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6 de novembro de 2010

Um conto

Todos os dias eu passava na frente daquela casa. Não podia evitar, fazia parte do meu caminho, eu era obrigado a passar por ali se não quisesse andar alguns quilômetros a mais. O problema não era exatamente a casa em si, que até que não era feio. Sua pintura descascava em alguns pontos e estava manchada em outros, o portão enferrujado estava sempre aberto, o que não tinha muita importância, já que seus muros não passavam muito de um metro de altura.

O problema era a atmosfera do lugar. A casa emanava uma sensação ruim. Ninguém gostava realmente de passar por ali, mas a maioria, como eu, era obrigada a isso. Ela ficava bem no meio de um atalho que usávamos e que diminuía em muito a distância entre a vila que morávamos e a cidade, já que a estrada dava uma volta grande e ali íamos por uma estrada de terra mal cuidada que seguia uma linha quase reta pela mata. Esse era outro problema.

A casa era isolada de tudo o mais, bem no meio de uma clareira já meio tomada pela vegetação e ficava na única curva da estrada, escondida pela angulação. Você estava andando e, de repente, a casa aparecia na sua frente, como uma assombração, e, do mesmo jeito que vinha, quando você olhava para trás, ela simplesmente não estava mais lá. Era assustador.

Só passávamos por ali de dia, ninguém se arriscava à noite. Isso porque havia uma história, do tempo da infância de nossos pais, de que uma vez um grupo de amigos entrara ali, com o propósito de explorar a casa, como muitos de nós alguma vez já tivemos vontade de fazer, mas nunca criamos a coragem necessária. O fato é que eles criaram, e entraram.

Dias se passaram desde a entrada deles lá, a polícia foi enviada ao local por um integrante do grupo que não teve coragem de entrar. Vasculharam a casa inteira a procura dos garotos. Nenhum deles foi encontrado. Não havia vestígios da presença deles lá, nem vestígios de luta, ou, na pior das hipóteses, sangue. Eles simplesmente desapareceram. Nenhum deles se sentiu a vontade de estar ali, disseram que o ar lá dentro era pesado, difícil de respirar e era como se uma presença os espreitasse em cada cômodo, cada corredor, cada fresta. No segundo andar da casa, encontraram um alçapão no teto, uma entrada para um sótão, dentro de um quarto, o mais afastado da entrada, nos fundos da casa, perto da mata.

Eles tentaram chegar perto, com o intuito de abri-lo, mas naquela hora todos perderam a coragem. O que quer que existisse naquela casa, estava naquele sótão, disso eles tinham certeza. A respiração deles ficou presa no peito, disseram, e o coração batia tão rápido que atrapalhava a audição. O silêncio era mais do que profundo, era audível, até mesmo os movimentos ali pareciam ser mais difíceis. Eles não sabem quanto tempo ficaram naquele quarto, o fato é que eles não demoraram a vasculhar a casa inteira e encontraram o alçapão apenas uma hora depois de entrarem na casa. Segundo eles, logo depois de o encontrarem e ninguém ter tido coragem de abri-lo, eles simplesmente saíram praticamente correndo da casa, assim que conseguiram se mover. Só que, quando eles saíram, já era quase noite.

Esse foi o único dia que procuraram pelos garotos, depois do relato dos policiais, nem mesmo a família dos desaparecidos quis que as buscas continuassem. Deram-nos como mortos e fizeram os enterros simbólicos. Depois disso, não falaram mais na história.

Mesmo assim ela se perpetuou e chegou até mim, até nós, a outra geração. Ninguém nunca mais, que se tivesse noticia, entrou naquela casa. Segundo os mais velhos, ela continuava exatamente como sempre foi: silenciosa, escura e amedrontadora.

Um dia eu estava saindo de casa, indo para a cidade, porém estava atrasado. Já era quase noite e eu tinha marcado com amigos de ir ao cinema. Meu pai não tinha carro, por isso eu ia a pé até lá todas as vezes que precisava.

Parei na bifurcação das duas estradas, a de asfalto e a de terra, e, reunindo toda a minha coragem, entrei pela escuridão da de terra.

