9 de março de 2011

Brilha Onde Estiver
Não há de ser nada, pois sei que a madrugada acaba, quando a lua se põe

A Lua, nossa Lua, vai brilhar eternamente nos céus pelo nosso amor, nunca se pondo, transformando nossos dias em eternas madrugadas, pois são nelas que os sonhos acontecem, e é isso que é o que estamos vivendo, um eterno sonho, um sonho que virou realidade e do qual nunca vamos acordar. Não sei se posso dizer que é real no sentido que conhecemos a palavra, pois a realidade desse mundo não é tão bela quanto a do nosso amor.

O abraço de vampiro é o sorriso de um amigo e mais nada
Não há de ser nada, pois sei que a madrugada acaba, quando a lua se põe
A estrela que eu escolhi não cumpriu com meu pedido e hoje não a encontrei

Quantos desejos desesperados eu já não fiz para as estrelas? Dezenas e dezenas, incontáveis, cada um com a sua forma de expressão, cada um com as suas palavras, mas todos eles com o mesmo significado... Demorou sim, mas finalmente as estrelas cumpriram com o meu pedido e hoje há uma que brilhará eternamente por esse desejo realizado.

Pois caiu no mar, e se apagou
Se souber nadar, faça-me o favor

Nem mesmo o mar pode apagar a força desse sentimento que existia muito tempo antes dessa vida que vivo hoje. Um dia pode ter sido enterrado sob ele, mas o mar agora nada mais foi do que combustível para alimentar ainda mais esse fogo incrível que se chama amor.

O milagre que esperei nunca me aconteceu
Quem sabe é só você
Pra trazer o que já é meu

Há quatro meses eu cantava essas palavras com o real significado delas, mas sem saber a quem dirigir os dois últimos versos. Quando te conheci, esse era o pedido mudo do meu coração a cada vez que meus olhos encontravam os seus.
O milagre que esperei, finalmente me aconteceu.

Brilha onde estiver
Faz da lágrima o sangue que nos deixa de pé

Onde quer que você vá meu coração sempre vai bater apenas por você, mantendo-se constante apenas enquanto o seu se mantiver. Cada lágrima de saudade, de amor, de dor que já foi derramada e um dia será, apenas servirá para mantermos de pé, fortes e juntos. Água salgada, assim como o mar, que fará a nossa Lua, as nossas estrelas, brilharem cada vez mais forte dentro de nossos corações.

