10 de fevereiro de 2012

Resenha: A Batalha do Apocalipse

Título: A Batalha do Apocalipse – Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo
Autor: Eduardo Spohr
Editora: Verus
Páginas: 586
Skoob: Livro

Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.

Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedon, o embate final entre o Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo.

Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heróicas, magia, romance e suspense.

A primeira impressão que este livro me passou, da primeira vez que o vi, alguns anos atrás, não posso precisar se muitos ou poucos, foi que ele seria uma tentativa de junção da visão católica do mundo ao universo de fantasia. O primeiro pensamento foi que esses dois pontos não se ligam tão bem assim, por isso não comprei o livro. A história deveria ser chata e cheio de misticismos, dogmas e leis que acho um tanto absurdas. Nos últimos tempos, porém, tomei curiosidade por lê-lo, graças às críticas positivas e também ao sucesso do livro, já que seu autor, Eduardo Spohr, publicou seu segundo livro (o qual eu também pretendo ler).

A história de “A Batalha do Apocalipse” gira em torno de Ablon, um anjo renegado, expulso do céu pelo arcanjo Miguel por incitar uma rebelião contra a autoridade e tirania dos arcanjos, seremos supremos criados por Deus que foram deixados no comando da Terra após o findar do sexto dia da criação, início do sétimo, quando Deus adormeceu após dar a vida aos homens. Era tarefa dos arcanjos que reinassem e servissem aos homens com sabedoria, preservando o trabalho de Deus, até que o sétimo dia terminasse e Deus despertasse para julgar a todos, após o Apocalipse.

Os arcanjos não fizeram isso, mas sim instalaram um reinado de massacres sobre a espécie humana por pura inveja. Afinal, Deus havia concedido a alma e o livre-arbítrio aos homens, os anjos e arcanjos não possuíam nenhum dos dois.

Em alguns momentos da história, a narrativa se torna um tanto cansativa por causa da grande quantidade de informações. Afinal, além de contar o “tempo presente”, em vários momentos ela conta sobre o passado de Ablon com a Feiticeira de En-Dor, Shamira, outra personagem principal do livro.

Em um primeiro momento, pode-se pensar (eu pensei) que essas histórias do passado são apenas páginas para preencher o livro, para deixá-lo maior, já que não interferem realmente de forma direta no tempo presente, mas então as coisas vão se explicando e ficando mais claras, e então percebemos nessas histórias os motivos para as coisas acontecerem depois, conhecemos peças fundamentais do passado de ambas as personagens e assim a história fica ainda mais rica.

O fato de Spohr ter ligado sua história á história real do nosso planeta conta apenas pontos a mais para o seu livro. Ele une ambas as “narrativas” de forma muito eficiente, explicando acontecimentos e guerras do passado do ponto de vista que os humanos não poderiam conhecer, já que muitas das catástrofes foram arquitetadas pelos arcanjos e postas em prática pelos anjos.

Mesmo assumindo o caráter católico de visão do mundo, ele faz significativas mudanças com explicações lógicas bastante convincentes, que me fizeram continuar grudado às suas páginas ao invés de fechar o livro e colocá-lo de lado.

Resumindo, o livro é exatamente o que está escrito na capa da edição que possuo. “Não há, na literatura brasileira conhecida, um livro que se pareça com a Batalha do Apocalipse”. (Ou pelo menos são essas palavras que me lembro de estarem escritas lá).

Leiam, é uma leitura relaxante e emocionante em alguns pontos, ótima para nos desligarmos da nossa realidade e adentrarmos em uma paralela que parece demais com a real, mas, é claro, com seus muitos toques de fantástico. Afinal, o Apocalipse não é algo impossível de acontecer. Lá, fomos nós, os humanos, que o provocamos.

