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11 de novembro de 2010

Por trás da magia

Está chegando o começo do fim. Um dos maiores fenômenos mundiais, que já está há uma década nos cinemas, apresentará na próxima semana – e no próximo ano – um dos desfechos mais esperados das últimas duas décadas, talvez (em 3D hahaha).

Um garoto “comum” com um nome famoso. Nada de extraordinário. Em meio a feitiços, poções, magias, trapaças, romances, assassinatos, vilões, heróis, dragões, vassouras, amigos, amor, J.K. fez nascer, crescer e se reproduzir um herói dos mais aclamados, mais corajosos, mais amados que já vimos.

Assim como Frodo, – mas nem tanto também – ele não possui nenhum dom realmente especial. É bom sim, mas não o melhor nem o mais poderoso. Inteligente, mas preguiçoso, Harry, não teria chegado a lugar nenhum sozinho. Tão importante quanto ele, Rony e Hermione o ajudaram a prosseguir, sem contar os inúmeros outros que contracenaram e morreram contra Voldemort.

Mas, por baixo da história de ação, magia e romance que a maioria vê, J.K. nos passou mensagens muito mais profundas. Em seus livros ela cometeu uma série de pequenas gafes (eu sei porque já os li mais vezes do que seria saudável fazer). Em um momento, eles limpam qualquer sujeira com um aceno de varinha e um simples “limpar” ou secam roupas com um feitiço, em outro, lavam a louça e penduram a roupa para secar. E, para onde vai toda a sujeira? Matéria não desaparece simplesmente. Mas tudo bem, são coisas perdoáveis, pois, ao mesmo tempo que ela foge à realidade (e também a que ela própria criou) algumas vezes, ela aproxima sua história da nossa com incrível sutileza.

Alguém se lembra de Grindelwald, o bruxo das trevas que Dumbledore derrotou? Lembra QUANDO foi que ele fez isso? 1945. Fim da Segunda Guerra Mundial. E quando Harry nasceu e “derrotou” Voldemort pela primeira vez? Fim da Guerra Fria. E quem seria Voldemort senão a encarnação de um dos maiores males da humanidade, uma alma sem amor? E a construção da história foi tão bem elaborada que, no começo do primeiro livro, Sirius é mencionado (emprestou a moto voadora a Hagrid), mas só vamos saber quem ele é no 3º livro. E a capa da invisibilidade? A explicação real para ela aparece apenas no último livro! O pomo de ouro, o primeiro capturado por Harry, reaparece também nesse livro.

As quatro casas ressaltam exatamente os pontos mais distintos do ser humano: coragem e lealdade, inteligência e pensamento rápido, sentimentalismo e amabilidade, frieza, astúcia, egoísmo e desprezo pelo próximo. O conflito entre o bem e o mal, a natureza do ser humano, são ricamente trabalhados nessa história.

Mas acima de tudo, ela passa a mais profunda, maior e principal mensagem do livro.

Ela fala sobre o amor.

Mesmo com todo o poder que Voldemort possuía, ele não pode, enfrentar o simples e puro amor de uma mãe, de um amigo, o amor pela vida própria e dos outros ao redor. Foi o amor que salvou Harry quando pequeno e foi esse mesmo amor que o trouxe da morte. Foi o amor que matou Voldemort.

A maior mensagem que ela passa é: não importa se você não é o mais corajoso, o mais forte ou poderoso, o mais inteligente, o mais esperto ou o mais qualquer coisa, se você acreditar com seu coração, se tiver amor dentro de si, tiver amigos com quem contar, nada nem ninguém nunca poderá te deter.