s2



continuação

Ao redor, o silêncio era absoluto.
A respiração ofegante de Isabela cortava o ar rapidamente. O ar parecia se embolar no peito, sem querer chegar aos pulmões. Ela começava a sentir falta de ar, ainda assim, o medo não havia dominado a vontade de explorar a casa.
Quantas vezes não desejara entrar ali? Que tesouros aquele lugar não podia esconder?
Aos poucos seus olhos se acostumaram à pouca luz que entrava pela janelas altas e estreitas que havia na sala.
Ela ficou parada um bom tempo no lugar onde aquele último passo a levara. Tal lugar, porém, não era aquele que ela vira antes de dá-lo.
A sala era alta, com um lustre de cristais pendendo empoeirado do teto, e ampla também. Vários sofás mofados e com o estofamento rasgado se espalhavam pelos cantos, desarrumados. O tapete que ficava no centro estava puído e com buracos em alguns lugares que pareciam ter sido abertos por fogo. Logo à sua frente havia uma das janelas altas. Por ela, Isabela via o terreno do outro lado da casa. “Que estranho” pensou ela, “Do lado de fora o terreno parece ser bem menor”. Ela não percebeu, porém, a escuridão que avançava a partir do horizonte. Talvez naquele momento ela tivesse parado apenas para que Isabela ainda não desconfiasse de nada. Depois de poucos segundos, ela desviou os olhos da janela.
Começou a andar pela sala lentamente, seus passos abafados pela grossa camada de poeira que cobria o chão.
Talvez não fosse melhor, pois não havia como algo ser melhor ou pior naquela casa, mas as crianças poderiam olhar para trás pelo menos uma vez quando entram nos lugares.
Se ela tivesse feito isso veria que, assim como o portão, o umbral desaparecera.
Onde antes havia uma porta, depois apenas um espaço vazio, agora encontrava-se uma sólida parede.
Isabela nada viu.
Sua atenção estava voltada para as coisas ao seu redor.
Chegou lentamente perto de um dos sofás. Ele um dia fora claro, mas agora estava com as almofadas rasgadas por coisas que, se ela não fosse tão inocente, perceberia que pareciam imensas garras e que aquela enorme mancha escura no meio parecia terrivelmente com sangue. Mais uma vez a garota nada viu.
Desviou sua atenção para uma sombra que aparecera no canto de sua visão. Virou rapidamente a cabeça, mas não havia nada ali, apenas a escada que subia junto à parede oposta à porta inexistente.
Se encaminhou para lá sem saber quando havia tido vontade de fazer isso.
Ao chegar à escada, o corrimão chamou sua atenção. Algumas partes dele haviam perdido lascas de madeira em marcas que formavam linhas retas. O corrimão era largo e em alguns lugares quatro dessas marcas corriam por ele paralelamente por um bom pedaço. Sem entender o porquê, Isabela se lembrou do dia em que uma amiga sua arranhou seu braço, deixando marcas vermelhas em sua pele, em vez de brancas como aquelas.
Deixou as estranhas marcas para trás sem ligar um fato ao outro, passando despercebida por um pequeno pedaço meio branco de algo encravado na madeira.
Continuou subindo a escada, dessa vez olhando para os quadros que estavam na parede. Quando estava na sala ainda, seus olhos haviam passado por eles. Lembrava-se vagamente de ter visto pessoas ali. Agora todos estavam vazios. Mas mais que vazios, eles pareciam ser infinitos. O tecido negro de suas telas parecia abrir um buraco na parede de profundidade inestimável. Isabela ficou olhando para um dos quadros por muito tempo, seus olhos presos pela escuridão que parecia sugar tudo, inclusive a pouca luz ao redor.
Os cantos da sua visão pareciam estar escurecendo lentamente e ela parecia incapaz de piscar. Sentiu que dava um passo em direção ao quadro. Porque estava fazendo isso? Ela não queria andar! Não gostava daquele quadro. Ainda assim, deu mais um. Não! Gritou mentalmente, mas seu corpo já se inclinava para a parede, a mão estendendo-se para tocar a moldura.
De repente sentiu um arrepio muito forte percorrer todo o seu corpo, fazendo-a tremer. Piscou com força e o “encanto” do quadro se desfez. Sua visão estava normal novamente e ela se distanciou um passo.
Antes que pudesse voltar a subir as escadas, porém, viu fugazmente um leve brilho no fundo do quadro, tão fraco que pensou se realmente teria visto.
Uma rajada de vento muito forte saiu de dentro do quadro, acompanhada de um grito assustador de medo, terror e ódio.
A garota deu um pulo para trás, gritando também, enquanto era açoitada pela ventania, cobrindo os ouvidos para tentar se proteger do som que fazia seus ossos gelarem. Bateu com força no corrimão e ouviu este cedendo. O barulho da madeira rachando cortou o ar e fez com que ela se movesse.
Fechou os olhos e terminou de subir as escadas correndo. Tropeçou quando elas acabaram, mais ainda assim não parou de correr. Abriu os olhos, com medo de bater em alguma coisa, mas não ousou olhar para trás.
Agora não havia mais excitação. Apenas o medo, o pânico, o terror.
Seguiu correndo por corredores sem fim que viravam e faziam curvas, sem olhar para trás e perceber que os lugares por onde ela passava desapareciam assim que ela saía deles, envolvendo-se em trevas. Penetrava cada vez mais fundo nas entranhas da casa, no labirinto interminável de seu terror.
Finalmente ela não podia mais correr. Suas pernas doíam e seus pulmões mais ainda. Caiu pesadamente no chão, encostando-se a uma parede. Abraçou os joelhos com força ao redor do peito, tentando se proteger de algo que ela nem mesmo sabia o que era.
Tentava forçar o ar a entrar pelas narinas, mas era difícil. Não conseguia normalizar a respiração. Sentia que perdia lentamente a consciência, sua visão ficando turva e escura. Piscou fortemente, tentando se manter acordada, mas foi inútil. Seus olhos se fecharam pesadamente antes mesmo de sua cabeça tombar em direção ao chão.

