19 de outubro de 2011

Natureza perfeita


Quando vi essa imagem pela primeira vez, senti aquela admiração que geralmente sentimos ao ver uma bela imagem, ou então algo incrível. Porque, vamos falar sério, que imagem belíssima, não é?

Todo o poder, a força, a velocidade, a letalidade desse lindíssimo animal pôde ser expressada, pode ser captada, nesta foto. A forma como ele fixa os olhos no fundo do lugar onde está, muito provavelmente vendo uma presa, então revelando todas as suas armas, apenas para deixar realmente claro o quão poderoso ele é, o quão inevitável é a morte para aquele que é foco de tal expressão. Todas as garras para fora, prontas para dilacerar a presa, as presas à mostra, toda a ferocidade do rosnado/ rugido abafado pela água, contorcendo seu rosto em uma expressão que faria qualquer animal, qualquer ser humano, tentar se virar e correr, se ainda conseguisse mover suas pernas.

E como a natureza é perfeita, não é? Olhe a beleza desse animal! Ele não precisou de nada para ser da forma que é, um caçador extraordinário, o maior e mais poderoso de todos os felinos, capaz de derrubar sozinho animais muito maiores do que ele...

Fascinação, é isso que essa foto provoca em mim. Fascinação pela beleza perfeita do poder das coisas criadas pela natureza. E os humanos, também filhos da mesma mãe e mesmo pai, vivem querendo negar isso.

Amizade Animal

Dizem por aí que o cachorro é o melhor amigo do homem. E eu acredito nisso.

Tenho um cachorro chamado Tico que já tem seus nove anos de idade. Peguei-o com apenas um mês, junto com seu irmão (Teco), o qual tivemos que dar ao mudarmos de uma casa para um apartamento.

Ele sempre foi um cachorro meio retardado, hiper ativo e bem encrenqueiro, adorando brigar com qualquer outro cachorro na rua (isso porque ele é a mistura de uma daquelas poodles altas com algum outro cachorro pequeno, talvez um lhasa apso). Ele não tem muito mais que trinta centímetros de altura do chão até as costas, mas já bateu em muito cachorro por aí e saltava alturas de mais de um metro tranquilamente. Hoje está ficando velho e não faz mais isso. Mas não é sobre essas coisas que quero falar.

Desde que temos o tico, eu já fiquei mal algumas vezes (como quando eu tirei uma lasca do meu quadril, fiz uma operação de apendicite e acho que teve alguma coisa mais que não me lembro agora).

Todas as vezes que precisei ficar de cama, o Tico vinha me fazer companhia. Ele passava o dia inteiro deitado no chão ao lado da minha cama, ou então em cima dela, embaixo dos meus pés.

Uma vez, minha mãe foi tirá-lo da cama não sei mais para quê, e ele sempre a obedeceu muito mais do que a qualquer outro. Resultado disso? Ele rosnou para ela e não deixou de jeito nenhum que ela o tirasse de perto de mim. Nos dois meses que fiquei de cama quando fraturei o quadril, os dois meses ele passou ao meu lado.

Quando fiquei bom e já podia andar tranquilamente, fui levá-lo para passear e fazer suas necessidades. Lembro-me de estar andando tranquilamente com ele ao meu lado, sem puxar, quando passou um homem pelo meu lado, indo no sentido oposto, do outro lado onde o Tico estava. Sabe o que aconteceu? Ele atacou o homem, sem mais nem menos. Simplesmente voou para cima dele, sem rosnar ou latir antes. Felizmente eu consegui impedi-lo de morder o cara, só que essa não foi a única vez que isso aconteceu. Sempre que eu ficava mal e então saía com ele na rua, ninguém podia chegar perto de mim que o Tico avançava na pessoa, me defendendo.

Como eu posso ter alguma dúvida de que eles são os melhores amigos do homem?

Só que isso não acontecesse apenas com cachorros não. Pode acontecer com qualquer animal, até mesmo com um urso polar, como você está vendo na foto acima.

O que acontece é que, quando esses animais crescem em seu habitat natural, eles aprendem a se defender e atacar qualquer coisa que chegar perto deles, até mesmo os da sua própria espécie, e isso acaba fazendo as pessoas acreditarem que são animais maus quando estão apenas seguindo seus instintos.

Quando um animal como este urso polar, ou então um leão, ou tigre, que já vi ambos os casos também, cresce junto com um ser humano, ele aprende a não ser agressivo da forma que aprenderia na natureza, não, pelo menos, com o seu dono.

Na foto você vê um urso que tem uma pata maior que a cabeça do homem, e eles estão abraçados. Vi uma vez um vídeo de um leão que cresceu com dois caras e então foi levado para uma reserva. Um ano depois, os caras foram visitá-lo. Todos disseram para que não entrassem sozinhos, que não encontrassem o leão, desprotegidos, cara a cara, porque o animal já teria se esquecido deles. Eles disseram que não, que entrariam onde ele estava, e fizeram.