Como ela era muito utilizada pelos moradores do vilarejo, tinham colocado iluminação ali. Fui andando rapidamente, desviando dos morros irregulares de terra, passando por cima de galhos mortos, quase se levantar os olhos do chão e sem olhar para trás.

Talvez fosse apenas o medo, mas o caminho parecia mais longo do que o comum. A casa já devia ter chegado não devia?

Senti uma forte sensação no peito, um aperto quase doloroso e, contrariando todos os meus instintos e também a razão, olhei para a frente.

Eu estava na frente daquela casa, virado para ela, que me encarava com suas janelas pregadas e malignas. Nessa hora percebi que os postes dos dois lados da casa estavam apagados. Olhei para eles, que tinham uma aparência de nunca terem sido acesos uma única vez. Será que era sempre assim com eles? Eu nunca tinha passado ali à noite e nenhum de meus amigos fazia isso também, então eu não tinha como saber.

Olhei para um lado e depois para o outro. As luzes brilhavam quase que longe demais, seus raios parando de um modo errado na direção da casa, como se estivessem viradas para o outro lado. O círculo que elas iluminavam no chão não era um círculo. Eles paravam abruptamente quando chegavam perto da casa, contornando o chão em volta como se não tivessem a capacidade de penetrar naquela escuridão.

A mata em cima era fechada, não permitindo que nem mesmo o brilho de uma estrela chegasse até mim. A casa, porém, ao contrário do que deveria acontecer, estava nítida para mim, ainda que as luzes dos postes não fossem capazes de alcançá-la. Ela parecia emanar uma luz negra, que mostrava mas não iluminava.

Não sei quanto tempo fiquei parado ali, apavorado demais para conseguir me mexer e fascinado demais para seguir em frente. Alguma coisa lá dentro me chamava, em atraia, convidando-me a entrar.

Dei um passo à frente. Minha parte racional lutando inutilmente contra a força que me impulsionava. Não era eu que estava dando o comando para minhas pernas se mexerem. Mais um passo e meu coração batia tão rápido que eu não conseguia diferenciar uma batida da outra, meus ouvidos retumbando naquele silêncio impenetrável.

Cheguei mais perto do portão, que se abriu silenciosamente um pouco mais para me receber, receber minha alma. Meus olhos estavam presos pela escuridão do umbral da porta que, pelo que eu me lembrava deveria estar ali, pregada como havia sido pelos policias há décadas. Só que ela não estava mais ali. Em seu lugar havia apenas um buraco que engolia tudo ao redor: sons, luzes, emoções, sentimentos, vidas. Passar por ali significaria não voltar.

Eu sentia a força de uma presença assustadoramente maligna me chamando, confundindo meus sentidos, convidando-me a participar de si, penetrar sua essência e de lá não mais sair.

A morte emanava de cada prego daquela casa, mesmo assim não tive forças suficientes para fazer minhas pernas obedecerem ao que minha mente gritava: CORRA!

Estava parado no hall agora, a porta escancarada como uma boca para me receber, me engolir. Nada era discernível dali. Dei mais um passo e atravessei a soleira. Nesse momento, tudo silenciou, inclusive minha mente. Meus instintos ainda me diziam, gritavam, que eu não deveria estar ali, porém eu não era mais capaz de produzir um pensamento sequer.

Andei sem pensar mais para frente, adentrando no intimo daquele lugar. Parecia uma sala ampla, sem móveis, pois não esbarrei em nenhum, maior por dentro do que parecia por fora. De repente, estaquei. Eu sabia que estava cercado, sentia que havia alguém, algo, ali. Levantei rapidamente os olhos do chão e o que estava ali, não estava mais. Vi apenas o vislumbre de uma capa negra. Não parecia ter se mexido, mas sim se fundido à escuridão assim que olhei para ele.

Dei uma volta no meu corpo e olhei atrás de mim, esperando ver a porta por onde entrei. Mas ela não estava mais ali. Eu estava cercado por sombras, podia sentir a amplidão do lugar que me engolfava, a atmosfera densa dificultando a respiração.