8 de março de 2011

continuação

Mas agora ela precisava se aproximar mais do que aqueles três passos. Sua prova caiu dentro do terreno, pertinho do portão. Era só esticar o braço por entre as barras que ela a pegaria. Ficou alguns minutos ali, apenas olhando para a prova fixamente, tentando tomar coragem para andar enquanto sentia medo de uma nova rajada de vento fazer sua prova ir mais para dentro. Mas tinha um algo mais também. Um apelo no ar, quase como um pedido para que ela se aproximasse mais.
Deu uma olhada rápida para a casa e se decidiu. Que mal teria? Nenhum, nem entrar na casa ela ia.
Deu o primeiro passo, incerto, e parou. Respirou fundo e correu a distância final, se jogando rapidamente no chão e esticando o braço para a prova. Forçou o ombro contra as barras do portão, esticando o braço e os dedos ao máximo, o rosto colado no ferro extremamente frio, apesar do calor que fazia. Mas a prova estava milimetricamente fora do seu alcance. Seus dedos quase roçavam o papel, mas era incapaz de alcançá-lo. O suor escorria pelo seu rosto, tanto por causa da corrida quanto por causa do esforço de tentar resgatar a prova.
Depois de algum tempo desistiu, jogando-se no chão e olhando de cara feia para o pedaço de papel, logo depois dirigindo sua cara emburrada ao portão, que impedia que ela pegasse a prova. Como queria que ele se abrisse para que ela pudesse pegá-la!
Com um rangido inicial os portões se separaram lentamente, abrindo-se em seguida no mais completo silêncio.
Isabela ficou sentada no chão, paralisada, o coração martelando no peito, a respiração presa enquanto os portões terminavam de abrir como uma gigantesca boca que esperasse que ela a atravessasse para poder engoli-la.
A prova se agitava levemente no chão com uma nova brisa, indo lentamente cada vez mais para dentro do terreno. Era agora ou nunca. Levantou-se correndo e se atirou em cima da folha. Uma forte rajada de vento fez com que a terra entrasse em seus olhos. Ouviu o som da folha sendo levada para longe enquanto caía no chão, ralando as mãos e um joelho.
Esfregou os olhos freneticamente, tomada de um pânico irracional. Se não fosse pelo medo, perceberia que não era realmente irracional. Se tivesse prestado atenção à sua volta, perceberia que não mais ouvia os sons da rua, que o Sol não estava mais tão forte em sua pele e que também o ar não possuía mais o mesmo cheiro.
Lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto enquanto soluços sacudiram o peito. Não sabia pelo que chorava, apenas que chorava. Pelo menos assim ela pode limpar os olhos com mais facilidade.
Quando finalmente voltou a enxergar normalmente, olhou ao seu redor, ainda sentada no chão.
Não via sua prova em lugar algum, ainda que não estivesse mais pensando nela. À sua frente erguia-se imponente a casa abandonada. Ficou olhando para ela por vários minutos, como que hipnotizada. Ainda em meio a todo o pânico (que ela não entendia porque existia, afinal, era só dar as costas e sair novamente pelo portão) a casa a fascinava. Não entendia também o porquê, mas a tentação de entrar era grande.
Levantou-se, ainda olhando fixamente para a porta, o medo dando lugar a uma sensação estranha de acolhimento. Na verdade, olhava para o umbral da porta, pois porta não havia mais ali, ainda que esse fato tenha passado despercebido para a mente da inocente criança.
Se ela tivesse olhado para trás antes de entrar, perceberia mais cedo, talvez, que havia motivo para pânico.
O portão simplesmente desaparecera, não estava mais lá, a apenas um metro de onde Isabela estivera caída. Atrás dela estendia-se, sem fim, aquele jardim feio e mal-cuidado para todos os lados. Bem ao longe, quando os olhos quase não conseguiam mais enxergar, não se via o horizonte. Este se perdia em trevas que consumiam lentamente a claridade do céu que antes não possuía uma única nuvem. Agora, turvava-se de tons de cinza chumbo e melancólico, e até mesmo essa pouca cor triste perdia-se na escuridão que avançava por todos os lados em direção à casa. Na verdade, parecia mais que a própria casa chamava a escuridão para si, de tão determinada que tal avançava.
Mas a pequena Isabela não percebeu nada disso. Seus olhos fixavam-se apenas no vão escuro do umbral, sua imaginação criando fantasias estimuladas pela própria casa que a atraía cada vez mais irresistivelmente, ainda que não fosse tão necessário: não havia mais volta, não havia mais para onde voltar.
Por fim, a pequena garota parou na soleira da porta, tentando enxergar algo na escuridão penetrante do interior, o coração retumbando dolorosamente de medo e excitação. Mesmo assim não conseguiu se impedir de dar o passo que atravessou a porta.