Quando o leão os viu, saiu correndo na direção deles rapidamente e todos acharam que seria o fim dos dois, principalmente quando viram o leão se erguer na frente deles, abrindo as patas.

Para dar um abraço.

O leão abraçou os dois homens que o criaram, mesmo um ano depois de ter se separado deles, um ano se vê-los uma única vez.

Alguns animais são mais ou menos sociáveis, como lagartos ou cobras, mas eu acredito que, principalmente entre os mamíferos, qualquer animal pode ser o melhor amigo do homem, desde que o homem também seja amigo dele.

18 de outubro de 2011

Interespectador




Em um prédio do Citi Bank na Av. Paulista, há uma área reservada para exposições artísticas, acredito que voltada apenas para a arte das esculturas e talvez também de quadros e pinturas.

A exposição que está lá agora (não vou me lembrar o nome), é de um japonês (o qual também não lembro o nome) e é voltada para esculturas com cubos, espelhos e cores e também há uma parte interativa e, por causa desta parte, ele criou um “slogan” ou apenas uma frase para seu trabalho.

“E assim nasce o interespectador, o espectador que interage”.

Pra mim, é um pouco de prepotência ele imaginar que foi ele quem criou isso.

Acredito que o motivo de ele ter afirmado tal coisa foi pelo fato de ter feito uma parte da exposição onde você escolhe “valores” que você tem e é, e a partir deles uma imagem se forma (não consegui ver um único sentido na imagem que se formou da minha “personalidade”, e olha que meu cérebro adora brisar).

Mas quem disse que para interagirmos com algo, precisamos tocar nesse algo, ajudar na criação?

Nós interagimos com exatamente TUDO o que está à nossa volta, inclusive com aquelas esculturas e relíquias e quadros que estão na Pinacoteca do Estado e no Museu do Ipiranga aqui em São Paulo e onde há sempre grandes (ou apenas chamativos) avisos de “não toque!” (ou proibido tocar, não encoste, tanto faz a variação das palavras imaginadas que expressam o fato de não podemos nem relar na referida obra de arte).

Para uma interação existir, não é necessário que aja contato físico entre duas coisas, objetos ou qualquer outra coisa. Afinal, dois imãs precisam se tocar para influenciar um ao outro? Você precisa ver a pessoa que ama para sentir amor por ela? Você precisa tocar em uma pessoa para passar uma mensagem a ela?

Não, não precisa.

As interações entre coisas, pessoas, entre obra e espectador, vão muito além do contato físico. Tal contato é apenas uma delas, e talvez nem mesmo a mais intensa. Se você toca um quadro de olhos fechados, nunca vai conseguir absorver a mensagem que o pintor quis te passar.

Agora mesmo, por exemplo, você está interagindo com as minhas palavras, pois, enquanto as lê, seu cérebro imagina coisas, faz suposições, pensa e analisa o que está sendo lido, se pergunta se eu tenho algum problema ou sou apenas estranho (talvez essas últimas aconteçam se você já tiver lido alguns dos meus outros textos, como o “A brisa exemplificada” ou “Divagações de um Jovem Insone”).

Quando você vê uma pintura ou escultura, analisa os traços e curvas, cores e volumes, tenta entender o que realmente significa aquilo e, talvez, indo mais longe, o que o artista quis dizer, passar, ao pintar/ fazer tal obra.

Não há um instante sequer onde não interagimos com algo ou alguém, isso sem contar as interações do nosso corpo com o ambiente também, além das outras coisas e pessoas. Interagimos física, intelectual ou emocionalmente com tudo, não importa o que seja, pois nossa mente nunca deixa de trabalhar, e se nós vimos/ sentimos/ cheiramos/ tocamos/ nos emocionamos/ sentimos o gosto/ ouvimos algo, nossa mente capta e processa, analisa e, assim, mesmo que a interação não saia de dentro das nossas cabeças ou corpos, nós interagimos com aquilo que foi captado pelos nossos sentidos, seja apenas ignorando, ou então nos excitando, alegrando, entristecendo, sentindo fome, desejo, vontade de comer, pena, medo ou todas as outras infinitas coisas que podemos sentir quando interagimos com algo.

E há outro detalhe que os mais observadores podem perceber. O artista da exposição do banco, fala sobre o interespectador na arte, e muitas coisas que eu disse aqui não são arte.

Mas quem disse que não são?

Uma comida, por exemplo, é a arte gastronômica de um cozinheiro, uma bela mulher, é a arte escultural de Deus (ou então de uma clínica de estética), as palavras ditas pelas pessoas nas ruas, são as artes (ainda que rudimentares, algumas vezes [ou várias]) de suas próprias mentes, e assim por diante.