Vi mais daqueles vultos encapuzados, mas, sempre que eu fixava um deles, eles misturavam-se à escuridão sua criadora. Fixei um ponto qualquer no ar, deixando minha visão desfocar. Pelo canto dos olhos comecei a enxergar sua figuras formando-se ao meu redor. Um circulo amplo me envolvia, suas cabeças baixas cobertas por capuzes negros, mais negros que a noite eterna que envolvia o lugar. As silhuetas saltavam aos olhos e agora eu conseguia vê-los todos. Eram pelo menos uns vinte, a me cercar e observar, apavorar.

O pânico finalmente conseguiu vencer a força que abafava as emoções. Tentei gritar de terror mas minha voz ficou presa na garganta. Precipitei-me na direção de um deles, seu corpo imaterial dissolvendo-se no ar ao encontro do meu. Corri sem direção, sem saber para onde ir, tendo a certeza de que dali eu jamais sairia.

Tropecei em alguma coisa e fui para o chão. Bati meu rosto com força em alguma coisa que estava acima do nível do chão invisível. Tateei ao redor e percebi que estava em uma escada. Estendi um pé para baixo, me levantando, e, ao invés de encontrar o chão plano de antes, encontrei apenas mais um degrau. Desci-o e, embaixo, havia outro e mais outro, a escada não parecia ter fim.

Senti o sangue que escorria pelo meu rosto, a dor abafada em algum lugar distante do meu cérebro entorpecido.

Olhei para os meus pés, mas eles não pareciam mais estar ali. Eu podia senti-los e mexê-los, mas a sua imagem estava desaparecendo, desvanecendo. A escuridão estava impregnando-se em mim irreversivelmente.

Subi correndo a escada, sabendo que aquilo não era uma boa ideia. Cada degrau vencido aumentava a sensação de o alto era a pior escolha possível. Uma pequena parte de lógica surgiu na minha mente e disse que não havia pior ali, a morte não estava em cima, a casa era a própria morte. Pior talvez. A casa não era a morte. A Casa era o terror, e ali estava eu, mergulhado nas trevas de um terror sem fim.

A escada terminou abruptamente e eu tropecei, quase caindo. Estendi as mãos para os lados e percebi que estava em um corredor. Fui andando por ele, sentindo uma inquietação no meu intimo. Havia alguma outra presença ali que não a da casa e a que habitava e era ela. Sussurros pareciam encher o ar, bruxuleando ao meu redor.

Uma brisa súbita balançou meus cabelos. Parecia haver alguma coisa nas paredes, estranhas formas incrustadas. Fui chegando mais perto de uma delas e, quando estava perto o suficiente para discernir, preferi não ter visto.

Era um rosto. Um rosto apavorado, olhos arregalados de pânico, a boca aberta em um grito interminável, eterno. Me afastei rapidamente, batendo na parede do outro lado. Senti o roçar leve de fios de cabelo no meu rosto. Me Virei instantaneamente e deparei com outro rosto, a centímetros do meu, a mesma expressão de terror, a garganta visível como uma escuridão engolfante.

Os olhos de repente se mexeram, fixando-me. Atrás de mim eu sabia que o outro rosto fazia o mesmo. Comecei a me afastar, avançando no corredor. Os rostos começaram a se separar da parede, revelando corpos disformes que eu não me interessei em avaliar. As bocas escancaradas sorriam para mim nas bordas, avançando na minha direção. Choquei-me contra algo que estava no meio do corredor. Antes mesmo de olhar, eu já sabia o que era.

Um outro rosto, e mais um, estavam ali, já fora da parede, diferentes entre si, iguais em seu eterno terror. Eu sabia quem eles eram, os quatro que, há décadas, entraram na casa para nunca mais voltar.

Sem conseguir gritar, desviei-me daquelas assombrações e rumei descontrolado para o fim do corredor, que sumiu abruptamente, revelando um cômodo mais largo, uma janela pregada ao fundo. Olhei para trás, esperando ver as assombrações me perseguindo. Não havia mais nada ali.

Algo me observava de trás. Girei o corpo e levantei os olhos para o teto.

O alçapão. O sótão.

Minha mão subiu contra a minha vontade, indo em direção a ele, que me chamava irresistivelmente.

Agora eu já sabia o que aconteceria a seguir. Eu não morreria. Me transformaria em mais um rosto na parede, paralisado para sempre no terror do momento que levaria minha alma, deixando um corpo vivo para sempre, mergulhado no terror e na escuridão.