24 de outubro de 2010

Um mundo selvagem


Ainda não publiquei o primeiro livro (o que tenho certeza que vai acontecer), mas aqui está um pequeno pedaço do segundo... ^^ (ele não tem nome ainda..)
O redemoinho negro e vazio, opressor, acabou tão de repente quanto começou. Dessa vez não caí no chão. Apareci no meio do ar naquele novo mundo. Ou seria o mesmo? A aurora não estava mais ali. Nem mesmo a escuridão. Ao meu redor, uma fortíssima tempestade de neve caía dos céus. Tão forte era, que eu não conseguia ver nem mesmo alguns metros à minha frente.
Olhei para trás. O portal ainda estava lá, em seu vácuo misterioso, flutuando em meio ao ar, sua matéria girando lentamente em torno da força que a sustentava. Alguns flocos de neve entravam por ele e eram outros como esses que eu tinha visto lá no longínquo mundo dos elfos.
Novamente minhas runas saíram dos meus bolsos e ficaram orbitando o espaço ao meu redor. Aquele realmente não devia ser um mundo seguro. Mas eu estava confiante. Uma confiança cega gerada pelas minhas novas habilidades e capacidades e que poderia ser fatal para mim.
Com receio de anunciar minha presença a qualquer coisa que pudesse estar ali, evitei acender uma runa ou fazer a neve parar de cair ao meu redor para que eu pudesse enxergar melhor.
Meu coração batia com força, uma mistura de medo, receio e adrenalina. Comecei a caminhar, sem ter nenhuma noção de para onde seguir. Resolvi, não sei porque, continuar em linha reta saindo do portal. Enquanto aquela tempestade não acabasse, eu não teria como me localizar ou descobrir uma direção para seguir. Mantive o ar ao meu redor aquecido de modo que não morresse de frio e segui em frente com firmeza, andando rapidamente, sentidos completamente alertas para qualquer coisa que pudesse aparecer. As runas continuavam ao meu redor, pressentindo o perigo.
Há um bom tempo eu já não podia ver o portal e não sabia se podia encontrá-lo de novo. Na pior das hipóteses, eu estava preso naquele mundo.
Não sei exatamente quanto tempo eu andei, nem que distancia percorri, mas tentei seguir a linha mais reta possível. Ouvi então passadas muito rápidas se aproximando pelas minhas costas. Pareciam ser dois pares de pés compassados, o que poderia ser tanto duas pessoas como um ser de quatro patas. Apostei na segunda opção. A presença da criatura era grande – tanto física quanto mágica. Me virei rapidamente me preparando para enfrentá-la e fui surpreendido por algo gigantesco voando na minha direção. Estava rápido demais – incrivelmente rápido. Não consegui me desviar a tempo.
Ela me acertou em cheio no peito com uma força descomunal. Voei para trás e cai no chão de costas com um baque macio. A coisa estava rápida demais. Passou por cima de mim e foi cair mais longe.
Me levantei depressa, atordoado com a força do impacto. Eu podia sentir as patas daquilo no meu peito como se ainda estivessem ali. Cinco unhas grandes ao redor de patas fortíssimas e macias e que iam da minha clavícula até quase o fim das minhas costelas.
O animal já tinha se virado para me atacar de novo. Parecia um urso, mas era mais esbelto, o corpo bem mais magro e definido, forte, ágil. Um longo focinho cinza deixava expostos caninos tão longos quanto facas, mais afiados que uma espada.
As runas ainda giravam ao meu redor e eu me perguntei porque elas não haviam disparado. E também não disparavam agora.
O lobo estava de frente para mim, já correndo, preparando o próximo ataque. Não era um lobo comum. Realmente tinha quase o tamanho de um urso pardo, mais de um metro de altura, uns três de comprimento.
Era maior que o maior dos tigres.

15 de setembro de 2010

A magia está no ar!!