Então, meu caro amigo japonês, me desculpe, mas não foi você quem criou o interespectador.

17 de outubro de 2011

O Real Imaginário


Há quanto tempo eu não simplesmente sentava confortavelmente e tentava focar minha mente para que ela inventasse, criasse, combinasse, imaginasse, descobrisse as milhares e infinitas combinações dos símbolos inventados para que pudéssemos expressar aquilo que pensamos, sentimos, vemos, ouvimos, criamos, inventamos...

Palavras são apenas letras amontoadas que, por alguma razão e força de um poder maior, amontoaram-se em uma forma ou sequência onde é possível entender algum significado, mas apenas porque esse significado um dia foi inventado por alguém para que tal palavra pudesse, então, expressar a ideia antes imaginada.

Resumindo, vivemos em um mundo imaginário.

Um dia alguém imaginou as palavras, querendo expressar aquilo que se passava na cabeça dele, expressar a imaginação que se desdobrava por trás dos olhos, dentro da mente. Sem saber, foi o precursor das letras, mas elas só foram imaginadas mais tarde, talvez, quando alguém resolveu criá-las, porque queria poder formar as palavras que já nasciam em sua mente, para, então, colocá-las em um registro além do som disforme e ainda torto que saía pela boca, para que outras pessoas pudessem vê-las e então entendê-las. Assim, essa pessoas que imaginou as letras e então as palavras, também imaginou a escrita.

Ou talvez foram muitas pessoas, mas isso não é o que realmente importa.

Depois que as palavras pensadas, as letras e as palavras escritas haviam sido inventadas, coisas começaram a ganhar nomes. Primeiro vieram aquelas coisas que já existiam, e depois, quando outras coisas foram sendo criadas, novas palavras foram sendo imaginadas.

Um dia, por exemplo, alguém inventou a roda. Quando ela foi criada, porém, não possuía nome. A pessoa não parou e pensou: “Ei, vou inventar a roda agora, espere só um pouco”. Não, ela inventou, aí outra pessoa ou ela mesma inventou a palavra pela qual chamariam aquele novo invento, e então nasceu a roda.

Assim foi acontecendo com tudo o que inventamos e criamos. Após as primeiras invenções que nos tiraram da época dos grunhidos, gestos e gemidos, que foram as letras e palavras, desdobraram-se infinitas possibilidades de invenções e nomes. Vieram o carro, avião, tesoura, colher, copo, espelho, n coisas de todos os variados tipos de funcionalidade e objetivo.

Uma coisa que, talvez, as pessoas que criaram as palavras não imaginaram, é que criaram também uma alma para elas, e essa alma vai se dividindo e se multiplicando conforme novas palavras vão sendo inventadas. O que é essa alma? Oras, é o que a palavra realmente é, significa! Um avião não é o que a palavra o limita, afinal, existem centenas de nomes para aviões. Se eu falar, avião, você pensará em um, se for plane, também (desde que você saiba o significado, é claro. Se não souber, é porque ainda não conhece o pedaço de alma desta palavra). Posso chamá-lo de aereo, na Itália, e todos entenderão, ou de fly na Dinamarca e vou ser compreendido.

Cada palavra em cada idioma tem uma pequena alma que nos faz identificar ao que ela significa assim que ouvimos a palavra, mas todas elas fazem parte de outra alma maior, em um conceito totalmente panteísta, que é a alma do próprio objeto. Não importa se eu chamá-lo de avião, plane, fly ou aereo, aquela coisa de metal com asas e que voa sempre será uma coisa de metal com asas e que voa (e às vezes cai também).

Talvez seja esse o segredo dos grandes escritores, tradutores, poetas, pintores, escultores e todos aqueles que criam a arte, expressam as palavras, objetos, rimam e coordenam as criações imaginárias para que elas façam parte, peguem sua parte, da alma das coisas que imaginamos e criamos. Tais artistas conhecem as almas das palavras e tudo o mais, podendo expressá-las de diversas formas, com palavras, desenhos, formas diferentes, e, ainda assim, aquele que ver, ler, admirar o que foi imaginado, conseguirá ligar tal criação à imaginação primordial da criação do objeto mãe.

É, vivemos em um mundo imaginário, mesmo.

14 de outubro de 2011

O maior inimigo


A maioria das pessoas se esforça (sim, com certeza se esforça) para ter um ou outro inimigo por aí, cultiva essa inimizade, gosta dela, alimenta-a e deixa seus podres frutos apodrecerem.

Muitas pessoas acham que o mundo está contra elas, ou que pelo menos uma boa parte dele. Outras acham que a causa dos seus insucessos está sempre no próximo, que é culpa do outro que algo de ruim aconteceu na sua vida ou coisas assim. Como essas pessoas se enganam.