Parei o movimento pela metade, pouco antes de alcançar a alça no teto baixo. A presença que se agitava por trás daquela porta ficou mais forte, mais próxima. Me afastei um, dois, três passos, tropecei nos meus pés e cai.

Antes de chegar ao chão, o alçapão se abriu violentamente com um barulho alto e eu gritei, gritei com toda a minha força, mais alto do que já tinha gritado na vida, quando um rosto, uma sombra, uma escuridão, o terror, avançou sobre mim, seus dentes arreganhados prontos para me engolir, os cabelos negros esvoaçando ao redor enquanto ela me abraçava em um aperto inquebrável e eu sentia que virava parte daquilo tudo, me transformaria em mais uma assombração no corredor, vivo e morto ao mesmo tempo, eternamente aprisionado ali.

Senti que tudo o que eu tinha sido era sugado de mim, o som ensurdecedor de um vento feroz passava pelos meus ouvidos, abafando meus gritos desumanos, meu corpo ficando cada vez mais gelado, menos humano. Não fui capaz de um único pensamento feliz naquela hora, estava deixando de ser eu mesmo e não podia fazer nada.

Por fim, senti apenas um vazio, um vácuo dentro de mim, a falta de qualquer coisa, de tudo. Estava condenado para sempre.

30 de setembro de 2010

Um mundo de trevas

Vai aí um pequeno trecho do meu livro! nao sei quando publico, mas, se você se interessou, nao deixe de comprar quando sair!! ;D Herdeiros da Luz: O Início da Guerra das Sombras!
Olhei em volta para analisar o lugar e me virei em tempo de ver o portal desaparecer atrás de mim. Como eu tinha certeza que não ia conseguir usar outra runa em tão pouco tempo, comecei a caminhar. Não havia lugar visível para ir, então apenas segui em frente. Eu estava em uma charneca estéril; para qualquer lado que eu olhava só via desolação: poças de uma água suja e oleosa onde não se via uma gota de vida, árvores negras e mortas tombadas no chão ou precariamente equilibradas em suas raízes podres.
Se eu seguisse em linha reta chegaria a uma floresta densa e escura que parecia um tanto maligna. A morte certa parecia pairar sobre a floresta. Para qualquer outro lado que eu olhasse eu só via uma planície sem fim de pântanos e mais pântanos. Não era possível ver um raio de sol sequer, que estava oculto por nuvens densas e arroxeadas que estavam muito baixas, mesmo que parecesse ser dia. Em alguns pontos saíam jatos de um vapor fétido do solo, que parecia ser da mesma composição das nuvens.
Em alguns lugares o ar era mais pesado, quase irrespirável, venenoso, sem contar que era impossível seguir em uma linha reta se eu quisesse ficar seco, se bem que parecia ser quase possível andar sobre aquelas águas imundas. Parecia até um rio que passava pela minha cidade, o Tietê.
Então eu cometi o erro que quase levou à minha morte, mas que eu veria depois que teve seu lado bom.
Será que não havia vida naquele planeta aparentemente maligno? Peguei um galho e joguei em uma poça particularmente grande. O som molhado foi rapidamente abafado pela atmosfera carregada. A água parecia relutante, não queria formar ondas e as poucas que se propagaram eram oleosas e lentas e nem chegaram a alcançar as bordas. Logo a água estava impecavelmente parada novamente.
Mas a calmaria não durou muito tempo. Bolhas enormes subiam rapidamente à superfície. Ondas muito maiores do que as anteriores batiam nas bordas instáveis da pequena lagoa espirrando aquela água nojenta em mim. Me afastei, o coração batendo descontrolado. Eu havia despertado algo que deveria continuar no fundo daquele imenso pântano. As outras poças também se mexiam e percebi que eram todas interligadas por baixo e a terra que eu pisava flutuava sobre elas.
Comecei a sentir o frágil solo se mexendo em baixo de mim e desatei a correr para longe daquele lugar, indo em direção à floresta, que agora parecia mais convidativa do que aquele pântano abominável. De qualquer jeito, não havia como fugir; eu senti o solo afundar a cada passo que eu dava. Com certeza o que quer que estivesse dentro daquelas águas podia ver as minhas “pegadas”.
As águas começaram a se acalmar ao meu redor até que ficaram perfeitamente quietas novamente. Fui diminuindo a velocidade até parar, mesmo que todos os meus sentidos gritassem que, se eu quisesse sobreviver, tinha que continuar em movimento. Será que eu havia imaginado aquilo? A viagem podia ter confundido meu cérebro não é? Não podia ser, tinha algo embaixo de mim que agora devia estar preparando um ataque.
Esse pensamento me fez voltar a andar na mesma hora, mas parei logo em seguida, por causa do choque. Algo estava saindo de uma poça próxima. Seu corpo era comprido como o de um réptil e coberto de escamas de um verde moribundo, como um peixe, e bem magro também. Parecia até um ser humano que sofrera mutações.
Os olhos eram completamente negros em sua face sem expressão; era impossível saber se olhava para mim ou para o outro igual a ele que apareceu alguns metros atrás de mim. Suas cabeças eram um pouco maiores do que a de um homem e tinham, desde a lateral do queixo até o alto da cabeça, membranas de um verde mais claro, com pequenos ossos de sustentação que as deixavam abertas e saíam do crânio.
Do queixo também saía uma espécie de máscara cinzenta que cobria todo o rosto deles até chegar bem perto dos olhos e era dividia ao meio por uma fina linha mais escura. Não tinham bocas visíveis. Um pouco abaixo dos olhos, no centro do rosto, havia dois pequenos buracos, um de cada lado da linha divisória, que deviam ser usados para respirarem fora da água, pois tinham brânquias no pescoço.
Para qualquer lado que eu olhasse eu via pelo menos uma daquelas criaturas saindo de cada poça. Eles eram muitos, centenas eu acho. Não estava muito longe da floresta, então, antes que eles me encurralassem, eu peguei algumas runas de minha mochila e saí correndo. Na mesma hora eles começaram a perseguição. E tudo isso por causa de um galho...