Assistindo ao filme “O Aprendiz de Feiticeiro” tive algumas idéias. Na verdade, apenas vi um jeito de organiza-lãs de uma maneira nova. Em um texto.
Para quem ainda não sabe, eu escrevi um livro. Quero fazer uma trilogia, então ainda falta um caminho a se percorrer. O nome é “Herdeiros da Luz: O Início da Guerra das Sombras”. Bem brisante, eu sei, mas gostei desse título.
A história do meu livro se passa no nosso mundo (no começo apenas), do jeito que ele é. A magia é um elemento principal, assim como idéias espiritualistas e científicas, como a teoria da multiplicidade de universos paralelos que co-existem com o nosso, impossíveis de se alcançar materialmente. Ok, explicando assim fica difícil, mas, quando ele for publicado, é só comprar que vai entender direitinho a história.
Sobre a magia:
Quis “criar” uma forma nova de magia. Em outros livros que abordam este tema, ela é um tanto impossível, irreal e imaginativo demais (dã, é magia neh!). Ok, é magia e, tecnicamente, é impossível mesmo. Mas não no meu livro.
Eu quis aproximar ao máximo a minha história do real, da vida. Lá, a magia é de todos, qualquer um pode fazer magia, basta apenas saber controlá-la (existem exceções, mas não vou falar aqui, quando o livro sair, você descobre! ;D).
Eu gostei da forma de magia criada no filme. Nas outras histórias, ela não tem muita lógica. Uma hora, secam as roupas com um feitiço, na outra, penduram a roupa lavada, ainda que um simples “limpar” elimine diversas sujeiras. E a matéria que estava ali? Desapareceu? É, tenso.
Sem contar que, nesta história aí de cima e em outras, a magia é algo para alguns apenas, para uma raça especial, ou pessoas “escolhidas”.
No filme e também no meu livro, a magia é baseada na ciência, lógica e se aproxima ao máximo de coisas possíveis.
Uma pequena definição, extraída do meu livro:
- Qual a definição de magia? – ele me perguntou sem rodeios.
A pergunta me pegou desprevenido. Eu estava esperando explicações, não questionamentos. Pensei um pouco sobre a pergunta. Definição de magia? Sonnior nunca tinha me falado nada sobre isso.
Olhei para Galdor enquanto pensava. Ele esperava pacientemente pela resposta, olhando-me serenamente.
- Bem, – comecei, um pouco hesitante – acho que magia seria a “habilidade” – coloquei aspas na palavra enquanto falava – de se controlar a energia. Quanto maior seu domínio sobre ela, mais coisas conseguirá fazer.
- Porque pensa desse jeito? – perguntou ele.
Mais uma pergunta inesperada.
- Acho que porque para qualquer tipo de magia, é necessário energia. – esperei que ele dissesse algo. Como o silêncio se prolongou, perguntei – Estou errado?
- Sim e não. – ah, agora sim fazia sentido. Ele esperou que eu abaixasse a sobrancelha que tinha levantado antes de continuar – Sim, porque, como você disse, para qualquer tipo de magia, é necessário utilizar energia. E não porque o domínio da energia não é o essencial na magia, e sim uma técnica necessária para sua execução.
Ele deixou que eu absorvesse as informações antes de continuar, como Sonnior fazia.
- Um definição simples, mas mesmo assim correta, da magia, seria uma frase um tanto conhecida: “A mente domina a matéria”. – é, fazia sentido – Para dominar a matéria – continuou Galdor, sem se interromper – a mente precisa da energia, porém a energia não faz nada sozinha, precisa de nós, da força de nossos pensamentos para moldá-la. Uma definição completa da magia seria: “a utilização da mente no domínio da matéria através do controle energético”.
Nunca tinha pensado naquilo antes. Eu podia ver, pela lógica, que ele estava certo.
- Tendo isso em mente – ele começou outra pergunta – o que é possível fazer com a magia?
Eu tinha acabo de chegar nessa resposta antes mesmo de ele perguntar.
- Tudo. – respondi.
Ele parecia ter percebido que eu tinha entendido as implicações do “tudo”. Mesmo assim falou.
- Explique.
- Tipo, se tomarmos a frase que você disse como verdadeira – eu tentava fazer as palavras acompanharem o pensamento, que já estava muito a frente – ela não deixa implicações para limites, apenas afirma que a mente domina a matéria – como eu sabia que não era essa a resposta que ele queria, continuei – Quero dizer, se você puder realmente “compreender” a matéria, entender como ela funciona e alcançar sua “essência” com a mente, sua menor partícula, cada átomo, poderá fazer o que quiser com ela.
Esperei pela negativa. Galdor sorriu e eu pude ver que dessa vez eu tinha acertado. Ele não fez nenhum comentário nem elogio, apenas voltou a perguntar.
- E como podemos fazer isso? – suas perguntas não acabavam?
- Hã... treinando? – fiquei em dúvida.
- Com disciplina. – corrigiu ele. Acho que eu não deveria esperar um acerto por minuto – Disciplina e disciplina. – continuou Galdor.
A magia está em tudo, no ar, na terra, na água e no fogo, na matéria, em nós.
O nosso mundo é muito mais mágico do que você imagina. Para perceber, basta apenas acreditar.