O nosso maior inimigo é alguém muito, mas muito mais próximo de nós do que qualquer outra poderá um dia ser. Ele conhece nossos medos e angústias, nossas vergonhas, nossos erros, nossas culpas, nossos desejos, vontade, malícias, conhece-nos por inteiro e, se bobear conhece-nos ainda melhor do que nós mesmos.

Há uma história que conta que, em uma aldeia indígena, quando os pais saíam para a mata fazer alguma coisa, levavam seus filhos até algum lugar isolado e então traçavam um círculo no chão ao redor da criança, dizendo que ele era mágico e que a ela não conseguiria sair de lá. A criança sentava e esperava até seu pai voltasse e a tirasse de dentro do círculo.

Pois é. Quem a manteve dentro do círculo? (Por favor, não pense que foi a magia dele, ok? Hehe). Então, foi exatamente esse inimigo, que por conhecer o medo e as limitações da criança, a impediu de se levantar e cruzar a linha. Acho que você já consegue imaginar quem é esse inimigo, não é?

O nosso maior inimigo é a nossa mente. O nosso maior obstáculo somos nós.

Quem impediu a criança de cruzar a linha senão o pensamento de que ela não ia conseguir isso?

O que te impede de conseguir aquilo que você mais quer senão o pensamento de que você não vai conseguir?

O tempo todo, em todos os lugares, temos diversas pessoas dizendo que não vamos conseguir isso, que aquilo é demais para a gente, que não temos capacidade para isso e, dessa forma, nós vamos nos trancando cada vez mais dentro da nossa mente, criando cada vez mais círculos ao nosso redor, nos impedindo cada vez mais de fazer cada vez mais coisas.

E por quê? Porque temos tanto medo de tantas coisas? Tornamo-nos escravos da nossa mente por vontade própria até que chegamos a um ponto que nem percebemos que estamos sendo escravizados, massacrados e dominados, até que perdemos o controle das nossas decisões, das nossas ações, pensamentos e, em casos extremos, até mesmo vontades e desejos

Acha que não? A maior parte da população humana é assim. Quantas vezes você já não viu alguém falar, você já não falou coisas como “eu não vou conseguir fazer isso” ou “é difícil demais, mesmo, melhor nem tentar porque não vai dar certo”. Não se engane, não minta para você, pode dizer sinceramente; (sussurro) só você vai escutar.

E é claro, o seu carrasco, o carcereiro que te mantém aprisionado nos círculos intermináveis que você incessantemente se ocupou de desenhar ao seu redor, acreditando que aquilo estaria te protegendo, e não te destruindo.

Sabe do que, exatamente, você, eu, todos nós, somos capazes de fazer? Exatamente tudo.

Não há limites para a imaginação, e é nela que tudo começa! Uma ideia, ideal, pensamento, movimento, começa sempre num cintilar imaginativo da sua cabeça, primeiro toma forma aí dentro, em meio ao instrumento que você resolveu deixar te dominar, ao invés de domá-lo e usá-lo ao seu favor.

O maior e mais difícil passo que uma pessoa pode dar na sua vida, é aquele que a leva para fora do círculo.

Mas, assim que esse passo tiver sido dado, ele não tem mais volta.

“Uma mente que se abre para uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original”.

Essa frase foi dita por uma das pessoas que mais rompeu os círculos da sua mente, mais ousou e imaginou, criou, inventou, descobriu. Einstein foi o nome dele.

“Nunca deixe que lhe digam que não vale à pena acreditar no sonho que se tem, ou que seus planos nunca vão dar certo, ou que você nunca vai ser alguém”. Você poderá ser tudo aquilo que se permitir ser.

Sonhos não são impossíveis. Sonhos estão apenas um passo antes da realização, mas um passo depois do círculo.

13 de outubro de 2011

Aos amigos


Recebi um e-mail com uma daquelas apresentações .ppt que a maioria de nós simplesmente exclui assim que vê o anexo (daqui a pouco os e-mails as estarão enviando para o spam) mas eu a abri e a li inteira. Ela falava sobre os amigos.

Segundo que a criou, amigos são como folhas de árvores, e nós somos a árvore. Alguns ficam apenas uma estação, enquanto outros ficam por muito tempo, mas todos acabam deixando algo em nós. Uns pouco, outros muito. Isso me fez pensar um pouco. Na verdade, isso me fez sentir aquele aperto ao mesmo tempo gostoso e doloroso no peito, que nós chamamos de saudade.

