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20 de agosto de 2010

Silenciando o silêncio

Muitas pessoas gostam do silêncio, algumas não o suportam ou ficam incomodadas e outras até tem medo, mas, o que é realmente o silêncio?

Tecnicamente falando, é a privação de som. Se não há um ruído sequer, há o silêncio. Às vezes o silêncio é bom. Ajuda você a pensar melhor, raciocinar e se concentrar. Em outras, nem tanto. Como já disse, há pessoas que têm medo do silêncio, e com razão.

O silêncio vai muito além da simples privação de som. O silêncio é algo mais profundo. O silêncio, na verdade, pode ser ouvido, sentido. Entre em uma câmara isolada acusticamente para saber o que estou querendo dizer.

Na época da Segunda Grande Guerra, prisioneiros eram submetidos à câmaras totalmente brancas e isoladas para que não entrasse nenhum som. esse método se chamava “privação sensorial” e todos os presos submetidos a esse tipo de tortura falavam tudo o que lhes era perguntado após algum tempo.

Existe também o silêncio das imagens, cheiros e movimentos, até do tato. Você acha que os cegos não estão mergulhados no silêncio? Eles, porém, não se deixam abater por ele. Os surdos são os mais afetados, mas eles ouvem com seus outros sentidos.

O silêncio é ameaçador, aterrorizante, amedrontador. Ninguém pode “sobreviver” ao silêncio, vencê-lo. O silêncio sempre vence, a não ser que você enfrente-o. Como? É simples! Se ele começar a te dominar, grite, não deixe que se perca em sua quietude. Cante! Movimente-se, sinta e veja!

Milhares de pessoas vivem hoje dominadas pelo silêncio. Elas tem medo de sentir, medo de ver, ouvir, medo de amar. O silêncio de sentimentos, eu diria, é o pior e mais cruel. Domina a pessoa com tal intensidade que ela acaba querendo ouvir o silêncio, se entregar a ele. Não deixe que o silêncio domine seu corpo, mas, com ainda mais convicção, não deixe que ele domine sua alma. Quantos não vivem, também, no silêncio de pensamentos? Não pensam, não questionam, não raciocinam. Apenas ouvem e reproduzem.

Mas o silêncio não é apenas algo ruim. O silêncio é bom também.

Existem coisas que só podem ser ditas no silêncio de um olhar, de um toque. Amores que são entendidos com muito mais intensidade quando expressados no silêncio das palavras. Ainda assim, não está entregue ao silêncio. O amor pode ser tudo, menos silencioso.

Por isso, não se acostume com o silêncio. Ele não é de todo ruim, porém não é de todo bom. Te domina sem que você perceba.

Você pode viver em silêncio, porém nunca calado. Expresse-se a cada instante, com o corpo ou a alma, não importa, o importante é não deixar silenciar.

17 de agosto de 2010

A dança das estátuas

Um dia eu estava vendo televisão em um domingo monótono (como geralmente são os domingos) e me impressionei com uma reportagem “Fantástica” (pã, pã, pã, pã nã.... Pã!)

Eles pegaram um daqueles caras que trabalham como estátuas humanas e o colocaram no meio do povão para assistir ao jogo do Brasil das oitavas da final da copa do mundo (eu acho ^^), e o desafiaram a ficar parado durante todo o jogo, inclusive o intervalo.

Meu, são noventa minutos, fora os acréscimos e a pausa de uns quinze minutos entre um tempo e outro. Eu não conseguiria.

Essas pessoas ganham a vida na inércia de sua falta de movimento, sustentam-se na imobilidade, movimentam-se em sua quietude. São dos mais variados: anjos, robôs, estátuas de bronze e de prata, Elvises e monstros.

Gosto dos anjos, ele são os mais espertos. Ficar parado durante um bom tempo, tudo bem, pode-se treinar isso, mas... e piscar? Você fica horas sem piscar? Nem mesmo minutos nós conseguimos! Por isso os anjos são espertos: eles fecham os olhos. Assim eles entram mais ainda na personagem. Olhos fechado ajudam a passar tranqüilidade, a aparência fica mais angelical.

Está vendo? Todos tem truques.

Existem também um outro tipo de estátuas. São as estátuas de verdade, de bronze, mármore, pedra sabão etc. Possuem os mais variados tamanhos, forma, posições e expressões. Exalam sentimentos e eternizam um movimento. Não mudam. Ainda assim, transformam-se. Cada um as enxerga de um jeito, analisa suas formas e curvas à sua própria maneira. Mesmo estando condenadas à imobilidade eterna, essas estátuas vivem.

Observe atentamente a face de uma estátua. Não vê em seus olhos a alma de seu criador?