10 de setembro de 2010

A magia das palavras


As palavras tem uma influência gigantesca na nossa vida, sentimentos, emoções, atos, reflexos, reações, pensamentos, perguntas, palavras.
Uma palavra pode fazer uma pessoa chorar, enquanto a outra sorri. Às vezes uma terceira pessoa faz as duas coisas ao mesmo tempo. O fato é que as palavras tem poder. Nada místico ou mágico, mas elas nos influenciam a cada instante, seja nos fazendo comprar, rir, chorar, amedrontar, amar.
A palavra escrita, eu diria, tem mais força que a palavra falada. Alguns dirão que não, porém, vamos analisar:
É claro que uma palavra falada pode fazer uma pessoa sentir com muito mais facilidade (veja, eu disse facilidade, não intensidade) do que uma palavra escrita. Mas... ela faz isso sozinha?
Não.
Uma palavra dita, apenas dita, sem entonação ou inflexão, não faz nada. Nem mesmo uma palavra tão bela quanto o amor, ou tão intensa quanto a paixão. Para que uma palavra falada tenha seu efeito, o tom da voz tem que ser modificado, o jeito que se fala, a velocidade, volume, o jeito que se olha e toca o nosso interlocutor, que se respira, transpira, sente e pressente. Vários fatores se unem à palavra falada para que ela tenha o efeito desejado, ainda que ela seja dita com sentimento, não pode fazer nada sozinha.
Já a palavra escrita, é diferente. Não é tão fácil se fazer sentir com um texto, porém pode ser tão ou até mais intenso do que quando a palavra é dita, basta apenas que quem escreveu tenha colocado sua intenção, seu sentimento em cada palavra, cada sílaba, letra, espaço e acento. É mais difícil porque você não vê a pessoa que fala, não tem todos os meios como a entonação da voz, volume e etc, que existem nas palavras ditas. Porém, quando a escrita é bem feita, tais coisas se tornam desnecessárias. Com algumas palavras escritas, pode-se fazer uma pessoa chorar de alegria ou terror, fazer os pelos do corpo se arrepiarem, o coração bater mais forte, a imaginação trabalhar loucamente, a mente ficar calma como água correndo na fonte.
Não sei se tenho o dom de fazer tais emoções e sentimentos despertarem através das palavras, posso, porém tentar. Tentar não mata ninguém certo? ;D
Concentre-se na leitura e deixe as emoções fluírem livremente. Um pequeno trecho do meu livro...
“Liberei as correntes de ar para que elas circulassem normalmente e abaixei os braços. Mantive, porém, a proteção ao nosso redor. Fih embainhou sua espada. Virei-me no mesmo lugar, assim como ela, para que não saíssemos dos limites do campo, mesmo que fosse apenas um dedo.
Na mesma hora percebi que não foi uma boa idéia. Praticamente não havia distância entre nós e seu corpo praticamente tocava no meu, o que acontecia na altura do peito. Sua respiração acelerou junto com a minha e eu ouvi o coração dela acelerar, assim como eu sabia que ela podia ouvir o meu. Seu hálito fazia cócegas no meu rosto e eu sentia o cheiro da sua pele ainda mais concentrado ali.