2 de fevereiro de 2012

Conto "A Casa das Almas"

Olá a todos! Peço desculpa pela escassez de textos, mas, como expliquei no post anterior, estou trabalhando nos livros da minha série, "Herdeiros da Luz". Quando a inspiração vem, não podemos deixá-la de lado, não é?
O terceiro volume da série, o segundo da trilogia principal, está passando de sua metade, e já está quase na marca de duzentas páginas do Word, o que dá um número muito maior em um "tamanho de livro".
Vim aqui, na verdade, para contar uma novidade.
Um conto de terror, escrito por mim, "A Casa das Almas", será publicado no livro de contos "Caminhos do Medo II", da editora Andross! O lançamento do livro está previsto para junho deste ano, então, fiquem atentos! Assim que for sair, trago notícias dele aqui.

Abraços!

24 de janeiro de 2012

Nota do autor


Olá, queridos leitores!

Venho falar um pouco sobre a minha série de livros.

A série “Herdeiros da Luz” contará com uma trilogia principal, cronológica, da qual o livro “Herdeiros da Luz – O Início da Guerra das Sombras” é o primeiro volume, e também com dois livros complementares.

Dragões – A Origem dos Herdeiros da Luz não é a continuação d’O Início da Guerra das Sombras, mas sim uma prequela (conta fatos que aconteceram antes da história principal) de toda a história, contando o que aconteceu antes do livro anteriormente publicado, como realmente a Guerra das Sombras se iniciou, de onde os Dragões surgiram na Terra. Não fala, porém, o objetivo deles. Isto, é claro, só será contado no final de toda a série.

Agora, vire esta página e mergulhe no fascinante universo dos “Herdeiros da Luz”, onde a imaginação dita o que é a realidade.

O primeiro livro, “O Início da Guerra das Sombras” já foi publicado. O Segundo “Dragões – A Origem dos Herdeiros da Luz”, que é uma das prequelas, está em processo de avaliação, o segundo livro da trilogia, terceiro da série, está em processo de produção, temporariamente paralisado, enquanto o quarto da série, a segunda prequela, está no início de seu processo de criação. Por isso, peço que me perdoem caso os textos comecem a ficar um pouco mais escassos aqui, pois o livro me tomará muito tempo. Tentarei, contudo, suprir a demanda de textos do blog.

Abraços!

A breve segunda vida de Bree Tanner

Título: A Breve segunda vida de Bree Tanner
Autor: Stephenie Meyer
Editora: Intrínseca
Páginas: 190
Skoob: Livro

Pela primeira vez Stephenie Meyer oferece aos fãs uma nova perspectiva do universo de "Crepúsculo". Na voz de Bree Tanner, uma jovem vampira integrante do violento exército de recém-criados que assola a cidade de Seattle no terceiro volume da série, "Eclipse", somos apresentados ao lado sombrio da saga. Bree vive nas trevas, sedenta por sangue. Não conhece sua verdadeira natureza e não pode confiar nos de sua espécie. Sua breve história acompanha a semana que antecede o confronto definitivo entre os recém-criados e os Cullen - a última semana de sua existência.

Percebe-se a forma de escrita de Meyer nas páginas desse livro tão claramente quanto nos da série Crepúsculo. Muitos dizem que Meyer não é uma grande escritora, que fez uma série explorando medos adolescentes e tudo o mais, e por isso fez sucesso entre eles, comparam-na a J. K. Rowling e falam que nem chega perto. Eu discordo completamente, ou quase. Realmente ela não chega muito perto de Rowling, que criou um universo totalmente novo que cativou crianças, jovens, adultos e idosos em todo o mundo e se bobear em outros também. Mas aí falar que ela não sabe escrever, já é demais.

Sou um fã da saga Crepúsculo e já li quatro vezes cada livro, pois sou da filosofia de que quanto mais você relê um livro, mais entende da história e mais fascinante ela fica.

A breve segunda vida de Bree Tanner conta a história de Bree, uma vampira recém-criada que, do ponto de vista da Bella, não vive mais que cinco minutos, como a Stephenie fala no prefácio do livro. Para a história de Bella e Edward, a vida de Bree Tanner não é nada importante. Porém, através deste pequeno livro conhecemos um pouco do verdadeiro universo de um recém-criado, e ainda mais de um exército de recém-criados, que são apenas mencionados quando Jasper conta sua história à Bella.