7 de março de 2011

Uma pequena nova História.

Passava um pouco do meio dia de uma tarde tranqüila em uma pequena cidade de algum lugar por aí. Fazia calor e o vento quente soprava pelas ruas ainda vazias. Em mais alguns minutos, tocaria o sinal da escola e elas se encheriam de alunos, crianças e adolescentes, no caminho para casa.
Não havia uma única nuvem no céu azul, com o Sol a pino. Uma bela tarde para se passar em uma piscina, não estudando.
O calor se desprendia em ondas do asfalto aquecido o suficiente para se fritar um ovo tranquilamente, quando um som estridente cortou os ares ao redor de um pequeno prédio. Em seguida, veio um barulho tão alto que parecia uma manada estourando. Pés golpeavam ferozmente o chão na ânsia de saírem para o ar livre. Em mais alguns segundos a primeira criança atingiu o exterior. Em outro segundo as ruas se encheram da algazarra de dezenas de vozes que conversavam e gritavam, riam e se despediam.
A multidão engrossou na porta da escola, pois os alunos esperavam os amigos e irmãos de outras salas para poderem ir para casa. Como eu disse, era uma cidade pequena, tranqüila, os pais não iam buscar os filhos na escola, não havia perigo.
Cerca de quinze minutos depois, a agitação já estava espalhada pelas ruas ao redor da escola, apenas algumas poucas crianças permaneciam perto do portão. Uma delas era a pequena Isabela.
Seus cabelos negros eram completamente lisos e tão brilhantes que quase se podiam usar como um espelho. Tinha apenas nove anos e era ligeiramente pequena para a idade. Seu rosto, porém, era belo, com lindos olhos verdes cor de topázio, redondos, um nariz pequeno e reto com várias sardas espalhadas por ele e por suas bochechas cheias. Quando sorria, duas lindas covinhas apareciam de cada lado. Era uma garota encantadora.
Isabela não era tão extrovertida e bagunceira quanto seus amigos e sempre era uma das últimas a sair da escola. Mas isso acontecia principalmente porque era pequena e tinha medo de se machucar sendo forçada a correr entre os garotos atrapalhados.
Neste dia ela ia ainda mais devagar. Tinha recebido a correção de uma prova e admirava sua nota: 10. Estava feliz e orgulhosa, ansiosa por mostrar à sua mãe. Ainda assim, ia devagar, relendo a prova. Sim, Isabela era uma garota muito estudiosa também.
Saiu para o Sol escaldante e apertou os olhos quando a luz cegou-os. Sua pele branca desprotegida nos braços e pernas ardeu com o contato e ela parou um pouco, olhando ao redor. Suas amigas sempre iam embora rápido, até porque nenhuma delas morava na mesma direção que Isabela. Na verdade, ninguém morava naquela direção.
Isabela era filha única, órfã de pai, e morava em uma casa humilde quase fora da cidade com sua mãe, que trabalhava o dia inteiro fora de casa, o que significava que Isabela sempre ficava sozinha, todos os dias, então não havia motivo para voltar rápido. Até porque ela gostava de apreciar a paisagem da cidade e dos arredores. Muitos morros e matas se estendiam para todos os lados ao redor da cidade e sua casa ficava em um deles, então ela tinha uma visão privilegiada no caminho de volta.
Na cidade também havia coisas bonitas. Uma casa em especial que ficava perto da escola, sempre chamava a sua atenção.
Naquele dia, porém, ela não prestava atenção no caminho, meditava na forma de mostrar a prova à sua mãe, que sempre incentivava seus estudos e ficava feliz quando ela tirava boas notas.
A prova ainda estava em sua mão quando ela parou para atravessar a rua. Olhou para os lados e viu um caminhão se aproximando em alta velocidade. Continuou na calçada e esperou o caminhão passar. Logo depois que ele passou, uma rajada de vento muito forte, causada por ele, atingiu-a, levantando muita poeira do chão (algumas ruas eram de terra, então as partes que tinham asfalto geralmente ficavam sujas também). Ela fechou os olhos e protegeu o rosto com as mãos. Com este gesto acabou soltando sua prova, que voou pelos ares, carregada pelo vento.
