso planeta, já que essa é apenas a ordem natural das coisas), mas isso não significa que nada realmente mudou.
Alguém já viu a natureza dar saltos? Mudar completamente de um dia para o outro? Não, não é assim que ela age. A natureza caminha por etapas, transições. Já há algum tempo que novas transições vêm ocorrendo no nosso planeta, estamos bem no meio de uma. Contudo, ela também não ocorreu ontem, porque seria algo rápido demais para a natureza. Ela está em andamento, e irá findar-se nos próximos anos, talvez em menos anos do que gostaríamos, mas com certeza anos suficientes para que possamos mudar e acompanhar o nosso planeta.
E isso não é especulação ou adivinhação. São fatos, comprovados por uma ciência que a nossa ciência sequer ainda tem capacidade para perceber que existe, quanto mais para entender.
Tudo se resume ao local certo de se buscar o conhecimento. Ele é a base de tudo. Conhecimento. Se há algo que um dia fará falta, é isso. Porque adiar a busca?

31 de agosto de 2012

Primeiro de setembro



E se eu tivesse simplesmente me cansado de viver neste mundo? E se eu desejasse apenas viver em um lugar diferente, ou melhor, eu o mundo fosse diferente? E se eu quisesse que ele não fosse cheio de pessoas corruptas e ignorantes que buscam apenas aquilo que as favoreçam? E se eu quisesse viver em mundo melhor?

Mas e se não precisasse ser melhor? Poderia apenas ser diferente, quem sabe...

E se eu quisesse poder entrar pela porta de um armário e descobrir um novo mundo?

E se eu quisesse completar 11 anos novamente só para amanhã, embarcar na plataforma 9 3/4?

E se eu quisesse viver em um mundo repleto de elfos, anões, magos e anéis?

E se eu quisesse viver em um mundo infestado de zumbis, que estivesse sendo limpo de toda a sujeira gerada por nós?

E se eu quisesse, quem poderia dizer que não posso desejar isso?

E quem disse que eu não quero?

Você?

Você também quer, que eu sei.

Todos queremos.

Todos queremos puxar nossa varinha e fazer a coisas levitarem, montar em um leão e conversar com dríades, ter quarenta anos e ser do tamanho de uma criança e viver no Condado, montar em um dragão e desbravar os céus, encontrar um amor que valesse enfrentar e vencer a própria morte.

Todos queremos isso.

Mas somos todos um bando de idiotas!

Criticamos e odiamos a nossa sociedade, desejamos que ela fosse diferente, que o mundo fosse outro, e, mesmo assim, quando eles dizem que é impossível as coisa que queremos se tornarem realidade, simplesmente desistimos? Porque?!

Porque aceitar as palavras de uma sociedade manipuladora e egoísta, mesquinha, hipócrita, que tem côo maior prazer destruir os sonhos dos outros? Porque deixar que nossos próprios sonhos sejam destruídos?

Os exemplos estão todos aí nas nossas caras!

Hogwarts existiria se os sonhos de uma inglesa tivessem sido massacrados por aqueles que disseram que eles não eram bons o suficiente? A Terra-Média teria passado por três eras inteiras se outro inglês tivesse dado ouvidos à idiotia deste mundo? O país de Aslam teria sido descoberto se um terceiro inglês tivesse achado que ele era impossível demais para existir?

Acho que os ingleses são ótimos exemplos a serem seguidos. Graças àquela primeira que mencionei, o dia primeiro de setembro, por exemplo, será eternamente lembrado por aqueles que viveram em seu mundo.

Afinal, você acha que Hogwarts não existe? Acha que o mundo dos bruxos não está escondido bem atrás de um tênue véu, separado do nosso por poucos centímetros?

Prove-me isso, então. Prove-me, e também a todas as milhões de pessoas que já conheceram Hogwarts em seus mínimos detalhes, que passearam por suas passagens secretas, que lutaram em seus corredores, que morreram várias vezes por suas páginas. Diga a todos nós que nada disso é real, mas nos faça acreditar de verdade, e então, quem sabe, conseguirá matar um pouco mais do nosso mundo.

Entretanto, meu amigo, temo que esta seja uma jornada árdua e que, muito provavelmente, não encontrará os resultados esperados, porque todos aqueles que um dia atravessaram o lago no barco e depois caminharam pela floresta em direção à morte, têm completa certeza de que tudo não passou da mais pura realidade.

Hogwarts existe sim, meu amigo, existe porque milhões de pessoas acreditam que ela existe, e, assim, garantem que ela sobreviva pela eternidade.




30 de agosto de 2012

Passos

 
 