Ao correr da história, acabei me afeiçoando à Bree e desejando que ela tivesse um fim diferente, que não envolvesse sua morte.

Este livro nos mostra o planejamento de Victoria para tentar chegar até Bella e matá-la, e diz também por que Bree simplesmente se rendeu aos Cullen. Na verdade, nem lutar ela queria, mas foi forçada a isso.

É um livro pequeno, gerando uma resenha pequena, mas isso não quer dizer que ele não seja interessante. Talvez não acrescente nada para a história, mas, ainda assim, vale a pena como uma leitura desestressante e rápida.

23 de janeiro de 2012

Resenha: Os Filhos de Húrin

Título: Os Filhos de Húrin
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: WMF Martins Fontes
Páginas: 336
Skoob: Livro

Num tempo muito remoto, muito, muito antes dos tempos de “O Senhor dos Anéis”, um grande país estendia-se para além dos Portos Cinzentos a Ocidente: terras por onde outrora caminhou Barbarvore, mas que foram inundadas no grande cataclismo com que findou a Primeira Era do Mundo.
Nesse tempo remoto, Morgoth habitava a vasta fortaleza de Angband, o Inferno de Ferro, no Norte; e a tragédia de Túrin e a sua irmã Niënor desenrola-se sob a sombra do medo de Angband e a guerra forjada por Morgoth contra as terras e cidades secretas dos Elfos.
 

Para mim, não importa o que as pessoas digam, Tolkien é um gênio fantástico e, por mais que muitos digam que não, melhor que George R. R. Martin.

Afinal, o Tolkien não escreveu apenas uma série de sucesso. Ele escreveu um mundo, um universo inteiro.

A saga de O Senhor dos Anéis se passa na Terceira Era da Terra-Média, milhares de anos depois de o mundo ter sido criado pelos Valar (para saber mais sobre os Valar e a criação da Terra-Média, leia O Silmarillion, de Tolkien), e é apenas o fim da história que ele escreveu. Antes disso há um mundo inteiro de histórias.

Os Filhos de Húrin, conta exatamente a história de seu título, a dos filhos de Húrin. Húrin foi um descendente de Beren, o maior e mais poderoso homem que passou pela Terra-Média. Beren se casou com uma elfa, Lúthien, e desafiou Morgoth, por isso ficou tão conhecido. Sua história é contada em O Silmarillion.

Húrin, sendo descendente de Beren, nada menos poderia ser do que um grande homem, que também desafiou Morgoth, que, na verdade, é Melkor, o primeiro e mais poderoso dos Valar, os seres que criaram o mundo.

Húrin acaba sendo aprisionado por Morgoth, que lança uma maldição sobre a sua família, dizendo que a sua sombra pairará sempre em cima deles, levando-os a tristeza e a maus caminhos.

A casa de Húrin então se desfaz sob o ataque de Morgoth sobre a Terra-Média, o que força Túrin, seu filho mais velho, a abandonar sua mãe e irmã, que, com o tempo, acabam tendo que sair de suas terras também.

Túrin se torna um grande homem, digno de sua descendência, um grande senhor e guerreiro, mas a má sorte está sempre acompanhando-o em suas decisões, que, por mais que sejam bem intencionadas, acabam trazendo o mal para aqueles que o cercam, inclusive para sua irmã, Nienor, a qual acaba reencontrando após muitos anos.

Neste livro o estilo clássico de Tolkien está, é óbvio, presente em cada linha, com sua forma detalhista de descrever tudo, mas apenas aquilo que é mais necessário, ainda que isso já seja muita coisa.

Confesso que quando fui começar, tive medo de que fosse como Contos Inacabados, uma leitura cansativa e sem ritmo, mas me surpreendi com o conto, como dizem, mais sombrio de Tolkien. No fundo, não há felicidade na história dos filhos de Húrin. É uma história triste, mas que nos apresenta novos fatos sobre a fantástica história da Terra-Média.

Para os que apenas assistiram aos filmes ou simplesmente “gostaram” dos livros d’O Senhor dos Anéis, acredito que esta história não seja muito relevante.