Ao perceber que a tinha perdido, abriu os olhos, ainda em meio à nuvem de pó. Tossiu quando respirou e muita terra entrou em seus olhos, impossibilitando-a de enxergar. Resolveu esperar a poeira abaixar, o coração batendo forte na calçada, com medo de perder a folha. Pouco mais de um minuto depois, arriscou abrir os olhos novamente. O ar já estava limpo.
Procurou rapidamente sua folha ao redor. Estava lá, no meio da rua, toda suja. Olhou para os dois lados novamente, mas não vinha mais nenhum carro. Saiu correndo atrás da folha, mas antes que chegasse muito perto, uma nova rajada de vento levantou-a.
Isabela correu atrás da prova levada pelo vento por quase um quarteirão, sem nem notar onde estava, até que a viu entrando através do portão de uma casa. Ela parou há uns três passos dele. Só nessa hora teve ideia de onde estava.
Na cidade também havia algumas coisas interessantes para se ver, e essa casa era uma delas.
Seus portões de ferro com três metros de altura e folhas duplas cerravam, junto com um muro tão alto quanto, uma grande propriedade que, outrora, fora bela e imponente. Hoje o mato estava alto e irregular no jardim, havia uma árvore morta a um canto.
No centro do terreno, no alto de uma pequena elevação, erguia-se, imponente, apesar dos visíveis danos à pintura e algumas janelas quebradas, uma grande casa senhorial de três andares, dezenas de janelas e uma porta dupla no meio. No alto, perto do telhado, uma clarabóia permanecia aberta a anos, tantos quantos aquela casa estava abandonada, o que ninguém sabia dizer com certeza.
Ninguém na cidade se lembrava de um dia ter visto aquela casa habitada. Até mesmo os moradores mais antigos da cidade contam que seus pais e os pais de seus pais sempre viram aquela casa do jeito que era: vazia, abandonada.
Ninguém se aventurava a entrar lá. As pessoas tinham medo, até mesmo à luz do dia. Não sabiam dizer o que era, mas apenas de chegar perto daquele portão sentiam um aperto no peito, um gelo no coração, uma sensação de que não se devia entrar.
Alguns já haviam tentado, é claro. Garotos pagando apostas e coisas assim, mas também a prefeitura que, mais de uma vez, tentara demoli-la. Nenhum deles nunca havia passado do portão.
Este parecia feito de ferro maciço e não apresentava grandes sinais de corrosão, apenas descasamentos na pintura. Os garotos tentavam pular os muros que eram forrados de trepadeiras, as quais usavam para escalar. Só que eles não conseguiam chegar ao alto. Na metade do caminho, na maioria das vezes, as trepadeiras nas quais se seguravam acabavam se soltando e eles caíam. Eles tentaram subir até que um dia um garoto quase conseguiu, chegando a segurar no topo do muro, mas inexplicavelmente, ele acabou escorregando e caiu os três metros direto para o chão, o que causou uma fratura exposta na sua perna. Eles não tentaram mais.
A prefeitura tentou arrombar o portão, mas mesmo depois de uma hora com um maçarico, não conseguiram sequer esquentá-lo direito.
Deixaram a casa de lado, dizendo que era amaldiçoada. Ninguém passava por aquela rua a pé se pudesse impedir, apenas uma pessoa: Isabela.
Ela não tinha medo da casa. Na verdade, não sabia exatamente se tinha ou não. O fato era que a casa a atraía de um modo diferente, assustador, mas ao mesmo tempo empolgante. Sempre tivera vontade de entrar ali, mas nunca chegara mais perto do que aqueles três passos do portão. Alguma coisa, dentro dela, dizia que três passos era uma distância segura a se manter, ainda que ela não soubesse do que precisasse ter segurança. A casa não parecia amaldiçoada para ela, apenas abandonada.