À minha mente voltaram lembranças e rostos de amigos que a muito não vejo, que fazem meu peito se apertar de saudade. Essa semana, voltando da faculdade por um caminho que nunca faço, encontrei um deles, um grande amigo que não conversava a um bom tempo e, mesmo que tenham sido poucas palavras por ser pouco o tempo, foi bom.

Nós colecionamos amigos por toda a nossa vida. Alguns, como eu li lá, ficam por pouco tempo, apenas um dia ou algumas horas, uma semana, um mês, ou aparecem uma vez por ano, mas não deixam de ser amigos. Rimos e nos divertimos, conversamos ou até nos apaixonamos. Esses amigos, os de épocas, amigos de verão, de acampamento, de uma viagem, são, talvez, os que mais deixam saudades, pois deles guardamos apenas lembranças boas e bons sentimentos, com eles aprendemos que amizades e até mesmo amores não precisam de longos dias de conversas e convivência. Para uma amizade começar, precisa apenas de um sorriso, às vezes.

Outro dia, conversando com a minha namorada, minha maior amiga, percebi o quão sortudo sou.

Amigos são medidos por qualidade, é óbvio, e não por quantidade, mas eu parei para pensar e percebi que tenho uma quantidade grande de amigos de qualidade, com os quais tenho certeza que posso contar, enquanto outras pessoas contam nos dedos de uma mão seus amigos de verdade, e ainda sobram dedos.

Tenho um amigo praticamente de berço, amigo “primeiro”, que conheci quando estava no pré I ainda e, ainda que não mantenha muito contato hoje em dia, levarei para sempre as grandes lembranças que criei com ele, o grande amor que construímos. Tenho também pelo menos uns três amigos “de infância”, grandes amigos com os quais divido alegrias até hoje, desde a faculdade até o kung fu.

Há os amigos que vieram depois, também, os do início e fim da adolescência, mas nem por isso são menos importantes. Amigos que compartilharam as épocas mais complicadas com seu apoio e grande amizade, e pelo menos uns dois ou três posso chamar de amigos irmãos.

Mais ou menos na mesma época surgiram aqueles amigos de verão, de “acampamento”, mas, ao contrário do que acontece com essas amizades, elas não perduram apenas como ótimas lembranças. Esses ai posso dizer que chegam a pelo menos uns dez, com certeza, e mesclam as mais variadas idades, pois a faixa etária é o que menos importa para uma amizade. Nessa época apareceu também aquela famosa paixão de verão tão contada em tantos filmes, que todos têm muita vontade de experimentar, mas nem tantos conseguem, e que também será levada eternamente por mim no meu coração.

Chegando mais próximo do hoje, na faculdade e fora dela, coletei mais algumas amizades por aí e agreguei-as ao meu coração, ao meu espírito e algumas delas vieram com uma grande parcela de conhecimento espiritual.

E há relativamente pouco tempo, surgiu a que hoje posso dizer que é minha maior amiga, que conhece todos os meus segredos e medos, aquela para a qual abri meu coração totalmente, pois ela o conquistou e não havia nada que eu pudesse fazer.

De todos os amigos que citei aqui, posso dizer que todos são aqueles que chamamos de “amigos do peito”, amigos que podemos confiar que estarão ao nosso lado se um dia realmente precisarmos, e é por isso que, mesmo com todas as dificuldades da vida, com todo o azar que já demonstrei ter em várias situações, sei que tenho uma imensa sorte que compensa toda essa má sorte que já apareceu.

Sabe por quê? Porque eu me sinto extremamente feliz e orgulhoso de dizer que, se for para contar nos dedos todos os meus verdadeiros amigos, nem mesmo com a ajuda dos dedos dos pés eu conseguiria contar todos.

Cada um deles tem seu espaço reservado e especial no meu coração, na minha existência, têm seus momentos compartilhados, as experiências vividas, os conhecimentos aprendidos...

Mas, principalmente, todos eles são saudades no meu peito e amor no meu coração.

Dedico esse texto a todos os meus amigos.

12 de outubro de 2011


Um mestre viu quando um escorpião estava se afogando e decidiu tirá-lo da água, mas quando o fez, o escorpião o picou. Pela reação de dor, o mestre o soltou e ele caiu de novo na água e estava se afogando de novo. O mestre tentou tirá-lo novamente e novamente foi picado. Alguém que estava observando se aproximou do mestre e lhe disse: “Desculpe-me, mas você é teimoso! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?”. O mestre respondeu: “A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar”. Então, com a ajuda de uma folha, o mestre tirou o escorpião da água e salvou a sua vida. Não mude sua natureza se alguém te faz algum mal; apenas tome precauções. Alguns perseguem a felicidade, outros a criam. Quando a vida te apresentar mil razões para chorar, mostre-lhe que tens mil e uma razões pelas quais sorrir. Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação, porque a consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você, e o que os outros pensam, é problema deles.