28 de setembro de 2010

Seguindo pelo escuro sem medo

O final de semana foi maravilhoso. Podia ter sido melhor, mas não se pode ter tudo nessa vida...

Ele começou na sexta-feira...

Festa de quinze anos da Nadny (GEBEM) e foi provavelmente a 6ª festa que eu dancei. Sou expert nisso já (mas só na valsa simples também, de resto... =/)

Dançamos muito, rimos e nos divertimos. O Nicolas bebeu um pouquinho além e depois descobri que ele vomitou quando chegou em casa uahuahauhauhauhauahua.

No sábado começou a COMECAP (citada no mini-post anterior) os monitores (eu e mais uns 20 e tantos) nos reunimos para finalizar e organizar o evento. No domingo, 7 horas da manhã, deu-se inicio o evento. 240 jovens dos mais variados lugares de São Paulo se reuniram para estudar a doutrina espírita com dinamismo, inteligência, discussões e alegria. 8 horas maravilhosas passadas na companhia de pessoas maravilhosas.

Dessa vez, não fiz novos amigos exatamente, mas fortaleci e muito as “velhas” amizades (a mais antiga dali tem alguns meses... uhauahuahuauah) mas o tempo não é o que importa. O que importa mesmo é a sintonia entre nós, que é tão grande como se nos conhecêssemos há séculos (quem pode afirmar que não? ;D). Conheci um pouco melhor pessoas muito interessantes e fiquei muito feliz porque algumas ficaram na minha sala. A essa(s), queria agradecer por ter(em) tornado meu domingo ainda mais especial. E que venham muitos outros dias com tal companhia maravilhosa. XD

Conversei com as pessoas que precisava conversar, resolvi alguns “pequenos” problemas e, ainda que não esteja feliz pelo desfecho, estou melhor. Conformado eu diria. O pior de tudo é saber que podia ter sido diferente... foda isso aí. Mas agora passou, não tenho como voltar atrás. Pelo menos eu aprendi muito com isso, muito mesmo, e tenho certeza que não vou cometer o mesmo erro outra vez. Queria é não tê-lo cometido desta vez.

Mas no domingo, nós jogamos o “jogo do contente”. Se você já leu o livro da Pollyana (não sei se é assim que escreve nem se o nome é só esse) sabe do que estou falando.