Àqueles que são fãs dos livros de Tolkien, historiadores fascinados pela Terra-Média, não apenas por O Senhor dos Anéis, recomendo este livro como uma ótima e construtiva leitura.

O direito de censurar


Nos últimos dias um assunto muito polêmico e de extrema importância tem sido debatido no mundo todo, e o debate mais importante se passa na nação mais arrogante do planeta: os EUA.

SOPA: Stop Online Piracy Act. Em tradução livre: Lei de Combate à Pirataria Online.

O nome parece bonito, uma lei defensora dos direitos de artistas e intelectuais que têm seus trabalhos protegidos por direitos autorais e os divulgam pelo mundo como sua forma de trabalho. O nome da lei só não diz o que há entre suas páginas (e por trás dela).

No fundo de tudo, esta lei concerne em uma coisa: censura.

Querem censurar a internet.

Ok, se os trabalhos estão protegidos por direitos autorais, legalmente, eles não podem ser veiculados sem a permissão de quem detêm os direitos. Empresas que apóiam esta lei são gravadoras e coisas do tipo, entre outros, que dizem perder milhões de dólares para a pirataria na internet. Vamos falar seriamente: empresas como a Universal Music Group precisam mesmo de mais dinheiro?

Como tudo na porcaria deste mundo, essa lei também visa o dinheiro, a merda do dinheiro. Quantas pessoas neste mundo não matariam as próprias mães se fossem pagos para isso? E ainda mais em troca de uma soma de milhões.

Ok, pirataria é crime, sabemos disso, mas cobrar oitenta reais por um cd original numa loja é completamente ético, não é? Fora da lei não podemos dizer que é, pois eles podem cobrar o que quiserem pelos produtos deles, mas, ainda assim, é um assalto aos nossos bolsos. Eu, sinceramente, não pago isso. Os únicos cds originais que possuo são da minha banda preferida, de resto, é baixado da internet mesmo.

Mas será que isso é tão ruim mesmo, essa disseminação das músicas e filmes na internet?

Eu não acredito que seja. Um exemplo disso é a banda “O Teatro Mágico”, que ficou famosa no país inteiro sem nunca ter assinado com uma gravadora (e todas as brasileiras já fizeram propostas). Eles disponibilizam suas músicas para serem baixadas gratuitamente no site deles e ainda vendem os cds a dez reais (cerca de oitenta por cento mais barato que os lançamentos em lojas). E detalhe, eles vendem mesmo os cds deles, as pessoas compram, mesmo podendo baixar de graça todas as músicas.

Outro fato: porque será que artistas famosos, aqueles mesmos que, segundo a lei, teriam seus trabalhos protegidos por ela, apoiavam o maior site de compartilhamento de arquivos do mundo, o megaupload, que foi tirado do ar na semana passada e teve seus donos presos?

Sabe porquê? Porque quem realmente ganha dinheiro com toda essa roubalheira são as gravadoras, que faturam milhões a mais que qualquer artista. Para os artistas sérios, o que eles querem é divulgar o trabalho deles, e quer forma melhor de divulgar do que a internet?

A partir do momento em que músicas deixarem de ser compartilhadas na internet, acredito que as vendas de cds irão é diminuir, pois muitas pessoas baixam as músicas, vêem se gostam e só então compram o cd, para não gastarem pelo menos cinquenta reais em algo ruim. O povo não vai partir para as lojas por não poderem mais comprar, mas sim encontrar outras formas de conseguir as músicas. Se bobear, a pirataria fora da internet só vai aumentar.

Lamar Smith, principal defensor e criador da SOPA, disse: “é óbvio que precisamos de fazer uma nova aproximação de qual a melhor maneira de resolver o roubo dos ladrões estrangeiros que roubam e vendem material e invenções americanas”.

Mais uma vez, a super conhecida prepotência norte-americana.