6 de março de 2011

Um outro dia cinco e este está acompanhado por um quatro, mas o quatro, hoje, não é o número mais importante. Até mesmo o tal dezessete tem menos importâcia: é apenas um número. Outros números se seguirão à esse mostrando apenas a passagem do tempo, pois o que importa não é ter ou não dezesseis ou dezesste anos, mas sim o que há por trás disso: a pessoa na qual você se transformou, pessoa essa que conquistou meu coração eternamente e teria feito o mesmo se tivesse quatorze ou vinte anos.

O que realmente importa é o cinco.

Não apenas o cinco, pois esse número por si só não teria significado nenhum se algo não houvesse acontecido nele. O dia cinco de março de dois mil e onze não seria nada além de um dia se a dezesste anos você não tivesse nascido, transformando uma simples data em um acontecimento que mudou tantas vidas.

Não acredita nisso?

Se a dezessete anos você não tivesse nascido, hoje eu não estaria onde estou, não estaria namorando e muito menos estaria feliz. Os últimos quatro meses e meio teriam sido apenas outros quatro meses e meio, não os melhores de toda a minha vida!

Se não fosse o seu nascimento, hoje talvez eu não acreditasse no amor, hoje com certeza eu ainda estaria sofrendo, a Lua não teria ganhado dois amantes que compartilham um dos mais verdadeiros amores, eu não teria beijado ao som romântico de Mamonas Assassinas, não teria visto um guarda chamar uma garota de dezesseis anos de moça, não teria atravessado uma avenida rolando e nem feito uma aula de natação em plena rua. E isso nem chega perto de tudo que eu não teria feito se você não tivesse nascido e está mais longe do quanto você já mudou e fez parte da vida de todos que te conhecem.

Maravilhoso foi o dia em que eles lá em cima decidiram que você devia voltar para cá. Provavelmente eles sabiam que nesse dia também permitiram que eu renascesse nessa vida.

Ainda que algumas pessoas tenham coisas a reclamar, tenho certeza que se somássemos à elas tudo oq eu você trouxe de bom, o saldo nunca seria negativo.

Afinal, é para isso que estamos aqui não é? Para aprendermos a sermos felizes, e você, mais do que qualquer pessoa me mostrou que podemos sim sermos felizes, basta encontrarmos a pessoa certa para isso, e eu encontrei essa pessoa.

Você.

Eu te amo mais do que à minha própria vida.

3 de março de 2011

Odeio quando sento na frente do computador e não consigo produzir nada. Nada não, não consigo produzir aquilo que quero produzir.

Minha mente, quando se foca em algo, acaba pensando naquilo a todo instante, até mesmo quando não estou executando aquilo que penso.

Agora, por exemplo, eu queria estar escrevendo um texto sobre alguma coisa, mas não dá! Tive uma ideia a pouco tempo e comecei um novo livro (é a terceira história diferente que começo a escrever e vou terminar todas ;D) e agora só consigo pensar nele. Tenho certeza que se eu tentar voltar a escrevê-lo agora, vai sair com certa tranqüilidade, mas um simples texto sobre um tema mundano eu não consigo escrever!

Como é complicada a mente humana. E como são diferentes as mentes por ai!

Enquanto uma, quando coloca algo na cabeça, não consegue parar de pensar naquilo, há outras que se desligam tão facilmente de assuntos difíceis que torna as pessoas possuidoras delas até mesmo ingênuas.

Há outras que nunca se decidem de nada, algumas, quando pensam em um assunto ou acontecimento, analisam tantas variáveis quanto um computador (a minha se encaixa também nessa descrição, o que às vezes é simplesmente muito chato e cansativo).