11 de outubro de 2011

Rostos


Às vezes eu me pego olhando para as outras pessoas e tentando identificar, entender, perceber, adivinhar, ver, ouvir, ler, qualquer verbo que sirva para eu identificar algo, e esse algo é o que se passa na cabeça delas.
Cada pessoa é um mundo único (li isso em algum lugar mas não lembro mais onde) e, por trás de cada par de olhos, de cada levantar ou contrair de sobrancelhas, cada suspiro, cada gesto, de cada reação, existe uma história unicamente única entre bilhões e mais bilhões de seres.
Por trás de cada um desses rostos pelos quais você passa na rua, muitos deles, uma única vez na sua vida, existe um fantástico e fascinante mundo.
Você pode, por exemplo, imaginar uma determinada situação e tentar descobrir como você reagiria nela, mas isso às vezes não é tão fácil. Agora tente imaginar como uma pessoa que passou na rua por você reagiria pela mesma situação.
É impossível!
Até mesmo o mais pacífico dos seres humanos da Terra pode acabar reagindo a um assalto e matar o assaltante.
Por trás de cada decisão que uma pessoa toma, há uma vida inteira influenciando, e não apenas uma, mas centenas.
Agora pare e pense que, da mesma forma que quando você está na rua você pensa em várias coisas, cada uma das pessoas que você encontra também pensa. Aquela pessoa que está simplesmente parada em pé no metrô sem expressar uma única reação, olhando para frente com aquela cara de paisagem, está pensando em muitas coisas das quais você não pode nem fazer ideia. Ela pode estar se perguntando porque tem alguém olhando para ela ou se tem alguém, ou te achando atraente ou infinitas coisas.
Você já parou para pensar na complexidade que é apenas uma pessoa? Em tudo o que acontece inconscientemente no corpo dela e até mesmo nas reações inconscientes que ela tem. Você já parou para pensar, também, que a maioria das pessoas passa pelas suas vidas sem se perguntar isso? Talvez você possa achar que é algo totalmente inútil, mas, para mim, ajuda a entender a verdadeira maravilha que é estar vivo, e também a valorizar essa vida. Porque todas essas perguntas que eu te fiz e que faço para mim, não possuem uma resposta que possa chegar pela simples lógica ou até mesmo reunião ordenada de acontecimentos ou fatos. São coisas que, às vezes, apenas uma pessoa e poucos outros seres, nenhum deles pertecentes à esfera que estamos, têm consciência.
Eu não sei, só acho que às vezes faz bem, é legal, interessante, questionar as coisas que vemos. Nesse aspecto Sócrates é meu ídolo (e eu não estou falando do jogador).
Até a próxima!

10 de outubro de 2011

Uma pequena narrativa

Este é um texto que achei perdido entre os rascunhos do meu blog e foi escrito há quase um ano, eu acho.