Seu cabelo brilhava muito levemente com as luzes da cidade não muito longe. Seus olhos corriam pelo meu rosto, alternando entre os meus olhos e a minha boca.
Minha força de vontade estava sendo minada rapidamente pela sua beleza e a nossa proximidade, sem contar todas as emoções que vieram crescendo dentro de mim nos últimos meses. Comecei a me aproximar sem que eu precisasse pensar nisso e ela fez a mesma coisa. O pensamento racional me dizia que eu não devia fazer isso, porém as emoções estavam é mandando a racionalidade à merda. E as emoções sempre falam mais alto que a razão.
Nossos lábios se encostaram suavemente e a boca da Fih se abriu um pouco, quase que instintivamente. Não consegui manter os meus fechados por muito tempo. Abri-os lentamente, fazendo com que os da Fih me imitassem. Ela olhava para mim com olhos semicerrados e eu não conseguia desviar o olhar. Eu estava preso ali e não tinha força de vontade que pudesse me fazer parar agora.
Passei meus braços rapidamente ao redor da sua cintura, sem nem me lembrar de ter pensado nisso. Puxei-a para perto, colando-a em mim, e a minha mão esquerda tocou em uma boa parte da pele das costas que ficava exposta pela blusa. Passei minha mão por baixo da roupa, espalmando-a nas suas costas quentes, entre as escápulas. Com o outro braço eu envolvi seu corpo pouco abaixo da cintura, sentindo o tecido de sua calça na pele.
Ela segurou com força no meu cabelo com uma mão e fechou os olhos. Beijou meus lábios com doçura e eu retribui o beijo uma, duas, três vezes. A Fiama puxou meu cabelo pela raiz até quase doer. Eu separei seus lábios praticamente com a língua e ela não demorou nem um pouco em responder.
Beijei-a com intensidade, que não ficou restrita apenas a mim. Ela correspondeu com vontade, passando as mãos pelas minhas costas e se puxando para mais perto de mim com força.
O gosto da sua língua, do seu beijo, era ainda melhor do que eu tinha imaginado.
Segurei seu cabelo bem perto da raiz também, o que causou uma reação positiva nela, aumentando a intensidade do beijo. Nossas bocas combinavam perfeitamente.
Inconscientemente, comecei a descer a outra mão. Foi passando pelas costas rapidamente, acompanhando a coluna e logo já alcançou o tecido da calça. Percebi o que estava fazendo e me detive por um instante. O desejo falou mais alto e não consegui mais me segurar. Fui descendo a minha mão devagar, esperando pela reação dela.
Quando minha mão inteira já estava em uma de suas nádegas, ela me deteve. O beijo parou por um instante, sem que nos separássemos, e sua mão segurou a minha. Apertei de leve a mão que estava por baixo da dela e mordi de leve seu lábio inferior. Ela pareceu se entregar e tirou a mão da minha, arranhando meu braço pelo caminho.
Desci a mão até a sua coxa e segurei com firmeza. Eu acariciava seu corpo com delicadeza e firmeza, mas alguma coisa estava incomodando dentro da minha cabeça desde o começo, como um zumbido.”