Olho para a página em branco sem saber muito bem quais palavras usar para preenchê-la. O aniversário do "Brisas e Pensamentos" chegou e passou sem uma única palavra para comemorá-lo.
Desde sua primeira postagem, dois anos e um pouco mais se passaram.
Desde sua primeira postagem, tudo mudou.
Quando dei meus primeiros passos pelas páginas deste blog, era um garoto, inexperiente, meio inseguro, meio perdido na vida, sonhando com coisas que nem sabia direito o que eram, buscando caminhos que não sabia se podia encontrar, muito menos se existiam, buscando um amor que imaginava ainda não ter nascido.
No primeiro post tentei entender e explicar o que sabia sobre o amor. O conhecimento não era muito grande, mas, com certeza, muito maior do que o de muita gente.
Estas páginas acolheram minhas alegrias, drenaram minhas lágrimas, limparam minhas feridas, ajudou a criar cicatrizes e, aquelas que não podiam cicatrizar, elas sangraram junto comigo.
Estas páginas retratam a minha vida, minhas vitórias e derrotas, sorrisos e sofrimentos, desde os mais simples até os mais complexos, desde os hoje esquecidos até aqueles que imaginei que nunca me deixariam.
Quando comecei aqui, era um garoto.
Hoje, quem sabe, sou um adulto. Um homem que conhece suas responsabilidades, que conhece a si mesmo, que sabe o caminho que quer trilhar.
Hoje, conheço meus sonhos. Hoje, sei onde quero chegar e, por mais que tais sonhos estejam ainda muito altos, construo pacientemente asas para me levarem até lá e além, pois sei que, para os sonhos, não há limites, e todos eles podem ser realizados.
Hoje, sei um pouco mais e menos ainda sobre o amor, porém, sei que é mais do que um simples sonho a ser buscado, sei que é real.
Quem escreve estas palavras, agora, é um campeão, é um escritor, é um sonhador.
Um garoto que se tornou homem e será eternamente uma criança, pois sabe que a vida apenas pode valer a pena se encarada através da inocência e eterna sabedoria das crianças.
Como eu poderia, então, abandonar um companheiro tão fiel, que sempre acolheu tudo o que joguei para ele, fosse raiva, alegria, lágrimas ou dor?
Não poderia...
Hoje não me importo mais se vinte ou duzentos e cinquenta pessoas lerão estas páginas em um dia. Se apenas uma encontrar nestas palavras algum conforto, estarei satisfeito.
Por enquanto, é isso.
Voltarei em breve.

25 de maio de 2012

Uma Pequena Inspiração


 Quando se trata dela, muitas coisas são impossíveis de acontecer. Entre estas muitas, podemos considerar os verbos “esquecer”, “odiar” ou “separar”, e também conjugações como “deixar de amar”. Essas são coisas que, de certa forma, podem ser mensuradas. Têm classificações e explicações, significados, motivos para não acontecer e outros imaginários que poderiam fazer com que tais verbos se tornassem realidade. Há uma coisa, porém, que tem sua impossibilidade resumida na impossibilidade de mensurá-la. Tal coisa é o tempo.
Como medir o tempo passado ao lado dela? Talvez esse tempo até pudesse ser quantificado caso eu tivesse uma mente como a de um computador, que gravasse inexoravelmente cada segundo vivido por mim. Mas eu não a tenho, e, assim, posso gravar apenas o tempo que se passou desde que ela entrou na minha vida.
Há outro tempo, também, e ainda mais difícil de ser mensurado.
Quantas horas, ou segundos, ou dias (esta última medida, muito mais provável), já não gastei (gastar? Talvez este não seja o melhor verbo. Aproveitei. Sim, esse é bom) estudando suas feições, analisando suas reações, aprendendo sobre ela? Não importa em qual das medidas se conte, com certeza os números que a expressam são muitos. E isso tudo teve ótimos resultados. Hoje eu poderia dizer que sou uma espécie de PhD no comportamento dessa pequena garota de cabelos lisos e loiro escuro (ou castanhos claros, caso tal escolha de palavras para definir a tonalidade agrade mais a tal senhorita), olhos verdes (ou seriam da cor de um mel denso e escuro? Talvez uma mistura de ambos. Na verdade, não sei. Qual seria a luz que está os iluminando agora? Há lágrimas em seus olhos [eles ficam mais claros quando ela chora]? Ou é apenas a luz deste dia nublado que reflete neles?), nariz pequeno e reto (que ela diz ser de batata, mas eu não acho que seja), olhos pequenos que dizem tudo o que se pode saber sobre o que se passa em sua alma, boca macia, de lábio inferior farto e superior mais fino, rosto redondo, mãos pequenas e gordinhas (as mãos mais macias que já senti em toda a minha vida), sorriso fácil e encantador e muitas vezes tímida, com aquela perfeita cara de “santinha”, que desaparece quando estamos na cama.
Posso dar muitos outros detalhes sobre ela, mas isso não seria justo. Porque eu deveria compartilhar conhecimento adquirido em tantas horas de estudo e observação, de forma tão simples assim? Há coisas, também, que nunca divulgaria, não importa o quanto me fosse oferecido, porque me orgulho de ser simplesmente o único a saber de tais coisas.
Quanto a conheço? Às vezes até mais do que ela mesma.
E mesmo sabendo de tantas coisas sobre ela, acabo sempre me surpreendendo com mais uma nova informação, que logo se acrescenta à lista existente.
Se soubesse desenhar, poderia criar sua imagem perfeita apenas de cabeça, não importa se fosse só o seu rosto ou o corpo inteiro, com suas roupas preferidas ou totalmente nua.
E cada vez que a vejo sorrir seus muitos sorrisos diferentes, fascino-me uma vez mais (tem aquele onde os lábios não se separam e os olhos fitam algo que está mais abaixo, o cabelo escondendo o rosto [este é o de timidez], tem também aquele onde os olhos fitam os meus intensamente, estreitando-se, os lábios esticados, mostrando bem seu lindo sorriso, a cabeça meio virada de lado [esse é o provocante, malicioso], ou aquele onde os olhos brilham, o sorriso não tem como ser maior, e os olhos, não tem como ficar menores, de tão apertado que é quando ela está plenamente feliz. Junto com esse sempre sai uma risadinha, na maioria das vezes, algo como “hihi”).
Muitos outros tipos de sorrisos ela tem, assim como tem também suas infinitas risadas (ah, que belíssimas risadas ela possui), mas quantas linhas precisariam ser escritas para descrever cada um deles.
Só posso dizer que, se soubesse compor, para ela seria minha mais perfeita música. Se soubesse pintar, ela seria a musa de minha obra de arte. Se criasse uma personagem em uma história inspirando-me nela, seria a mais complexa e expressiva personagem que eu poderia construir.
E por mais que tudo isso pareça ser complexo, por mais que eu tenha levado dias e dias, semanas e meses de observação para adquirir tal gama de conhecimentos, o motivo para isso é bem simples.
Eu a amo.