O jogo do contente se resume a ver sempre um lado bom nas coisas. No livro, a menina ganha um par de muletas quando ela queria uma boneca de Natal. O pai dela, vendo que ela ficou muito triste, ensina o jogo à ela. Ela pergunta para ele porque ela devia ficar feliz de ter ganhado as muletas e ele lhe responde que ela devia ficar feliz por não ter que usar as muletas.

Cada participante escreveu seu problema em um papel (na COMECAP) e depois algum outro tentou ver o lado bom disso tudo. Foi realmente interessante ver como tudo tem mesmo um lado bom, mesmo a morte de uma pessoa querida.

O tema da COMECAP foi “Quem tem medo do escuro” (leia o texto de mesmo nome no mês de agosto, que, por “coincidência” estava no temário da COMECAP ;D).

Eu não tenho medo do escuro, das coisas que se escondem nele, nem do desconhecido que se esconde em cada segundo futuro das nossas vidas. Mas, antes desse final de semana, eu acho que tinha uma ideia diferente sobre ele. Antes, eu não tinha medo. Agora, eu não tenho medo, mas o respeito.

Tive provas na minha própria vida de como as nossas escolhas influenciam o nosso futuro, nosso próximo passo, a próxima palavra...

Não tenho medo de tomar uma decisão, não mais, já há algum tempo, mas agora pesarei ainda mais todas as possibilidades antes de proferir uma palavra que não voltará nunca mais à minha boca, que poderá mudar as coisas para um jeito que não é o que eu quero. Pensarei mais antes de tomar uma decisão, de realizar um gesto.

Isso não me fará ficar mais frio ou calculista. Eu simplesmente não consigo ser assim, principalmente em relação aos sentimentos que, ao meu ver, é onde estão os maiores problemas da humanidade, as pessoas que não vêem isso. Se alguém é realizado sentimental e emocionalmente, os outros problemas parecem muito menores do que são, e ficam muito mais fáceis de se resolver.

Os sentimentos não são racionais, são lógicos sim, mas não racionais. Eles são lógicos porque a lógica vai muito além da pura razão. A lógica está em tudo o que nos cerca, basta apenas termos uma visão diferente da “essência” da lógica (leia o texto “E se fosse verdade...” no mês de setembro).

Quando você começa a pensar nos seus sentimentos com a razão, começa a pensar demais nos seus sentimentos, você acaba se tornando distante deles, frio, e isso é simplesmente horrível que se aconteça. Por favor, não deixe nunca que seu cérebro tenha mais influência sobre o que você sente do que o seu coração (a pessoa sabe que é pra ela que estou dizendo isso...).

Realmente as escolhas são muitas... mas, como me foi provado no domingo, nossos amigos lá de cima estão sempre nos ajudando, sempre nos mostrando as escolhas mais certas a se tomar, sempre querendo que nós andemos pelo caminho certo.

Não tenha medo do escuro, não tenha medo de escolher só porque tem medo de errar... eu sei, e fico extremamente feliz com isso, que conseguimos cumprir o objetivo do evento nesse domingo, que as pessoas saíram de lá com menos medo da escuridão do que quando entraram, que todos, inclusive eu, melhoramos um pouco mais...

Não tenha medo das distâncias, perdoe os erros, perdoe a si mesmo, dê uma chance ao outro e a si, dê quantas chances forem necessárias a ambos, dê uma chance aos seus sentimentos...

Não tenha medo de amar.

Eu não tenho, e estou dando uma nova chance a mim.

E você, tem?

20 de agosto de 2010

Silenciando o silêncio

Muitas pessoas gostam do silêncio, algumas não o suportam ou ficam incomodadas e outras até tem medo, mas, o que é realmente o silêncio?

Tecnicamente falando, é a privação de som. Se não há um ruído sequer, há o silêncio. Às vezes o silêncio é bom. Ajuda você a pensar melhor, raciocinar e se concentrar. Em outras, nem tanto. Como já disse, há pessoas que têm medo do silêncio, e com razão.

O silêncio vai muito além da simples privação de som. O silêncio é algo mais profundo. O silêncio, na verdade, pode ser ouvido, sentido. Entre em uma câmara isolada acusticamente para saber o que estou querendo dizer.