Se esta lei realmente entrar em vigor, veremos uma nova era na internet. Aquele lugar onde você podia encontrar tudo o que queria com alguns meros cliques? Ele não vai existir mais.  A SOPA é mais uma mostra de que os EUA realmente acreditam poder dominar o mundo e modificá-lo ao seu bel prazer. Felizmente essa lei só se aplicará aos EUA, ainda que a maioria dos sites bons estejam hospedados lá, o que prejudicará muito a internet. Por outro lado, tenho certeza que dezenas, centenas de outros sites começarão a aparecer no mundo todo para suprir a carência de informação que esta censura causará.

No fim, eles não vao conseguir o seu intento. O megaupload não mais compartilhará músicas e filmes na internet, mas outros sites no resto do mundo sim, e por mais que os mecanismos de busca sejam proibidos de veicular seus links, não tenho dúvidas de que eles se tornarão conhecidos.

Vamos dizer não à censura na internet! Toda censura é burra, toda privação de conhecimento é ignorante. A era que vivemos é a da informação e do conhecimento, não vamos permitir que percamos isso.

19 de janeiro de 2012

Resenha: As Crônicas de Gelo e Fogo – A Fúria dos Reis

Título: A Fúria dos Reis
Autor: George R. R. Martin
Série: As Crônicas de Gelo e Fogo
Editora: Leya
Páginas: 656
Skoob: Livro

Um cometa da cor do sangue e fogo atravessa o céu. E a partir da cidade antiga de Dragonstone às margens proibidas de Winterfell, reina o caos. Seis nações lutam pelo controle de uma terra dividida e pelo Trono de Ferro dos Sete Reinos, preparando-se para o embate através de tumulto, confusão e guerra. É um conto em que irmãos conspiram contra irmão e os mortos se levantam no meio da noite. Neste lugar uma princesa se disfarça como um garoto órfão, um cavaleiro espiritual prepara um veneno para uma feiticeira traidora, e homens selvagens descem das Montanhas da Lua para devastar o campo de batalha. Com um pano de fundo incesto, alquimia e assassinato, a vitória pode chegar aos homens e mulheres possuidores do aço mais frio… e corações mais gelados. Quando há um confronto entre reis, toda a terra treme.

A Fúria de Reis traz em suas páginas todo o esplendor prometido pela série “As Crônicas de Gelo e Fogo” e pelo primeiro volume desta. Sua narrativa intricada com personagens extremamente complexos nos revela traições, conspirações, mortes, magia e acontecimentos simplesmente inesperados. A guerra pelo Trono de Ferro dos Sete Reinos continua, e ainda mais sangrenta do que antes. Milhares morrem e batalhas ganhas são perdidas de formas muito bem trabalhadas. Estratégias de guerra brilhantes sobrepõem os números, assim como a traição.

Martin é realmente um gênio. Através da forma que escreveu seu livro, vemos os acontecimentos e história a partir da visão de muitas personagens. Quando acaba um capítulo, nos vemos desejando que a parte narrada por aquela personagem volte para podermos saber o que aconteceu com ela a seguir.

Na grande história da guerra pelo Trono de Ferro, dezenas de histórias paralelas se desenrolam, várias delas diretamente envolvidas com a guerra enquanto duas outras estão mais “à parte”, ainda que seus desfechos vão influenciar a tudo.

As criaturas fantásticas reveladas no fim do primeiro livro crescem, mas ainda não tomam um papel mais incisivo na história, deixando a sua magia e poder para o próximo volume, provavelmente, que será quando os dragões voltarão ao reino de Westeros.

Para além da Muralha, Jon Snow vê sua vida mudando completamente, até mesmo sua lealdade (ou, esta última, supostamente mudando).

A forma de escrita é tão detalhista quanto o do livro anterior, mantendo-nos presos às páginas. Porém, achei este livro bem mais parado que e houve partes que tive que me esforçar para continuar a ler, porque estavam realmente monótonas. Não cansativas, mas sem muita ação.

Pela forma que as coisas acontecem, é quase como se Martin misturasse a fantasia com o enredo de um romance policial, pois aquilo que ele nos induz a pensar num instante acaba se revelando totalmente diferente depois, sem contar as vezes em que ele coloca algo que nos faz imaginar que possa ser uma coisa, mas não nos dá a certeza, que só virá muitas páginas depois.