23 de janeiro de 2012

O direito de censurar


Nos últimos dias um assunto muito polêmico e de extrema importância tem sido debatido no mundo todo, e o debate mais importante se passa na nação mais arrogante do planeta: os EUA.

SOPA: Stop Online Piracy Act. Em tradução livre: Lei de Combate à Pirataria Online.

O nome parece bonito, uma lei defensora dos direitos de artistas e intelectuais que têm seus trabalhos protegidos por direitos autorais e os divulgam pelo mundo como sua forma de trabalho. O nome da lei só não diz o que há entre suas páginas (e por trás dela).

No fundo de tudo, esta lei concerne em uma coisa: censura.

Querem censurar a internet.

Ok, se os trabalhos estão protegidos por direitos autorais, legalmente, eles não podem ser veiculados sem a permissão de quem detêm os direitos. Empresas que apóiam esta lei são gravadoras e coisas do tipo, entre outros, que dizem perder milhões de dólares para a pirataria na internet. Vamos falar seriamente: empresas como a Universal Music Group precisam mesmo de mais dinheiro?

Como tudo na porcaria deste mundo, essa lei também visa o dinheiro, a merda do dinheiro. Quantas pessoas neste mundo não matariam as próprias mães se fossem pagos para isso? E ainda mais em troca de uma soma de milhões.

Ok, pirataria é crime, sabemos disso, mas cobrar oitenta reais por um cd original numa loja é completamente ético, não é? Fora da lei não podemos dizer que é, pois eles podem cobrar o que quiserem pelos produtos deles, mas, ainda assim, é um assalto aos nossos bolsos. Eu, sinceramente, não pago isso. Os únicos cds originais que possuo são da minha banda preferida, de resto, é baixado da internet mesmo.

Mas será que isso é tão ruim mesmo, essa disseminação das músicas e filmes na internet?

Eu não acredito que seja. Um exemplo disso é a banda “O Teatro Mágico”, que ficou famosa no país inteiro sem nunca ter assinado com uma gravadora (e todas as brasileiras já fizeram propostas). Eles disponibilizam suas músicas para serem baixadas gratuitamente no site deles e ainda vendem os cds a dez reais (cerca de oitenta por cento mais barato que os lançamentos em lojas). E detalhe, eles vendem mesmo os cds deles, as pessoas compram, mesmo podendo baixar de graça todas as músicas.

Outro fato: porque será que artistas famosos, aqueles mesmos que, segundo a lei, teriam seus trabalhos protegidos por ela, apoiavam o maior site de compartilhamento de arquivos do mundo, o megaupload, que foi tirado do ar na semana passada e teve seus donos presos?

Sabe porquê? Porque quem realmente ganha dinheiro com toda essa roubalheira são as gravadoras, que faturam milhões a mais que qualquer artista. Para os artistas sérios, o que eles querem é divulgar o trabalho deles, e quer forma melhor de divulgar do que a internet?

A partir do momento em que músicas deixarem de ser compartilhadas na internet, acredito que as vendas de cds irão é diminuir, pois muitas pessoas baixam as músicas, vêem se gostam e só então compram o cd, para não gastarem pelo menos cinquenta reais em algo ruim. O povo não vai partir para as lojas por não poderem mais comprar, mas sim encontrar outras formas de conseguir as músicas. Se bobear, a pirataria fora da internet só vai aumentar.

Lamar Smith, principal defensor e criador da SOPA, disse: “é óbvio que precisamos de fazer uma nova aproximação de qual a melhor maneira de resolver o roubo dos ladrões estrangeiros que roubam e vendem material e invenções americanas”.

Mais uma vez, a super conhecida prepotência norte-americana.

Se esta lei realmente entrar em vigor, veremos uma nova era na internet. Aquele lugar onde você podia encontrar tudo o que queria com alguns meros cliques? Ele não vai existir mais.  A SOPA é mais uma mostra de que os EUA realmente acreditam poder dominar o mundo e modificá-lo ao seu bel prazer. Felizmente essa lei só se aplicará aos EUA, ainda que a maioria dos sites bons estejam hospedados lá, o que prejudicará muito a internet. Por outro lado, tenho certeza que dezenas, centenas de outros sites começarão a aparecer no mundo todo para suprir a carência de informação que esta censura causará.

No fim, eles não vao conseguir o seu intento. O megaupload não mais compartilhará músicas e filmes na internet, mas outros sites no resto do mundo sim, e por mais que os mecanismos de busca sejam proibidos de veicular seus links, não tenho dúvidas de que eles se tornarão conhecidos.

Vamos dizer não à censura na internet! Toda censura é burra, toda privação de conhecimento é ignorante. A era que vivemos é a da informação e do conhecimento, não vamos permitir que percamos isso.

17 de janeiro de 2012

Uma rosa branca para o amor


Não sei quantas vezes já vim aqui falar sobre o amor. Não sei quantas vezes vim aqui falar sobre o meu amor.

Inúmeras, com certeza, e das mais variadas formas. Imagens, textos, livros, poemas, músicas... De todas as formas que consegui encontrar, me declarei.

O amor é o mais intenso dos sentimentos, o mais presente, o mais odiado, o maior causador de guerras, o mais declamado, dito, visto, desejado...

E também o mais incompreendido.