Na época da Segunda Grande Guerra, prisioneiros eram submetidos à câmaras totalmente brancas e isoladas para que não entrasse nenhum som. esse método se chamava “privação sensorial” e todos os presos submetidos a esse tipo de tortura falavam tudo o que lhes era perguntado após algum tempo.

Existe também o silêncio das imagens, cheiros e movimentos, até do tato. Você acha que os cegos não estão mergulhados no silêncio? Eles, porém, não se deixam abater por ele. Os surdos são os mais afetados, mas eles ouvem com seus outros sentidos.

O silêncio é ameaçador, aterrorizante, amedrontador. Ninguém pode “sobreviver” ao silêncio, vencê-lo. O silêncio sempre vence, a não ser que você enfrente-o. Como? É simples! Se ele começar a te dominar, grite, não deixe que se perca em sua quietude. Cante! Movimente-se, sinta e veja!

Milhares de pessoas vivem hoje dominadas pelo silêncio. Elas tem medo de sentir, medo de ver, ouvir, medo de amar. O silêncio de sentimentos, eu diria, é o pior e mais cruel. Domina a pessoa com tal intensidade que ela acaba querendo ouvir o silêncio, se entregar a ele. Não deixe que o silêncio domine seu corpo, mas, com ainda mais convicção, não deixe que ele domine sua alma. Quantos não vivem, também, no silêncio de pensamentos? Não pensam, não questionam, não raciocinam. Apenas ouvem e reproduzem.

Mas o silêncio não é apenas algo ruim. O silêncio é bom também.

Existem coisas que só podem ser ditas no silêncio de um olhar, de um toque. Amores que são entendidos com muito mais intensidade quando expressados no silêncio das palavras. Ainda assim, não está entregue ao silêncio. O amor pode ser tudo, menos silencioso.

Por isso, não se acostume com o silêncio. Ele não é de todo ruim, porém não é de todo bom. Te domina sem que você perceba.

Você pode viver em silêncio, porém nunca calado. Expresse-se a cada instante, com o corpo ou a alma, não importa, o importante é não deixar silenciar.

10 de agosto de 2010

Sombra e Escuridão

Antes de mais nada, não é sobre os dois leões assassinos que eu vou falar. Certo, sem zoação nesse texto.

Primeiramente, refletiremos.

Sombra e escuridão são a mesma coisa?

.

.

.

Não.

E porque não?

Pense mais um pouco.

.

.

.

Vamos fazer assim. Qual a definição de escuridão? É a ausência de luz. E a de sombra? Silhueta criada a partir da incidiação de luz sobre um corpo ou objeto.

E de qual temos mais medo?

Da escuridão, é claro. E porque temos tanto medo dela? É apenas a ausência de luz! Tudo continua do mesmo jeito, no mesmo lugar que estava quando a luz estava acesa.

Até mesmo os que nunca pensaram por esse lado, não tem medo “do escuro”, mas sim do que ele esconde. O medo que as pessoas realmente sentem, é do desconhecido.

Pense por outro lado agora. O desconhecido é ruim? Não. Já pensou no pavor que um bebê sente quando começam as contrações para expulsá-lo do útero quente da sua mãe? O mundo dele está prestes a mudar mais drasticamente que em todo o resto da sua existência. E nem por isso o nascimento é algo ruim. O desconhecido é bom, ele não é óbvio (;D)*. Quando bater aquele medo do escuro, comece a cantar, é bom para distrair a mente.

Eu tenho mais medo, é das sombras.

As sombras das nuvens escurecem a beleza de um dia. Uma sombra pode provocar a morte de uma planta. As sombras são rápidas, traiçoeiras. O pior de tudo, é que elas nem existem de verdade.

Elas “habitam” os lugares mais fétidos e malignos, tomando conta dos corações das pessoas, enchendo-as de medo e angústia. As sombras são perversas. Tramam contra os nossos olhos, escondem-se e ludibriam, enganam.

Avolumam-se, muito maiores que o próprio corpo, e, mesmo dependendo da luz, é quando esta começa a se extinguir que elas ficam ainda maiores.

E como destruímos as sombras? Infelizmente, isso não é possível. Onde há luz, há sombras, sempre no plural. Se você acabar com uma sombra, outras aparecerão, multiplicando-se sempre mais.