A cada página, novas criaturas fantásticas aparecem, novas magias surgem, novas reviravoltas acontecem.

Comparam esta série à d’O Senhor dos Anéis, mas são tão diferentes, tanto na escrita, quanto na história, que parecem até mesmo pertencer à gêneros diferentes. Uma coisa, porém, este livro tem em comum com o segundo volume da série de Tolkien, que é a história mais detalhada e parada d’As Duas Torres.

Em resumo, talvez o primeiro da série ganhe em alguns pontos, mas este livro não deixa de ser fantástico a cada nova página e termina com tanto suspense, com tantas coisas inacabadas e sem ideia de como podem acabar, que nos faz querer desesperadamente ler o terceiro.

17 de janeiro de 2012

Blog Parceiro - Zaakar.com


Caros leitores!

Venho apresentar o novo parceiro do blog “Brisas e Pensamentos”!
O nome dele é Rafael Santos Pereira e é dono do blog Zaakar.com, onde vocês vão encontrar muitas notícias do universo literário, resenhas de livros e também textos do próprio autor! Vale a pena conferir!

Abraços!

http://zaakarcom.blogspot.com


Uma rosa branca para o amor


Não sei quantas vezes já vim aqui falar sobre o amor. Não sei quantas vezes vim aqui falar sobre o meu amor.

Inúmeras, com certeza, e das mais variadas formas. Imagens, textos, livros, poemas, músicas... De todas as formas que consegui encontrar, me declarei.

O amor é o mais intenso dos sentimentos, o mais presente, o mais odiado, o maior causador de guerras, o mais declamado, dito, visto, desejado...

E também o mais incompreendido.

Amor de mãe, pai, filho, irmão, amigo, inimigo... Os tipos são variados, mas os verdadeiros são raramente encontrados.

O mais intenso, para mim, é o amor que nasce entre um homem e uma mulher.

Sinceramente falando, eu sou um grande amante deste tipo de amor. É um amor que faz nossos corações baterem mais forte, com mais intensidade, nos dá um sentido na vida, nos faz desejar e sonhar. Afinal, o amor entre irmãos não te faz querer constituir uma família, querer construir algo bom para o seu futuro. O que nos faz seguir em frente, não desistir, batalhar, lutar até o fim, no meu caso, é o amor de uma mulher. E novamente no meu caso, de uma mulher bem específica.

Uma vez escrevi estas palavras, que mais tarde se transformaram em parte de uma canção.

“E se o seu coração parasse de bater,

Com os próprios punhos o forçaria a voltar a viver?

O quanto agüentaria correr se fosse preciso fazer?

A que profundezas chegaria pela sua própria existência?...

E se um dia ela chegasse a morrer?

Correria através da noite sem nunca se deixar vencer?

Voaria através da luz se fosse necessário fazer? 

Hoje, nada disso mudou.

Enfrentaria furacões, lutaria contra gigantes, me lançaria contra um exército inteiro com apenas uma espada e um escudo nas mãos, e em cada uma dessas batalhas, eu venceria dez vezes se fosse preciso, pois minhas armas, não importa se forem apenas meus próprios punhos contra um gigante ou uma espada contra um furacão, elas seriam sempre feitas do nosso amor, um amor verdadeiro, e nada pode ser mais forte do que o amor se as pessoas que o sentem estão dispostas a enfrentar o que for preciso por este sentimento.

Por que o amor é vida, e o amor dela é minha vida.

Por que ela foi a pessoa que me salvou de todas as formas que alguém pode ser salva, porque estas palavras You're here, there's nothing I fear”, são nada mais que a verdade. Enquanto ela estiver ao meu lado, não haverá nada que eu tema, a não ser perdê-la.

Hoje, tenho medo, mas não por que acredito que possa não a ter ao meu lado. Isso tenho certeza que vai acontecer, mais cedo ou mais tarde. O problema é apenas se for mais tarde.