Amor de mãe, pai, filho, irmão, amigo, inimigo... Os tipos são variados, mas os verdadeiros são raramente encontrados.

O mais intenso, para mim, é o amor que nasce entre um homem e uma mulher.

Sinceramente falando, eu sou um grande amante deste tipo de amor. É um amor que faz nossos corações baterem mais forte, com mais intensidade, nos dá um sentido na vida, nos faz desejar e sonhar. Afinal, o amor entre irmãos não te faz querer constituir uma família, querer construir algo bom para o seu futuro. O que nos faz seguir em frente, não desistir, batalhar, lutar até o fim, no meu caso, é o amor de uma mulher. E novamente no meu caso, de uma mulher bem específica.

Uma vez escrevi estas palavras, que mais tarde se transformaram em parte de uma canção.

“E se o seu coração parasse de bater,

Com os próprios punhos o forçaria a voltar a viver?

O quanto agüentaria correr se fosse preciso fazer?

A que profundezas chegaria pela sua própria existência?...

E se um dia ela chegasse a morrer?

Correria através da noite sem nunca se deixar vencer?

Voaria através da luz se fosse necessário fazer? 

Hoje, nada disso mudou.

Enfrentaria furacões, lutaria contra gigantes, me lançaria contra um exército inteiro com apenas uma espada e um escudo nas mãos, e em cada uma dessas batalhas, eu venceria dez vezes se fosse preciso, pois minhas armas, não importa se forem apenas meus próprios punhos contra um gigante ou uma espada contra um furacão, elas seriam sempre feitas do nosso amor, um amor verdadeiro, e nada pode ser mais forte do que o amor se as pessoas que o sentem estão dispostas a enfrentar o que for preciso por este sentimento.

Por que o amor é vida, e o amor dela é minha vida.

Por que ela foi a pessoa que me salvou de todas as formas que alguém pode ser salva, porque estas palavras You're here, there's nothing I fear”, são nada mais que a verdade. Enquanto ela estiver ao meu lado, não haverá nada que eu tema, a não ser perdê-la.

Hoje, tenho medo, mas não por que acredito que possa não a ter ao meu lado. Isso tenho certeza que vai acontecer, mais cedo ou mais tarde. O problema é apenas se for mais tarde.

A única coisa que pode ser feita é continuar lutando e lutando e lutando, sem desistir, sem se entregar, porque ela está ao meu lado, e é tudo o que eu preciso para vencer todas as batalhas que virão.

Uma balada de primavera – Sétima parte - A terceira Sinfonia


Por vezes as lágrimas ainda escorriam do rosto do maestro e ameaçavam cair sobre as cordas do violino da esperança. Uma ou outra vez, seu arco falhou na umidade, mas ele não parou de tocar.

A chuva caía mais e mais forte, até que ele se viu isolado no palco. Não enxergava seus amigos nas cadeiras, não ouvia som algum que não fosse o trovejar dos raios e o duro som da torrente de água que caía do céu. Era como se todos os oceanos estivessem sendo derramados em cima dele. A causa daquela chuva, como tudo naquele teatro, era os sentimentos dos dois, e a maestrina estava lá, distante, entregando-se à dor, sofrendo e chorando e, assim, fazendo chover no teatro.

A água fria encharcava o maestro até os ossos e mais além. Chegava ao seu espírito e, em certo momento, ele estremeceu. Um estremecimento do fundo da alma. Quando isso aconteceu, uma corda do violino se rompeu. O desespero ameaçou tomar o coração do maestro, mas ele não parou de tocar.

Por fim, suas pernas perderam sua força e ele caiu de joelhos. Ainda assim, ainda se podia ouvir o som de sua música, triste, lamuriosa, desesperada.

Não mais ouvia ou até mesmo sentia a maestrina. Sentia, sim, é que estava morrendo. Morrendo por se entregar ao desespero, por se entregar à dor, por imaginar que nunca mais poderia sentir o toque suave de sua amada, ouvir sua voz doce, beijar sua boca, abraçar seu corpo.

Mas de que adianta desistir? De que adianta se entregar? Deixar de lutar significa morrer em sentimento. Persistir na batalha significa que ainda há esperança, por mínima que ela seja.

À distância, a maestrina permanecia presa por grilhões que poderiam ser mais fortes que ela. Ou então poderiam se romper se ambos unissem suas forças contra os elos.

Um joelho se ergueu e um pé encontrou novamente o chão. O maestro fez força, tentando se levantar sem deixar de tocar. As notas falharam e escorregaram pelo palco, desritmadas. As forças de suas pernas se recusavam a voltar, mas ele se esforçou, suou debaixo de toda aquela chuva, mas a água que caía era forte, muito forte, como enormes tsunamis vindos diretamente de todos os céus com o único objetivo de mantê-lo no chão.

Ele permaneceu ali lutando e se esforçando ao máximo, sem cair mais, mas sem conseguir nenhum progresso. Foi quando ele sentiu o toque.

Seu coração saltou no peito, reassumindo momentaneamente um ritmo mais forte ao imaginar que poderia ser a bela maestrina. Mas não, ele sabia, conhecia seu toque, e aquelas não eram as suas mãos. Aqueles eram seus amigos.

Eles o ergueram do chão e o mantiveram em pé. Lágrimas escorreram pelo seu rosto ao olhar aqueles rostos que só queriam o seu bem. Um deles trazia uma nova corda para substituir a que tinha se rompido. Ele colocou-a e voltou a tocar, amparado por eles, que agora eram a força que lhe faltava. E assim a música continuou. Não perdia-se mais tão completamente em meio ao rugido da chuva, mas também não ia tão longe assim.