Ele estava feliz por aquele dia. As coisas tinham acontecido bem.
Durante a manhã, tinha ido para a escola (cursava o terceiro colegial) e o período passado lá tinha sido bem aproveitado. Conversas com os amigos, uma prova bem sucedida de História (graças a algumas comparações de respostas também), uma aula de Literatura que foi usada para diversas coisas menos para estudar sobre velhos poetas e escritores mortos e enterrados e reencarnados a séculos, algumas partidas de truco e outras coisas mais.
Estava feliz pela sua tarde também.
E noite.
Ele estava namorando. Não há muito tempo, dois ou três meses, mais ou menos. Sua namorada era uma garota excepcional. Cabelos loiros e enrolados, corpo magro com curvas bem definidas e atraentes, não muito alta.
Enquanto pensava nela, corria de volta para casa. Era tarde e ele tinha demorado demais na casa dela, talvez não conseguisse pegar a última lotação para sua casa. Mesmo assim, tentava. Se tivesse que voltar a pé, tudo bem, ele estava acostumado (mas teria que ir ainda mais rápido).
O suor escorria lentamente pelo seu rosto, incomodando-o levemente. Existiam coisas suficientes em sua cabeça, porém, para desviar sua atenção.
Começou a se lembrar do dia em que tudo começou...
Eles tinham saído apenas para dar uma volta depois da escola. Foram até um parque que havia ali perto.
Andavam despreocupados, descontraídos, sem pensar ou imaginar o que poderia acontecer. Eram grandes amigos já há algum tempo, e isso tornava a conversa muito mais fluida entre eles, fácil para tocar em qualquer assunto.
Conversaram sobre muitas coisas. Amigos, família, problemas com os pais, ex-namorados de ambos, coisas sem sentido, sobre fabricação de bombas, etc. Muitas coisas mesmo.
Em certo momento, quando ambos já precisavam voltar para casa ele tocou em um assunto que, sem saber, também interessava a ela.
Alguns dias antes, em um final de semana, tinham ido ao shopping ver um filme junto com outros amigos. Tudo correu de forma perfeitamente normal até a hora de se despedirem. No momento em que ela beijou sua bochecha e a abraçou, ele sentiu um desejo tão forte de beijá-la na boca que foi difícil de controlar. Na verdade, ele não sabia exatamente porque tinha controlado tal desejo. Porque? Uma dúvida, realmente. Mas o fato foi que ele não fez nada.
Ele contou isso a ela naquela caminhada.
A reação não foi tão ruim. Na verdade, foi boa.
Ela ficou alguns instantes sem falar nada, depois, riu e disse que não sabia o que dizer. Nesse momento estavam sentados no chão um de frente para o outro. Ele olhou-a profundamente nos olhos. Ela retribuiu seu olhar por alguns segundos, antes de desviá-lo. Ela disse, sem olhar para ele, que também sentia vontade de ficar com ele já há algum tempo, mas não teria dito nada se ele não tivesse tocado no assunto.
Nesse momento, ele achou que as coisas não tinham dado certo. O assunto não avançou.
Se levantaram (ela estava atrasada) e se abraçaram com força.
“Momentos como esse que eu quis dizer” disse ele em seu ouvido “Igual ao outro dia. A vontade é muito grande”. Ela não disse nada, apenas balançou a cabeça. Ele se afastou lentamente, querendo olhar em seus olhos. Ela os fitou lentamente e naquele momento ele soube que ela também queria, mesmo que pela sua boca saísse um Não. Estava escrito ali, escrito em sua alma, em sua vontade.
Ele a abraçou com força, colocou suas mãos nas suas costas e a trouxe para bem perto, carinhosa e firmemente. Suas bocas se aproximaram perigosamente. A dela se abriu um pouco, mas, quando ele avançou um milímetro, com a intenção de beijá-la, ela desviou o rosto.
Ele moveu seus lábios pela sua bochecha até alcançar seu pescoço e beijou-o lenta e deliberadamente. A respiração dela acelerou sensivelmente. Ele passou suas mãos por baixo da camiseta dela, suas peles quentes se tocando e aumentando ainda mais a temperatura. A sensação da mão dele nas costas dela, sentindo todos os pêlos arrepiados, era tentadora, fazendo o desejo de beijá-la aumentar ainda mais. Sentia o desejo que emanava do corpo dela, pela sua voz trêmula ao dizer seu nome, pelas suas mãos que o empurravam enquanto queriam puxá-lo para mais perto, pelo cheiro da sua pele que se misturava ao aroma do seu perfume o do xampu. Seu cabelo ainda parecia estar levemente úmido, mesmo que ela tivesse tomado banho horas atrás.
“Eu... não sei se devo” ela disse em um sussurro.
“Porque não?” ele perguntou.
“Não sei, não tenho certeza”.
“Você também quer, eu sei que quer”.
Ela riu da confiança dele.
“E se eu disser que não quero?”.
“Está escrito nos seus olhos que você quer. Seu corpo diz isso”.
Ela não respondeu a essa afirmação, o que era apenas uma confirmação. Ele a abraçou com ainda mais firmeza e sentiu seu corpo perder levemente a força nas pernas, a respiração se tornando irregular.
“Olha pra mim” ele sussurrou em seu ouvido.
Ela se afastou e o olhou nos olhos, tentando manter uma distância segura entre suas bocas, as mãos tapando a dele para ter mais segurança. Ele se aproximou lentamente e, dessa vez, ela não desviou o rosto, o desejo vencendo por alguns instantes sua força de vontade. Seus lábios se tocaram levemente, com alguma tensão, enquanto ela ainda tentava resistir a ele. Quando ele achou que um primeiro beijo ia se formar, ela virou seu rosto rapidamente, seu auto controle forçando-se a dominar os instintos. Ele tentou mais uma vez e novamente só conseguiu o selinho antes que ela conseguisse reunir vontade para desviar o rosto novamente.
“Porque resistir tanto?” ele perguntou baixinho.
“Eu tenho que pensar, não sei...”.
“Você também quer, sabe disso”.
“Eu nunca disse que não quero”. Ela olhou em seus olhos nesse momento “Eu terminei um namoro a não muito tempo, eu sei que você entende isso”.
“Eu entendo. Mas uma oportunidade pode não voltar mais”.
“Somos nós que fazemos as oportunidades. A gente vai ficar, mas espera um pouco”.
Ele não respondeu. Ficou em silêncio por algum tempo, abraçando-a, o melhor abraço que ela já dera a ele em tanto tempo.
“Eu tenho que ir”. Ela falou.
Ele beijou lenta e suavemente seu rosto. Ela suspirou e ele sentiu que ela se esforçava novamente para se controlar.
Se despediram, cada um com um sorriso no rosto. Ainda que as coisas não tivessem acontecido do jeito que ele queria, estava feliz.
Voltou ao momento presente. Estava quase chegando em casa. Entrou calmamente, como se nada tivesse acontecido...