A única coisa que pode ser feita é continuar lutando e lutando e lutando, sem desistir, sem se entregar, porque ela está ao meu lado, e é tudo o que eu preciso para vencer todas as batalhas que virão.

Uma balada de primavera – Sétima parte - A terceira Sinfonia


Por vezes as lágrimas ainda escorriam do rosto do maestro e ameaçavam cair sobre as cordas do violino da esperança. Uma ou outra vez, seu arco falhou na umidade, mas ele não parou de tocar.

A chuva caía mais e mais forte, até que ele se viu isolado no palco. Não enxergava seus amigos nas cadeiras, não ouvia som algum que não fosse o trovejar dos raios e o duro som da torrente de água que caía do céu. Era como se todos os oceanos estivessem sendo derramados em cima dele. A causa daquela chuva, como tudo naquele teatro, era os sentimentos dos dois, e a maestrina estava lá, distante, entregando-se à dor, sofrendo e chorando e, assim, fazendo chover no teatro.

A água fria encharcava o maestro até os ossos e mais além. Chegava ao seu espírito e, em certo momento, ele estremeceu. Um estremecimento do fundo da alma. Quando isso aconteceu, uma corda do violino se rompeu. O desespero ameaçou tomar o coração do maestro, mas ele não parou de tocar.

Por fim, suas pernas perderam sua força e ele caiu de joelhos. Ainda assim, ainda se podia ouvir o som de sua música, triste, lamuriosa, desesperada.

Não mais ouvia ou até mesmo sentia a maestrina. Sentia, sim, é que estava morrendo. Morrendo por se entregar ao desespero, por se entregar à dor, por imaginar que nunca mais poderia sentir o toque suave de sua amada, ouvir sua voz doce, beijar sua boca, abraçar seu corpo.

Mas de que adianta desistir? De que adianta se entregar? Deixar de lutar significa morrer em sentimento. Persistir na batalha significa que ainda há esperança, por mínima que ela seja.

À distância, a maestrina permanecia presa por grilhões que poderiam ser mais fortes que ela. Ou então poderiam se romper se ambos unissem suas forças contra os elos.

Um joelho se ergueu e um pé encontrou novamente o chão. O maestro fez força, tentando se levantar sem deixar de tocar. As notas falharam e escorregaram pelo palco, desritmadas. As forças de suas pernas se recusavam a voltar, mas ele se esforçou, suou debaixo de toda aquela chuva, mas a água que caía era forte, muito forte, como enormes tsunamis vindos diretamente de todos os céus com o único objetivo de mantê-lo no chão.

Ele permaneceu ali lutando e se esforçando ao máximo, sem cair mais, mas sem conseguir nenhum progresso. Foi quando ele sentiu o toque.

Seu coração saltou no peito, reassumindo momentaneamente um ritmo mais forte ao imaginar que poderia ser a bela maestrina. Mas não, ele sabia, conhecia seu toque, e aquelas não eram as suas mãos. Aqueles eram seus amigos.

Eles o ergueram do chão e o mantiveram em pé. Lágrimas escorreram pelo seu rosto ao olhar aqueles rostos que só queriam o seu bem. Um deles trazia uma nova corda para substituir a que tinha se rompido. Ele colocou-a e voltou a tocar, amparado por eles, que agora eram a força que lhe faltava. E assim a música continuou. Não perdia-se mais tão completamente em meio ao rugido da chuva, mas também não ia tão longe assim.

Os sentimentos dentro dele se agitaram, mas ainda não eram capazes de produzir sons. Podiam, porém, abrandar aquela tempestade.

Em pouco tempo, a enorme torrente transformava-se em pouco mais que uma garoa, sem vento ou raios, calma.

A Terceira Sinfonia dos Campos de Pinheiros foi marcada e sempre será lembrada pela grande tristeza de suas notas, pela suavidade de seus sons quase apagados, pelas lágrimas que desperta em qualquer um que a ouça com o coração. Será marcada pela morte da esperança e, depois, pelo renascimento desta.

 
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