Os sentimentos dentro dele se agitaram, mas ainda não eram capazes de produzir sons. Podiam, porém, abrandar aquela tempestade.

Em pouco tempo, a enorme torrente transformava-se em pouco mais que uma garoa, sem vento ou raios, calma.

A Terceira Sinfonia dos Campos de Pinheiros foi marcada e sempre será lembrada pela grande tristeza de suas notas, pela suavidade de seus sons quase apagados, pelas lágrimas que desperta em qualquer um que a ouça com o coração. Será marcada pela morte da esperança e, depois, pelo renascimento desta.

10 de janeiro de 2012

Uma balada de primavera – Sexta parte - As torrenciais chuvas de verão


Seguiu-se a Segunda Sinfonia dos Campos de Pinheiros com toda a sua elegância magistral, seus tons alegres e felizes. O outono se desfazia rapidamente, da mesma forma como tinha chegado para desvanecer o terrível inverno de sentimentos.

Ao outono, seguia-se o verão.

A ordem das estações pode estar um pouco confusa, mas, naquele teatro, as coisas aconteciam conforme a música que se tocava, e aquela música era como um verão ainda tímido, iniciando-se, com o Sol começando a desbravar as nuvens e mostrar seu calor. As estações ali tomavam forma conforme os corações dos regentes da sinfonia.

E agora os regentes estavam assim: ainda tímidos, mas exalando o calor de seu amor através das notas. A neve derretia cada vez mais, até que nada dela restou.

Cada vez mais pessoas ficavam sabendo da novidade, ouviam a música se espalhando por quilômetros e iam até o teatro para apreciar aquela bela sinfonia.

A maestrina se aproximava cada vez mais, voltando para o seu amado, aceitando-o de volta. O maestro continuava a cantar e dançar e tocar e reger os instrumentos do palco e os do público.

Para o observador mais atento e sensível, percebia-se um pequeno toque de tristeza naquela música, e era este toque que impedia que o Sol brilhasse realmente forte. A tristeza era a saudade, que apertava os corações quase recompostos dos regentes. Uma saudade tão grande como nunca tinham sentido antes, uma saudade que chegava a doer fisicamente, a fazer o corpo ansiar pelo toque do outro, pelo abraço e pelo beijo, ou apenas pelo sorriso. Ainda assim, apenas o tempo agora os separava.

Ou talvez não.

Um contratempo, notas dissonantes, uma percussão atravessada.

Em outro ponto, uma música pesada se chocou contra a sinfonia suave do grande teatro.

As ondas se chocavam e se destruíam, aniquilando-se. A música do maestro começou a se perder. Não conseguia se afastar do teatro e às vezes nem mesmo chegar à maestrina.

Uma dor repentina assaltou-os: o medo.

O violino da esperança caiu ao chão, sem conseguir manter seu ritmo, suas cordas desafinando e estourando, as crinas de seu arco arranhando as cordas que restaram de uma maneira quase fúnebre, até que ele desistiu de produzir qualquer som.

A maestrina parou. Uma pesada barreira impedia-a de se aproximar de seu amado maestro, impedia que o maestro chamasse sua amada maestrina.

Os espectadores ficaram tensos, alguns pararam de tocar, outros mudaram o tom de sua música. Eles enviavam ajuda com suas notas, mas algumas nem mesmo chegavam ao maestro, quanto mais à maestrina, que se afastava cada vez mais contra a sua vontade.

Os regentes não conseguiam mais se comunicar e a tristeza foi tomando forma novamente, iniciando na maestrina e forçando sua passagem pelo coração do maestro.

Ele caiu e chorou. Chorou rios de lágrimas e sangue e deixou que seu violino caísse. Novamente o teatro estava em silêncio, quebrado apenas pelos soluços afogados do maestro que jazia de joelhos no palco, tentando abafar a dor em seu coração. As pessoas começaram a sair novamente, mas não todas. Os amigos ficaram, mas eles não sabiam exatamente o que fazer, por isso apenas observaram novas manchas no palco, dessa vez, causadas pelas lágrimas do maestro.

Ele era mais forte do que isso. Não ia desistir, não desistiria nunca mais.

Seu coração bateu forte, ainda que sem um compasso definido.

Ele seria a força de ambos, ele não deixaria que a esperança deixasse de tocar.

Retirou as cordas do seu violino e foi até onde o violino da esperança tinha caído. Trocou as cordas uma a uma, pegou seu arco e levantou-se, majestoso em sua dor. Uma tristeza feroz emanava dele, que a usou para se pôr a tocar.

Agora era ele quem regia a esperança, ele quem a tocava. A esperança não depende de ninguém além de quem a sente, e ele estava decidido a não deixar que ela acabasse.

Um trovão retumbou pelo céu logo após o clarão que iluminou todo o teatro e centenas de quilômetros ao redor. De lá de dentro, o maestro pôde enxergar a maestrina, sofrendo novamente. Não ia permitir que isso acontecesse.

Raios rasgaram os céus quando as primeiras gotas torrenciais banharam o chão, o palco, os sentimentos.

As chuvas do verão haviam chegado.

8 de janeiro de 2012

Uma balada de primavera – Quinta parte - A grande velocidade das estações


E assim, o outono da esperança desfez o grande inverno de sentimentos.

O maestro se pôs a trabalhar.

Sozinho, pegou uma pá e começou a retirar toda a neve que se acumulara dentro do teatro. Ali, para que o Sol, a Lua e as Estrelas chegassem novamente, o trabalho teria que ser muito duro e realizado apenas por eles, maestro e maestrina. Como esta ainda estava longe, mas chegando, ele se esforçou ao máximo para que tudo estivesse bem melhor quando ela chegasse.