Conseguiu sentir? Talvez sim, talvez não. Como eu disse, não sei se tenho esse dom. Valeu a tentativa. Vamos ver então um outro sentimento.
Mais um trecho do meu livro:
Um grito agudo, de dor e medo, cortou o ar, chegando até mim. Não era a mesma voz que havia rido. Não era uma voz de orc, nem élfica.
Era uma voz humana.
E eu sabia no fundo do meu coração a quem pertencia aquela voz, mesmo eu nunca tendo ouvido ela produzir tal som.
Um medo imenso penetrou fundo na minha mente e no meu peito. Corri a toda velocidade naquela direção, sem prestar atenção em nada ao meu redor. Graças a essa desatenção, fui atingido por um pé imenso.
Um troll estava perseguindo um elfo ferido e acabou me acertando. Eu voei novamente, mas dessa vez eu tinha um objetivo. Parei o vôo no meio do ar, a dez metros do troll que urrava e já vinha na minha direção. Senti uma dor aguda onde ele tinha me acertado, bem no peito, mas não me preocupei com isso. Embainhei minha espada e avancei na direção de um orc. Quebrei seu pescoço com um movimento rápido das mãos e peguei a lança que ele segurava. Segurei-a com firmeza com uma só mão e corri de encontro ao troll.
Saltei quando estava a três metros dele e joguei o ombro para trás. Eu estava um pouco mais alto que a sua cabeça. Ele esticou a mão para me pegar. Eu urrei e estoquei com toda a minha força.
A lança penetrou no seu capacete e fincou-se até metade do cabo na cabeça, saindo nas costas. Deixe-as lá mesmo e saltei por cima dele antes mesmo que começasse a cambalear. Não olhei para trás e voltei a correr na direção de antes.
Eu podia ver agora o lugar da explosão. A grama estava queimada em um amplo circulo e havia vários elfos ali fazendo uma linha, tentando impedir o avanço das tropas inimigas. Ouvi novamente a risada gélida, mas não parei para ver o que era. Fui direto para a parte de trás da linha onde um elfos corria na direção de uma massa escura no chão.
- Elke! – eu gritei, praticamente sem voz já.
Ele me ouviu e parou.
- O que aconteceu? – eu o alcancei. Seu rosto estava pálido e ele não fez a cara de desprezo que sempre fazia para mim.
- Eu não sei de onde ela surgiu Willian. Estávamos enfrentando aquele mago. Então a Lea foi golpeada e arremessada longe. Eu fui atrás dela. Quando cheguei lá, vi que ela estava bem, não muito ferida. Curei seus machucados. Foi nessa hora que ouvimos um grito de gelar o sangue.
- Onde ela está? ONDE ELA ESTÁ? – gritei para ele.
Ele me levou, correndo, para um ponto mais afastado da batalha. A massa escura no chão que eu tinha visto antes.
Ele parou alguns metros longe, me deixando prosseguir sozinho. Parei derrapando ao lado da Lea, que estava debruçada ao lado de um corpo. Joguei a espada embainhada e o escudo no chão.
- Lea. – minha voz estava trêmula.
- Me desculpe Will. Eu não sei o que deu nela. Ela tentou me proteger, atacou o mago quando ele me acertou. Não sei de onde ela saiu.
Não. Não. Não podia ser verdade! NÃO PODIA!
Olhei para o corpo que ela amparava.
Seu rosto estava todo machucado, com vários pequenos cortes, sujo de sangue dos outros e do dela próprio. Havia uma feia queimadura por baixo de uma parte derretida da sua armadura. A roupa estava queimada e sua pele nem vermelha estava. Parecia estar carbonizada.
Um pânico sem tamanho tomava conta de mim. O ar parecia não querer entrar nos meus pulmões. Olhei para o seu rosto cheio de dor novamente.
- Bruna. – sussurrei com o fôlego que não tinha.
- Eu não estou conseguindo curar esse ferimento Will. Por mais que eu tente, não dá. Já não sei quanta energia eu liberei e nada muda. Ela perdeu a consciência há alguns minutos. – ela deu uma pequena pausa, esperando que eu falasse – A última coisa que ela disse foi o seu nome.
Lágrimas brotaram tão fortes pelos meus olhos que eu fiquei sem ver nada. Enxuguei-as bruscamente e segurei o rosto dela com as mãos.
Não, ela não podia estar morta. Não!
Senti uma leve brisa em uma mão, que estava bem abaixo do seu nariz.
- Ela esta viva! – gritei para a Lea.
- Está. Mas não sei quanto tempo ela pode agüentar. Não consigo curá-la e não sei onde estão Galdor ou Gladheron. Não sei nem se eles podem curar um ferimento desses.
- Cala a boca! – gritei para ela, furioso. Uma nova onda me impelia agora. Ela não tinha morrido, ainda não. Eu ia salvá-la, eu tinha que salvá-la... Mas como? – Ela não vai morrer. – falei entredentes.
Passei meus braços por baixo do seu corpo e a peguei no colo. Levantei e olhei em volta. Eu tinha que fazer alguma coisa!
- Will... o que você pode fazer? – a voz da Lea estava cheia de pena.
- Você prefere deixá-la morrer sem fazer nada? – gritei para ela novamente. Eu não desistiria tão fácil