Desculpas


Faz exatamente 43 dias que postei aqui pela última vez. Não sei se foi exatamente neste último post ou no anterior, mas isso também não importa. O que importa é que eu tinha dito que não abandonaria o blog de novo. Pois é, abandonei.

Não faço nem ideia se ainda possuo algum leitor (espero que sim), ou se alguém, quando vir a publicação nas redes sociais, vai se interessar e entrar aqui novamente, ou se outras pessoas, pessoas novas, terão interesse de clicar no link.

Esse blog nunca foi um “Best-seller” entre os blogs, nunca foi um dos mais vistos ou lidos ou comentados. Houve uma época em que todos os meus posts eram comentados, outra em que eu tinha, pelo menos, cinqüenta visualizações diárias e alguns comentários. Bem, visualizações não significam realmente que alguém leu o que escrevi, mas mesmo assim eu ficava feliz ao ver os números crescendo.

Esse blog se tornou a minha válvula de escape da realidade desde o dia 28/07/2010, que foi a data do meu primeiro post. Hoje o blog tem um ano, dois meses e doze dias de vida, mais de quinhentos posts e muitas lágrimas derramadas em suas páginas, assim como muitas alegrias, frustrações, ideias, brisas, pensamentos, raiva, histórias, amor, paixão e muito mais.

Aqui eu chorei e me declarei, brisei e me apaixonei, sorri, ri, gritei, me expressei de todas as formas que poderia me expressar. Essas páginas e aqueles que as leram foram meus amigos por esse pouco mais de um ano, grandes amigos que compartilharam da minha alma através das minhas mais sinceras palavras. E eu acabei abandonando esses amigos.

Os leitores vem e vão, alguns ficam, muitos passam, mas uma coisa que nunca saiu do lugar, nunca deixou de receber minhas palavras de bom grado, de me escutar e às vezes até me responder, foi o blog, o “Brisas e Pensamentos”, esse grande companheiro fiel que nunca me deixou na mão, pronto para receber mais um texto, mais uma ideia, idiota ou não, mais um desabafo, mais um libertar de sentimentos. Ele sempre esteve aqui e até mesmo nos dias em que simplesmente me esqueci dele, ele não se esqueceu de mim, pois as minhas palavras estão marcadas na essência dessas páginas, minhas palavras são a vida destas páginas e nelas escrevi muitas partes da minha própria.

Muitas coisas aconteceram comigo que fizeram parar de escrever.

Perdi um emprego, fiquei dois meses sem trabalhar e, enquanto isso, estas páginas foram fartamente preenchidas. Então eu consegui outro emprego que tomou todo o tempo restante dos meus dias, cansando-me e fatigando-me, esgotando a minha mente por muitas vezes, e os dias que me restavam nos finais de semana eu acabei usando para outras coisas, sem nem mesmo dedicar dez minutos para escrever um texto e colocar aqui.

Resolvi, então, ocupar o tempo ocioso que passo todos os dias no transporte público (quase três horas) com palavras, mas ao invés de escrevê-las para cá, empenhei-me em um projeto muito maior.

Sei que poderia, também, ter escrito textos para postar, mas acabei me embrenhando tanto no desenvolvimento de tal projeto que minha mente não conseguia se focar em outras palavras que não fossem aquelas. O resultado desse empenho foi que, em um mês, imaginei e escrevi um livro inteiro.

Talvez você saiba (se realmente tiver alguém lendo esse texto), talvez não, mas eu já escrevi um livro que será publicado sob o nome de “Herdeiros da Luz – O Início da Guerra das Sombras”, e este outro é da mesma história do primeiro e se chama “Dragões – A Origem dos Herdeiros da Luz”. Agora, empenho-me em escrever a continuação da história dos Herdeiros, e por isso uso-me novamente da desculpa de falta de foco para outra coisa.

Não vou, porém, usar para sempre essa desculpa. Prometo que tentarei reviver este blog, este amigo, que andou agonizando nos últimos meses, sem ter o alimento que o sustenta, a criatividade das palavras, a complexidade das frases e orações. Voltarei a escrever para cá também, talvez não com a mesma frequência de antes, mas também sem a infrequência apresentada nos últimos tempos.

Bom, este é o texto de “volta”, de renascença do blog. Talvez ele não seja assim tão interessante, mas era o que se passava na minha alma no momento em que estava sentado em frente ao computador.

Bem, é isso aí! Até o próximo, que eu espero que seja mais emocionante.

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Online Project management