Toneladas de neve se desfizeram sob o esforço do dedicado maestro. Mais uma vez, ele sentia-se completo, ou completando-se, com um rumo em sua vida, com esperança, com vontade de viver, de ser feliz, com a certeza de que seria feliz, com entusiasmo para novamente compor suas músicas de declarações.

Após terminar a limpeza do palco, tomou nas mãos outro violino e se pôs a acompanhar aquele que tocava a esperança. Suas notas foram fortes, com vida, animadas, e ecoaram ainda mais longe com toda a intensidade que possuíam. Aos poucos, pequenos espectadores voltaram a escutar a melodia.

Ele tocou e tocou, incessantemente, por horas, dias a fio, até que seus dedos sangrassem nas cordas, mas nem assim ele parou. As gotas caíram de suas mãos e tocaram os locais do palco que haviam sido manchados pelas lágrimas da maestrina. Como em um toque de mágica, as manchas desapareceram por completo, tornando o palco impecável novamente.

Sua música começou a despertar os outros instrumentos, que sacudiram a poeira e a ferrugem de seus corpos e cordas, recuperando lentamente o seu brilho. Testaram algumas notas, afinaram-se e, timidamente tentaram começar a tocar, a acompanhar o maestro que não mais usava uma batuta para comandá-los, mas o arco de seu violino.

As notas da esperança ganharam cada vez mais força e, juntos, os instrumentos derreteram e evaporaram a neve que ocupava o resto do teatro. Os lugares para o público voltavam a ficar disponíveis, a neve do teto se desfazia lentamente enquanto as nuvens do céu se afinavam e o Sol novamente conseguia voltar a banhar com sua luz a imponente estrutura que começava a recuperar o antigo brilho refulgente.

As pessoas começaram a entrar para ouvir a música, a se acomodar em seus lugares. Alguns pontos ainda estavam tomados pela neve, mas já havia lugares suficientes para um bom público.

Estes entraram vagarosos, meio tímidos, desconfiados, mas não podiam deixar-se não contagiar com a felicidade exprimida pelo maestro com seu violino. Ele não apenas tocava, mas dançava e cantava, sorria, pulava, descia do palco e regia seus instrumentos do meio da plateia, que começou a acompanhá-lo.

Alguns tinham seus próprios instrumentos e logo entraram na melodia da segunda Sinfonia dos Campos de Pinheiros, o segundo ato, o próximo volume de tão magnífica série. Assim, os sentimentos dos espectadores fundiram-se pela primeira vez com os instrumentos do maestro e da maestrina. Uma nova música se fazia ouvir no grandioso teatro de muitos nomes.

As pessoas chegavam cada vez mais, de vários lugares, felizes por poderem novamente ouvir aquela belíssima música. Ela era intensa, fulgurante, apaixonante, viva, pura alegria. Era aquilo que queriam que nunca tivesse acabado, aquela alegria feroz que exalava dos olhos do maestro.

A música, eles sabiam, é claro, ainda não estava completa. Faltava a maestrina, mas ela estava a caminho.

Sua voz chegava até lá, cantando liricamente para acompanhar o seu amado em sua felicidade. Todos estavam felizes novamente, cantando e dançando. Os assentos não eram mais necessários, ninguém os estava usando. Estavam todos em pé, cada um com seu instrumento, dando seu toque pessoal de incentivo àquela grande alegria.

Novamente, a Sinfonia dos Campos de Pinheiros se fazia ouvir aos quilômetros de distância.

Ao breve outono da esperança, seguia-se o feroz verão da reconquista.

7 de janeiro de 2012

Uma balada de primavera – Quarta parte - O outono da esperança


Foi assim que o outono começou. Breve outono.

Um pulsar de intensa dor despertou o maestro de seu túmulo de neve. Junto com a dor, veio o amor. Mais uma vez eles sentiu-se inundado por aquele tão grandioso amor que havia construído sua saudosa casa de espetáculos.

Sim, a dor era inundada de imensa saudade.

A mente se encolheu ante a força do coração e, vendo que não era páreo para aquele tão intenso sentimento, recuou cada vez mais, então cedeu. Sim, ela sabia, aquela era a lógica do sentimento, a razão da emoção, e ela estava muito mais certa do que a mente. Era a única certa.

Sem pensar em procurar uma saída para a tumba de seu coração, o maestro se lançou para a neve acima dele, cravando suas unhas nela, arrancando grandes pedaços de cada vez.

Ele foi subindo e subindo. Pelo caminho, deixava um rastro de sangue de suas mãos que se machucavam na neve dura e cruel. O maestro não se importava. A dor era a consequência da sua escolha. Ele precisava senti-la.

Enfim, emergiu em um grande deserto frio. A tempestade caía forte, impedindo-o de descobrir para que direção ficava seu teatro.

O desespero começou a tomá-lo, lágrimas rolaram por suas faces, quentes, derretendo as gotas úmidas de gelo que se fixavam em sua pele. Num pânico súbito, ele gritou com a mente, voz e coração, o nome de sua tão amada maestrina.

Ao contrário do que se pensa, o som não foi abafado pela cortina de neve. Não. Na verdade, ele a desfez.

O som de seu grito foi tão estrondoso que abalou a tempestade, que recuou, temerosa diante de tamanha intensidade de dor e sentimento. Os últimos flocos caíram flutuando para o chão.