E como enfrentá-las então?

Tornando-se a luz.

Se você próprio for sua fonte de luz, nenhuma sombra poderá te tocar, por maiores e mais numerosas que elas forem. A luz não vence as sombras, assim como o contrário não acontece. São duas forças que co-existirão para todo o sempre, sem nunca se tocar.

Você só tem que escolher o seu lado.

sombra, ou Luz.

*Leia mais no texto “Quem tem medo do escuro?”, neste mesmo blog!

^^

6 de agosto de 2010

Quem tem medo do escuro?

Antes de mais nada, vamos definir uma coisa. O que é o escuro? Tecnicamente falando e citando Einstein, o escuro nada mais é do que a ausência da luz. É claro, muitas pessoas sentem medo quando a luz se extingui, mas talvez não seja esse o escuro de que estamos falando. Existe um outro medo, que também pode ser associado ao primeiro, que é o medo do que pode existir no escuro.

Esse medo eu diria que é mais lógico. E não se aplica apenas às coisas que se escondem nas sombras. Contra essas, não é preciso ter tanto medo. Na maioria das vezes, são fantasias da nossa imaginação. Se a luz estivesse acesa, você não teria medo, certo? Então, cante uma música para distrair a sua mente quando as luzes se apagarem.

O verdadeiro medo do escuro que podemos, e às vezes até devemos ter, vai mais longe. É um medo que nos faz parar e pensar, e não agir por puro impulso ou tomar uma atitude precipitada.

Hoje, as cobranças que a sociedade nos faz são imensas, existem centenas de possibilidades sobre que caminho seguir, que atitude tomar, como se comportar, como realmente ser. Todas essas opções geram incerteza e a incerteza gera o medo de errar. É desse medo que devemos ter cuidado.

O medo, em si, não é algo ruim. Ele ajudou na sobrevivência dos nossos ancestrais por milhares de anos. O medo é inerente do ser humano, avisa quando devemos tomar cuidado, quando devemos ir com calma ou até recuar.

É ai que o medo pode ser bom.

Se soubermos encarar o nosso medo, enfrentá-lo, usá-lo para desenvolver a nossa coragem, conheceremos melhor a nós mesmos. Não pense que ter coragem é não ter medo. Ter coragem é saber controlar o seu medo para agir na hora certa.

E qual seria a hora certa?

Isso, me desculpe, cada um tem que descobrir sozinho.

Conhecendo os nossos medos, saberemos de nossas fraquezas. Conhecendo as nossas fraquezas, saberemos quem somos. E se realmente tivermos consciência do nosso ser, será que não vamos ter a coragem necessária para enfrentar a situação quando ela surgir? “Conheça-te a ti mesmo” um grande mestre certa vez nos disse.

Por isso, não tenha medo de perder, de ser derrotado. Ninguém, no “jogo” da vida, perde.

Cada queda simplesmente é uma oportunidade para nos reerguemos mais uma vez. Se encontrar uma pedra no seu caminho, não tente contorná-la ou passar por cima. Chute-a bem longe, enfrente o problema e saia dele mais forte.

Não tenha medo de errar, pois errar é humano. Os erros nada mais são do que aprendizados. Mostram novas formas de se encarar um problema e as maneiras de solucioná-lo.edra no seu caminho, nao ais uma vez. se do beça, tigres que sao ) Uma vez perguntaram a Thomas Edison se ele não se achava um inventor fracassado por ter falhado mil vezes ao tentar criar uma lâmpada. Ele disse que não: “Apenas descobri mil maneiras de NÃO se fazer uma lâmpada”. Ele, literalmente, não teve medo do escuro.

Não deixe que os outros tracem os seus caminhos por você, só porque você tem medo de seguir pelo errado. Quem disse que eles sabem realmente o que é certo? A vida é sua e quem faz as escolhas é você, para depois arcar com as conseqüências, sejam elas boas ou ruins.

Uma vez, uma música perguntou se “vamos conseguir vencer”. Acredito plenamente nisso. Cada um de nós tem tudo o que é preciso para dar mais um passo, conquistar, vencer, evoluir, sorrir e ser feliz.

 
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