Necessitam de outros para que vejam novas paisagens, respirem novos ares, porém, nunca abandonam seu objetivo: ficarem imóveis.

Passemos agora a um terceiro grupo de estátuas. Eu as denominaria de “estátuas vivas”. Não confunda esse grupo com o primeiro: são totalmente diferentes.

Essas estátuas estão vivas sim, mas eu não diria que elas vivem. Elas sobrevivem.*

Podem ser qualquer um, até mesmo eu ou você, só que eu não acredito nisso. Eu estou aqui, escrevendo, e você está ai, lendo, e isso prova que não nos encaixamos nesse grupo.

Elas passam a existência sem um rumo certo, não possuem um objetivo. Vagam por caminhos tortuosos que, na realidade, possuem apenas uma curva.

Cansam-se de voltar sempre ao mesmo ponto, entretanto, em sua ignorância, afirmam que tal caminho é diferente, nunca passaram por ali.

Perdem-se nas avenidas da vida. Entremeiam-se nas paredes labirínticas do ser. O “não ser” toma conta de seus seres, usando sombras para iluminar seus caminhos.** Olham para a escuridão e acreditam que ela é Luz. Dentro de si, nem um vagalume luminesce.

Cruzam com centenas de almas iguais a si e se perguntam porque os espelhos as perseguem. Sombras refletem-se por todos os lado, criando emaranhados que grudam no corpo e perseguem o espírito.

Um ponto ao longe mostra-lhes o caminho e elas o ignoram uma, duas, três vezes. Quando tal desaparece, perguntam-se se ficaram cegas. Cegas não. Loucas, talvez.

Afundam-se no lodo de suas emoções e lá ficam, vivas, cada vez mais imóveis.

Ao fim, param de se mexer. Mas não morrem. Condenaram-se às sombras e lá ficarão eternamente, até que um novo ponto apareça e convença-as de que, na imutabilidade das trevas, não há Luz.

*Saiba mais no texto “Vivendo ou Sobrevivendo”, neste blog!

**Saiba mais no texto “Sombra e escuridão”, neste blog!

3 de agosto de 2010

Vivendo ou Sobrevivendo?

Como você vive a sua vida? O que é viver para você?
Podemos dizer que viver é simplesmente respirar porque precisamos de oxigênio, é comer quando temos fome, porque precisamos da comida. Ou então viver é ir para a escola todos os dias porque nossos pais nos mandam para lá, é chegar em casa e não fazer nossos deveres, só porque não estamos com vontade, e matar esse tempo com uma boa soneca de umas quatro horas, e então acordar novamente, comer e voltar pra cama.
Viver seria, como já disse uma música, deixar a vida nos levar? Apenas nos adaptarmos ao que acontece porque “se aconteceu é porque era para ser assim”? É ver algo que nos incomoda, mas não mexermos sequer um dedo para mudar, porque “as coisas estão melhor assim” e “posso viver com isso”?
Não.
Agora eu pergunto de novo, como você vive a sua vida?
Respire fundo.
Conseguiu sentir o alívio quando o ar entra por suas narinas, chega a seus pulmões e inunda sua corrente com o oxigênio tão precioso?
Agora, olhe ao redor.
Você pode ver e identificar todas as cores que te cercam? E os sons? Procure escutar todos. Aquele som baixo e agudo ao fundo, seria um passarinho? Melhor ainda. Pode sentir os cheiros? O perfume de um amigo(a), a comida que é preparada na cozinha, o cheiro da grama e da terra... Se pode senti-los, consegue identificá-los? Você presta atenção nas coisas ao seu redor? Nas pessoas? Você pode realmente ver seus rostos?
Se não conseguiu perceber essas coisas, não diga que é difícil demais. Sim nós podemos! Mas, será que realmente adianta sabermos, e até mesmo acreditarmos, que somos capazes, se não temos a coragem de mudar, de tomar uma atitude?
Alguma vez já encontrou a coragem para mudar algo que te incomodava em você mesmo? Uma situação que não estava correta? Acredita mesmo que as coisas só são do jeito que são “porque Deus quis”?
É claro que nada acontece, uma folha não cai, se Deus não quiser, mas ele deu a nós o livre-arbítrio e com ele a oportunidade, e as vezes a obrigação, de mudarmos as coisas que não estão corretas. Deus não castiga ninguém, não deseja o mal de ninguém. Se algo não está bom na sua vida, me desculpe, mas a culpa é sua. E se esse algo que não está bom continua existindo na sua vida, a culpa é sua novamente. Porque não mudar? Porque não parar de Sobreviver à vida e passar a Vivê-la?
Você pode, só falta agora, você querer.

 
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