Logo a sua frente, a quilômetros de distância, o maestro viu a silhueta coberta de neve de sua casa de espetáculos. Ele podia pensar em diversos nomes para ela: Campo de Pinheiros, Vale da Lua, Planície do Sol, Estrela Vespertina ou qualquer outro que envolvesse qualquer uma dessas coisas, mas um único nome nunca poderia abarcar toda a significância que tinha aquele lugar, toda a sua verdadeira essência. Aquele teatro era um lugar onde o Sol, a Lua e as Estrelas se encontravam em harmonia, onde cada um deles representava um pedaço, mas nunca a totalidade, pois ela era tão infinita quanto o universo, ou talvez até mais.

E então ele correu. O maestro correu e correu, gritando o nome de sua amada, chamando por ela, clamando por seu perdão. Ele correu até que suas pernas não podiam mais se mover, e então ele foi ao chão.

A neve derretia por todos os lados, relevando pequenas imperfeições no terreno. Ele havia tropeçado em uma pedra escondida.

As pesadas nuvens do céu se desfaziam lentamente, mas o Sol ainda estava oculto, assim como a Lua e as Estrelas. No teatro, porém, a neve ainda continuava intacta.

Lágrimas rolaram pelo rosto do maestro quando sua esperança ameaçou vacilar. Será que estava tudo perdido? Será que ele tinha jogado fora a chance de ser feliz.

Muito ao longe, tão baixo que ninguém escutou, ouviu-se uma voz. Na realidade, ninguém poderia escutar aquele chamado, mas ele o ouviu. Levantou a cabeça, o coração desritmado em disparada.

Sim, ele reconheceria aquela voz em qualquer lugar, no meio de um furacão. Era a voz da maestrina.

Ele não podia vê-la, mas sabia que estava ali, em algum lugar, além dos limites do teatro. Ele então se levantou e correu, correu ainda mais, cada vez mais. O teatro chegava cada vez mais perto. Suas enormes portas estavam abertas para ele, pois um sentimento tocava mais uma vez dentro do teatro, um único sentimento, forte, porém ainda solitário, ecoando suas notas lugubremente pela estrutura sobrecarregada de dor e tristeza.

Adentrou o complexo com extrema ansiedade, vasculhando-o inteiro em busca de sua amada.

No palco, um solitário violino meio enferrujado fazia suas notas ressoarem pelo ambiente. Ele estava sozinho ali. Mas não completamente. Sentia, em seu íntimo, a presença da maestrina. Ela estava longe, mas presente em pensamento. Ele chorou e pediu perdão ao sentir a dor dela. Chorou muito, principalmente com o coração e, enfim, ela o perdoou.

Estava voltando para ele.

6 de janeiro de 2012

Uma balada de primavera – Terceira parte - A mudança de estações


Foi dessa forma que o inverno de sentimentos se estendeu.

A neve caía forte por todos os lados, mergulhando a maestrina cada vez mais, criando uma crosta de gelo ao redor do seu coração. Aos poucos, o sangue deixava de escorrer, ainda que ainda fosse abundante e profuso. O coração batia desritmado e nada era possível fazer para que assim deixasse de ser. O frio e o gelo foram isolando pouco a pouco a mente do coração, para que assim a mente pudesse parar, algum dia, de se importar e pensasse nela apenas.

O maestro, como sabemos, sofreu. Mas achava que não sofria. Achava que não sangrava, achava que estava inteiro, completo consigo mesmo. Não dependia de ninguém, a felicidade e o amor agora eram mais um complemento para o seu bem estar, não essencial para ele.

Como uma mente pode se enganar tão cruelmente...

O grande inverno chegava próximo ao seu auge.

Maestro e maestrina percorriam caminhos soterrados por quilômetros de neve. O maestro corria pelas profundezas sem ver o Sol, mas achando-o que a luz que seus olhos viam era dele. Pobre homem, enganado pelo reflexo de vagalumes na neve.

A Lua e o Sol, as estrelas, nada mais disso existia no céu do maestro. Ele os tinha abandonado assim que deixou o tão espetacular teatro.

Fala-se tanto deste teatro, mas não se chega a descrevê-lo.

Imagine um lugar grande, formidável, enorme, gigantesco! Agora adicione um palco maravilhoso, preenchido quase em sua totalidade por belíssimos instrumentos de madeira e metal, todos tão reluzentes que, ao cair da noite, o brilho refletido das estrelas era capaz de iluminar todo o grande teatro.

No alto, a abóbada gigantesca abria-se ao infinito, revelando os astros infindáveis que coalhavam o céu. Deixava-se ver o Sol, a Lua e todas as estrelas, galáxias. Podia-se contemplar todo o universo daquele lugar.

Quem regia a visão que se podia ter dali era a própria música, os próprios instrumentos. Quando maestro e maestrina faziam tocar uma música mais lenta e triste, o céu fechava-se com nuvens e chovia, molhando a tudo e a todos, pois a música era tão intensa, os sentimentos tão poderosos, que tudo ao redor era contagiado pela vibração que emanavam.

Em dias de músicas alegres e animadas, o céu brilhava fulguroso com os raios do Sol a despejar sua cor azul por todos os lados. O brilho refletido pelos instrumentos era tão intenso que podia-se vê-lo a quilômetros e mais quilômetros de distância. A plateia ficava deslumbrada e emocionada com todo aquele brilho, aquele calor, que não cegava, apenas iluminava cada vez mais.

Nas músicas românticas, o céu estrelado tornava-se infinito. Aquele que o contemplasse ao som da melodia poderia fixar uma estrela a bilhões de anos-luz da Terra. Estrelas cadentes riscavam o céu incessantemente, fazendo apenas aumentar o brilho do espetáculo, enchendo os outros corações de intensa alegria.

