24 de dezembro de 2010
22 de dezembro de 2010
Brilha Onde Estiver
Não há de ser nada, pois sei que a madrugada acaba, quando a lua se põe
O abraço de vampiro é o sorriso de um amigo e mais nada
Não há de ser nada, pois sei que a madrugada acaba, quando a lua se põe
A estrela que eu escolhi não cumpriu com meu pedido e hoje não a encontrei
Pois caiu no mar, e se apagou
Se souber nadar, faça-me o favor
O milagre que esperei nunca me aconteceu
Quem sabe é só você
Pra trazer o que já é meu
Brilha onde estiverFaz da lágrima o sangue que nos deixa de pé
21 de dezembro de 2010
Contos de um Camping
Os saltadores
O meu chalé fica localizado em um ponto relativamente alto do camping, na subida do vale onde ele foi construído. Saindo pela porta e olhando para o lado esquerdo, vemos, do outro lado, no outro morro, a lateral do salão de festas.
O salão é comprido, deve ter uns
Até aí, nada demais.
O problema era outro.
Várias vezes, quando saímos do chalé a noite, eu e meu irmão víamos um movimento pela visão periférica, um movimento no salão. Quando olhávamos, não era nada. Ou pelo menos, não víamos mais nada.
Até que um dia nós vimos.
Saímos do chalé, como todos os dias, de noite, após termos tomado banho depois de um longo e exaustivo dia de jogos de vôlei, futebol, voltas a nado no lago, saltos de trampolins e árvores, etc. Só que dessa vez estávamos meio que preparados. Não que esperávamos ver algo, mas os reflexos estavam mais aguçados.
Percebemos um movimento e olhamos.
Do outro lado do morro, no salão, vimos algumas pessoas todas vestidas de branco saltando a mureta que separava o salão do morro. E sumiam.
Não que não pudéssemos mais vê-las por causa de algum impedimento visual, o mato lá em cima era baixo e podíamos ver uma boa parte do morro que descia. O fato é que elas simplesmente desapareciam após saltar.
O que eles eram?
Nunca chegamos a descobrir. Mas essa não foi a única vez que vimos os saltadores brancos do muro do salão.
20 de dezembro de 2010
Contos de um camping
O Balanço e a Menina
Desde que comecei a ir para lá, ouvia uma história sobre uma menina e um balanço. Ninguém se lembra quando foi que isso aconteceu, nem quem começou a espalhar a história e nem mesmo se ela aconteceu de verdade. Achamos que sim.
Dizem que, há um bom tempo, havia duas crianças, meninas e gêmeas, que brincavam pelo camping como toda criança faz. Chegaram então a um minúsculo parquinho, que até hoje está no mesmo lugar.
Em uma curva, logo após a ilha da fantasia, antes de chegar à piscina aquecida, há um escorregador de madeira com uma pequena cabana
A história conta que as crianças brincavam ali. Enquanto uma estava no escorregador, a outra se divertia no balanço. Chegou uma hora, porém, que a do escorregador queria ir no balanço, mas a que ali estava não queria deixar: era a vez dela.
Elas brigaram e discutiram, uma menina tentou tirar a outra do brinquedo, mas essa não saiu. Revoltada, então, a gêmea do escorregador empurrou sua irmã com muita força em um momento que ela não estava se segurando. O balanço subiu alto e a menina acabou saindo dele e caiu no chão, batendo com força a cabeça.
A gêmea do balanço morreu.
Não sabemos o que aconteceu com a outra garota, a história pára na morte da menina.
Mas até mesmo quem não acreditava na história, teve que se render ao que foi contado.
Durante noites calmas e sem vento, mais ou menos quando ia chegando perto da meia-noite e passávamos pelo parquinho, víamos o balanço se mexendo levemente, de um lado para o outro, sem que ninguém tivesse estado ali, pois ficávamos vários minutos observando-o e ele simplesmente não parava de balançar...
19 de dezembro de 2010
Contos de um Camping
O Homem de Laranja
Certo dia me preparei para viajar como acontecia em todo final de ano. Eu e minha família íamos passar o ano novo em um camping onde temos um chalé pela terceira ou quarta vez seguida, não me recordo exatamente que ano foi. Depois de uma hora e meia de viagem, estávamos lá.
Chegamos mais ou menos na hora do almoço, arrumamos o chalé, comemos e depois eu e meu irmão saímos, como sempre. Encontramos nossos amigos e o dia se passou normalmente, sem nenhum incidente (coisas que não eram raras lá).
A noite que foi um problema.
O sol já havia se post há várias horas, devia ser lá pelas dez horas da noite, quando eu e mais dois amigos resolvemos dar uma volta por lá. Ficamos andando por um bom tempo, apenas conversando e rindo. Fomos caminhando calmamente em direção ao pesqueiro que ficava em uma parte meio que isolada do camping, mas não muito. Há mais ou menos uns cinqüenta metros da sua entrada, os chalé acabavam e, ali, os postes de luz na existiam, apenas uma luz branca que ficava acesa dentro do pesqueiro, àquela hora, fechado.
Paramos no portão e ficamos observando a calmaria durante alguns segundos. Logo após, como ali era um caminho sem saída, começamos a voltar.
A rua era larga, de terra, com dezenas e dezenas de pinheiros em ambos os lados, as pinhas coalhando o chão esburacado e coberto das agulhas das árvores.
Chegamos à uma parte onde a rua se dividia, começando um novo caminho para a nossa esquerda, indo para trás em um ângulo fechado, levando aos últimos chalés do camping naquela parte. Havíamos passado por ali na ida, mas foi na volta que paramos os três ao mesmo tempo.
Era como se eu tivesse sentido alguma coisa no ar, atrás de nós. Olhei para os meus amigos, e nós três olhamos para trás ao mesmo tempo. Estávamos sozinhos?
Não...
Um homem alto, inteiramente vestido de laranja, estava junto ao muro baixo que separava a rua dos chalés da rua do pesqueiro, em meio aos pinheiros. Ele usava uma camiseta laranja e uma bermuda laranja, seu rosto encoberto pelas sombras da noite. Todos os pêlos do meu corpo se arrepiaram, e novamente fizeram isso enquanto eu relembrava esse momento.
O homem disparou para o outro lado da rua, mais rápido do que qualquer pessoa poderia correr, sem produzir um som sequer, sem mover uma folha do chão. Subiu o morro do outro lado, ao fim dos pinheiros, em menos de um segundo, sem esforço, e desapareceu na escuridão acima.
Eu olhei para os meus amigos no mesmo instante e, não me lembro mais, algum deles gritou bem alto: Corre!
E corremos.
Quase tão rápidos quanto o homem de laranja, eu imagino, porém muito mais ruidosos, corremos sem parar, sem falar, direto para o meu chalé, que era onde estava o resto do povo.
Chegamos ofegantes e trêmulos, tentando entender o que havia acontecido.
Contamos aos outros que, primeiramente não acreditaram muito, mas, pelas nossas caras e reações, não tinham como duvidar.
Essa foi a primeira vez que vimos o homem de laranja.









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