Quando minha criatividade resolve se voltar para algo, ela simplesmente abandona todos os outros assuntos nos quais eu pensar. É como se ela gritasse: escreva aquilo, não isso, porque não é sobre isso que quero falar agora.

E eu sou simplesmente obrigado a obedecer, pois é dela que dependo para escrever sobre qualquer coisa. Todos dependem de suas próprias.

Até que não seria um problema, mas é porque eu odeio não conseguir fazer as coisas que quero, ainda mais quando só dependem de mim, naquela hora que eu quero, então eu acabo ficando irritado e agitado e tais coisas só vão passar se eu desistir de escrever ou, no caso da agitação, se eu escrever sobre o foco da minha criatividade.

Bem, foi só até aqui que ela me permitiu escrever agora.

Prometo que postarei mais textos, tenho andado meio em falta aqui!

Abraços!

;D

28 de fevereiro de 2011

Mera ilusão


 Em alguns momentos das nossas vidas nós sempre vamos parar e pensar: será que o que estou fazendo é o certo?
Pode ser que você nunca tenha passado por isso, mas pode ter certeza que um dia passará. Eu já passei por isso algumas vezes em várias situações e essa dúvida, pode acreditar, é cruel.
Como ter certeza de que o caminho que está sendo tomado é realmente aquele que devemos tomar? Não há como.
Sempre teremos que arriscar, na maioria das vezes, jogando no escuro, apostando em suposições e incertezas, em convicções, em ideais, em esperanças. Quando estamos falando de coisas materiais como um emprego, uma faculdade, comprar algo ou qualquer coisa do tipo, é fácil saber, depois, se tomamos a atitude certa, pois ficaremos desgostosos com aquela escolha, veremos que não era exatamente o que queríamos, tal coisa pode não dar certo do jeito que imaginávamos etc.
Mas e quando essas escolhas, essas maneiras de se conduzir, envolvem outras pessoas? Envolvem sentimentos, relacionamentos? É muito mais difícil.
Quantas vezes já não me questionei: será que estou tão errado assim? Geralmente quem erra não vê seu erro com tanta facilidade, mas pode ter certeza que muito tempo já foi gasto refletindo sobre. Total inocência? Nunca, ser hipócrita não ajuda em nada. Mas e se a outra pessoa acreditar que ela está totalmente certa? Se ela repetir e repetir sempre que você está errado? Mas há um contraponto. Apenas ela e mais uma acreditam realmente que todo o erro consiste em alguém de fora deles dois. Todo o resto não vê as coisas dessa maneira.
Mas há um contraponto do contraponto. Eles não vivenciam, apenas ouvem. Como podemos dizer que não passamos apenas aquilo que queremos passar ainda que tentemos passar a realidade, ou aquilo que enxergamos dela?
Às vezes penso que o melhor a fazer é se conformar e aceitar que não vai mudar. Às vezes penso que devo fazer mudar. Mas se apenas um dos lados admitir que está errado enquanto o outro continua fielmente pensando que está certo, nada nunca vai se acertar.
O que se deve fazer então? Primeiramente, a nossa parte, que é o que podemos “comandar”. O que está fora de nosso controle... bem, não podemos fazer nada não é?
Orgulho, vaidade, medo de assumir os erros... grandes erros da humanidade. Mas o pior talvez seja a ilusão que uma pessoa pode fazer de si acreditando que ela não erra nunca.
Como alguém nesse mundo pode acreditar que todos os erros consistem nos outros? Pode ter a coragem de falar que é culpa dos outros a vida que está levando?
É difícil de acreditar, ainda mais quando tal pessoa tem acesso à informação, acesso a saber que as coisas não são do jeito que acha que são.
Bem, talvez coisas assim não se resolvam em períodos tão curtos de tempo quanto o é apenas uma vida, ainda mais quando não sabemos o que foi feito nas que se passaram...
O jeito é continuar tentando.

25 de fevereiro de 2011





Entre o Sim e o Não, opte pelo Foda-se




Quem ama não desiste, não trai, não mente. Quem ama é paciente, confia, entende. Amar é virtude que poucos têm.


A vantagem de brincar com o fogo é que se aprende a não se queimar.


Oscar Wilde


http://fuckword.tumblr.com/

 
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