- É claro que não Will! Mas.. não sabemos como salvá-la.
- Eu sei! – gritei, mas na realidade não sabia – Tenho que saber. – lagrimas caíram novamente pelo meu rosto, molhando as roupas destruídas da Bruna.
Elke se aproximou lentamente. Seu rosto estava transtornado com o meu desespero.
Pensa. PENSA! Gritei para mim. Eu tinha que achar um jeito.
Pensei em Sonnior. Mas se a Lea não tinha sido capaz, ele não conseguiria. Mas... espera ai. Pensar nele me fez lembrar de outra coisa. Algo que ele tinha me dito.
- Apenas se realmente precisar... não foi isso que ele disse? – sussurrei enquanto pensava. Era isso. Eu tinha que encontrá-la.
Virei-me na direção da floresta.
- O que você vai fazer Will? – a voz da Lea estava cheia de dor. Olhei para ela e vi que haviam lágrimas nos seus olhos.
A risada gélida cortou o ar novamente.
- Eu vou salvá-la. – a convicção em minha voz podia convencer qualquer um que eu conseguiria.
Virei-me para o Elke.
- Acaba com ele pra mim.
- Pode deixar. – um brilho de ódio relampejou por seus olhos e dentro de mim.
Sem perder mais tempo, sai correndo na direção da floresta.
Eu corria mais rápido do que já tinha corrido na minha vida. Tudo passava como um borrão para mim. Eu pulava corpos e lutas, às vezes viajando vários metros no ar, para cair cada vez mais perto do meu destino. A floresta. Eu tinha certeza de que se chegasse na floresta eu poderia salvá-la.
Mas ela estava tão longe.
Várias horas já haviam se passado desde o começo da batalha. Mais um pouco o Sol subiria pelo horizonte e a hora mais escura de um dia, era a que precedia o amanhecer, onde, mistificamente, as criaturas malignas seriam mais fortes. Eu não conseguia ver as árvores ao longe. E a cada segundo que se passava a vida se esvaía mais da Bruna. Eu sentia isso como se fosse eu mesmo que estivesse morrendo.
- Agüenta firme meu amor. – eu sussurrava para ela enquanto disparava por entre a batalha.
A essa altura os orcs já estavam entrando na cidade e eu ouvi os tiros ao longe dos arqueiros. Mas eu não podia me preocupar com isso agora, eu tinha que salvar a vida da Bruna.
Continuei correndo e finalmente achei as árvores. Entrei voando por elas, sem me deter para nada. Corri por centenas de metros sem direção, apenas entrando cada vez mais fundo na mata. Tá, eu tinha chegado na mata. Agora, como eu ia encontrá-la?
Comecei a pedir mentalmente, a suplicar para a floresta que me ajudasse. “Por favor, por favor... me ajudem. Não quero para mim, salvem a vida dela, por favor”. E continuava correndo totalmente sem rumo.
Não sei dizer quanto tempo eu procurei e corri. O tempo tornou-se algo totalmente abstrato e sem importância. Só sei que em determinado momento eu senti que ela morria. O ultimo sopro de vida ameaçava abandonar seu corpo. Sem saber como eu estava fazendo aquilo, comecei a transferir minha própria energia para o corpo dela, mantendo seu coração batendo. Eu podia ouvi-lo e ele estava cada vez mais fraco. Passei a sustentá-la com a minha força enquanto continuava correndo e suplicando.
- Por favor! – eu gritava agora – Salvem a vida dela. Não deixem que ela morra. Por favoor! – minha voz ecoava pela mata e morria ao longe.
Novas lágrimas caíram dos meus olhos quando eu sentia que já não podia mais correr. Eu dispensava cada vez mais energia para mantê-la viva. Se continuasse assim, nós dois morreríamos ali, sozinhos, no meio da mata. Eu até gostava da idéia.
Continuei andando, sem parar de procurar algo que eu nem sabia se realmente existia.
Finalmente minhas pernas perderam a força e eu cai de joelhos no chão. Meus braços não agüentavam mais segurá-la. Sentei nos meus pés e apoiei seu corpo no meu, trazendo-o mais para perto. Olhei em seus olhos, fechados e imóveis, sentindo que a vida se esvaía também de mim enquanto a mantinha viva. Minha mente fraquejou e meu dom se desligou. Eu ainda ouvia o som do seu coração, e também do meu. Os dois estavam quase no mesmo ritmo agora, aproximando-se de suas ultimas batidas.
Minha visão começou a falhar e eu sentia que a morte se aproximava. Do campo de batalha ela estendeu uma de suas garras para nos levar.
O tempo inteiro eu sabia que era isso que ia acontecer. Eu não conseguiria salvá-la. A meses eu sabia que ela morreria, só naquela hora percebi.
- Bruna. Eu te amo. – movi os lábios, sem força para falar.
Minha vista escureceu e seu rosto se tornava menos nítido. Seu corpo mutilado drenava as minhas últimas reservas de energia. Eu estava conformado com a idéia e deixei que isso acontecesse.
Eai? Emoções completamente diferentes, certo?
O meu último post, “Não leia de noite”, da uma outra ideia de como as palavras podem produzir diversos efeitos!
Essa é a arte, a magia das palavras.