Ah, e o lugar para a plateia! Não havia um público máximo. Aquele teatro era capaz de abarcar infinitas pessoas. Todos os que quisessem contemplar aquele espetáculo de sentimentos poderia entrar e se sentar confortavelmente, e então se deslumbrar com a magia da sinfonia dos campos de pinheiros, sentindo o coração apertar-se de pura felicidade ao ver o imenso amor e harmonia que uniam aquele maestro e sua maestrina.

Isso tornou-se passado. Tudo isso não é mais real.

Com o abandonar do maestro no meio do espetáculo, logo os instrumentos desafinaram cruelmente e público se dispersou, pois a nova música que se ouvia era triste e lamuriosa, um silêncio assustador, dilacerado apenas pelo som do choro da maestrina, do bater de suas lágrimas no palco.

Agora o céu que se vê da abertura do teatro é negro e sem vida. A neve cai incessantemente por ele, pesando cada vez mais em toda a sua estrutura que range e cede cada vez mais. Os ecos, lembranças, da música se esforçam, mas não são mais capazes de impedir aquele fim trágico de tão majestoso monumento.

Os instrumentos agora estão soterrados pelo branco sujo que reflete apenas o vazio. Os assentos estão ocupados, mas apenas pela mesma neve que congela aos poucos toda aquela criação.

O inverno de sentimentos é cruel e estava fadado a existir para sempre.

Do lado de fora, muito ao longe, os vagalumes se apagaram do caminho do maestro e ele ficou cego. Perdido na escuridão, seu coração quebrou a barreira imposta pela mente e então, finalmente, a dor chegou até ele, intensa, por todo o seu corpo. Lágrimas e dúvidas e mais dor. Finalmente, um pensamento, mas dessa vez ordenado pelo coração. A mente aceitou e, então, uma batida pulsou em seu peito.
Dava-se início ao outono da esperança.


5 de janeiro de 2012

Uma balada de primavera – Segunda parte - Um invernal verão de sentimentos


Tudo começou na estação das flores e nela terminou. 
Termina-se a primavera. Nasce o inverno.
Tudo era de uma certeza férrea. Estava acabado, não haveria mais volta.
As notas ainda ecoavam tristemente pelo auditório abandonado. Eram apenas elas que o mantinha em pé.
Aproximavam-se terrivelmente do seu fim, do momento em que a última nota soaria, reverberaria e então se perderia para sempre naquele palco esquecido que antes abarcara gigantesca alegria. Assim que isso se desse por realizado, toda a estrutura ruiria, tudo o que tinha sido construído pelos corações, maestro e maestrina, com sua música perfeita, seria levado abaixo. O que mantinha tudo em pé era o amor, e esse amor chegava próximo do seu fim.
Os tolos podem pensar: “Como assim, música perfeita? Nada é perfeito neste mundo!”.
Ah, realmente tolos são aqueles que acreditam em tais frases! A perfeição pode nascer da imperfeição, mas apenas quando seus genitores são assim, no plural. Manter aquele lugar em pé dependia de apenas duas pessoas: o maestro e a maestrina, ninguém mais.
Foi com o fraquejar de um deles que a primavera de sentimentos enfim teve o seu fim, dando lugar ao tão terrível inverno de sentimentos.
O maestro abandonou a música, jogou sua batuta no chão, correu do anfiteatro. A maestrina, pega de surpresa, tentou manter a música, chamar seu amado de volta, mas ele tinha ido embora, levando consigo um grande pedaço de si.
Seu coração não era mais o mesmo, não podia mais bater. Ainda assim, não podia se deixar deitar e morrer.
Sangue transbordava de suas feridas. Instrumentos desafinaram, cordas estouraram, metais enferrujaram, peles se rasgaram. Finalmente, a batuta da maestrina se quebrou e ela foi ao chão.
Lágrimas brotaram com intensidade, encharcando as tábuas do palco, manchando-o irreversivelmente.
O maestro correu cada vez mais para longe do amado teatro tão duramente construído, tentando esquecê-lo, fazendo-se acreditar que ele era passado, que aquela estrutura grandiosa não era essencial para a sua vida.
Em sua fúria de fuga, mal percebeu que faltava-lhe metade do coração.
O sangue escorria por suas entranhas, mas a febre de outros sentimentos tomava seu corpo e, assim, mergulhava seus órgãos em um torpor que não o permitia sentir a dor que invariavelmente uma hora o abraçaria com intensidade.
E assim, eles seguiram suas vidas.
Ou tentaram.
A maestrina chorou e chorou e, quando todos os instrumentos já estavam inutilizáveis, por mais que ela tentasse voltar a regê-los, abandonou também o seu querido teatro, desejando nunca mais voltar ali.
O maestro sorriu. Sorriu e brincou, e imaginou construir outro teatro. A música imaginada para gerar tal construção, segundo ele, seria mais séria, mais sóbria, mais madura, e, assim, muito mais resistente.
A música que abandonara era mágica, e foi isso que proporcionou tal espetáculo de arquitetura que era o antigo e agora fantasmagórico teatro que dividira com sua maestrina.
O maestro disse que não, que aquilo era passado. Sua mente recusava-se a escutar seu coração, que sabia de toda a verdade. Ao deixar de se comunicar com o coração, a mente deixou de perceber que seus instrumentos haviam sido deixados no teatro e estavam quebrados, que os sentimentos estavam desafinados, que o coração estava sofrendo. O coração sabia a verdade, sabia por quem queria tocar sua música, com quem, para quem. Mas a mente não escutou, não escutou que, quando o teatro desabasse, soterraria com ele todos os seus instrumentos sentimentais.
Enquanto isso, a maestrina sofreu.
O maestro sofreu.
Mas imaginava que não sofria.

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Online Project management