11 de agosto de 2010

Herdeiros da Luz - O Início da Guerra das Sombras

Para quem não sabe, eu escrevi um livro, e esse é o prólogo dele. Leiam e comentem.
- Todos de pé! Estamos sendo atacados! Acordem! Rápido, precisamos nos defender. Agora!
Por todo o acampamento o som da trompa de batalha dos elfos foi ouvido, na tentativa desesperada de Elke, um jovem elfo (para os padrões deles), de alertar nosso exército do ataque inesperado do inimigo.
- Onde é o ataque? – Perguntou Leanor, uma elfa pouco mais velha que Elke. – Como conseguiram nos pegar de surpresa? Os alarmes não funcionaram?
- Parece que não, Morgaroth com certeza deu um jeito de desligá-los ou confundi-los. – Nessa hora um som muito agudo e alto ecoou pelo acampamento-campo de batalha em que estávamos. – O que foi o que acabei de falar? Rápido, venha comigo Lea, eles estão atacando nossos flancos. Vamos ter que dividir nosso exército mas nós não vamos perder!
- E o Willian?
- Foi ele quem ouviu os inimigos se aproximando e nos avisou. Já foi para frente de batalha, já deve estar quase no nosso flanco direito agora.
- Então temos que concentrar forças no flanco esquerdo, e rápido.
- Eu sei disso, agora vamos, temos que chegar logo.
Os dois pararam de falar e foram correndo para a batalha. Como são elfos não demoraram a chegar lá.
Com certeza você não está entendendo muita coisa. Vou tentar esclarecer um pouco.
Estamos no meio de uma grande guerra, na verdade, a maior guerra de todos os tempos e mundos. Seu desfecho vai decidir quem sobreviverá, quem triunfará e como vai ser o resto da história dos mundos e, talvez, dos universos.
Acho que eu compliquei ainda mais as coisas não?!
Antes que você pense que essa é mais uma daquelas histórias de guerras entre homens elfos e anões e uma força mágica do mal, das quais está cheio por ai, deixe eu me explicar um pouco.
Bem vamos começar do começo então. Meu nome é Willian, o mesmo que Elke e Lea estavam falando. Não vou tirar todas as suas dúvidas agora, você vai entender tudo no decorrer da história, mas posso lhe assegurar que sou humano.
A guerra da qual estou falando é a maior guerra épica que já houve e haverá no nosso mundo e em todos ou outros mundos co-existentes com o nosso, em universos paralelos.
Há alguns anos, em um dia comum, em uma cidade comum do Brasil, quando eu ainda era uma pessoa comum, não consegui chegar a tempo na escola. Os portões estavam fechados. Nesse dia conheci Sonnior e o salvei (e também a mim) da morte com a ajuda de muita sorte, das mãos do que hoje, podemos dizer, é como se fosse uma planta que tenta me atacar, de tão fraco.
Após Sonnior salvar minha vida e eu acordar, pois tinha desmaiado e quase morrido ao matar a coisa, ele me contou que era um mago e eu decidi aprender magia com ele (não foi tudo tão rápido assim, é claro). Decidi, na verdade, é só uma palavra que usei para preservar meu livre-arbítrio, pois depois descobri que na verdade eu não tinha escolha. Não naquela hora pelo menos.
Eu fui escolhido, junto com alguns amigos de muito tempo atrás, para liderar uma “rebelião” contra as forças que não só ameaçavam, mas estavam conseguindo dominar todos os mundos. Se algo não fosse feito imediatamente, ninguém de bem viveria para contar esta história.
Os mundos nos quais nascemos já estavam, mesmo que de formas diferentes, sob pesado domínio dessas criaturas, os Dragões, - que não tem nada a ver com os répteis alados que cospem fogo - seres milenares exilados de outros orbes e que buscam a extinção de tudo o que é bom. Os Dragões não habitam a nossa dimensão, a material, e nem a de nenhum outro mundo paralelo ao nosso. Eles vivem em um plano de onde podem comandar seus exércitos em todos os mundos.
Chega de conversa. Agora vou te contar a história dessa guerra, a história de meu mundo e de todos os outros, a história daqueles que deram suas vidas para que hoje eu pudesse lhes falar sobre eles. Se triunfarmos, vocês conhecerão a continuação da minha história. Se fracassarmos, mostrarei-lhes seu fim.
Falarei agora um pouco mais de nós, um pouco mais de mim. A minha história, começa assim.

 
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