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6 de maio de 2011

Uma nova manhã



As nuvens hoje flutuavam no céu, cada uma em seus espaços delimitados, com suas bordas semi e definidas, sem se tocar, mantendo-se em seus gomos, encantando-nos com sua beleza de algodão, imóveis, sem se desmanchar como se fossem vitórias régias boiando sobre um lago imóvel aos milhares, muito próximas mas sem deixar de manter sua individualidade, indo de horizonte a horizonte, formando caminhos infinitos para que os anjos pudessem caminhar sem que pudéssemos vê-los, mas sem deixar de senti-los.

Chegando perto do Sol, era como se seu halo as derrete-se, deixando um círculo de pura luz ao seu redor onde ele brilhava fulgurantemente com a dignidade do astro rei, intocável e invisível em sua beleza e brilho.

Pelo alto, as nuvens brilham com tamanha luz, iluminando o caminho dos que passam por ali, refletindo e absorvendo sua luz e energia para depois emaná-las para nós na forma de tamanha beleza apenas visível para aqueles que quiserem enxergar.

Embaixo ficam meio acinzentadas, mas não que queiram nos entristecer, mas apenas nos mostrar nossa verdadeira condição. Mas, ainda mais, nos mostrar que basta querermos para podermos deixar de andar sob a sombra das nuvens e caminharmos sob o brilho do Sol, pois os anjos nada mais são do que mensageiros de Deus que vêm nos dizer a mesma coisa: somos todos iguais, somos todos capazes.

13 de outubro de 2010

A criação da criatividade

Toda pessoa, quando criança, já teve seu momento “excesso de criatividade”.

Às vezes, falávamos coisas tão absurdas que nossos pais ou nos mandavam calar a boca ou vinham com um olhar de pena dizendo: Tudo bem, tudo bem.

Sim, já passei por isso.

Uma criança não tem dificuldade para criar os mais diversos cenários mirabolantes com apenas um pedaço de massinha. Eu nunca tive dificuldade com isso. Podia passar horas e horas sozinho brincando com meus bonecos ou simplesmente de olhos fechados, imaginando. Sempre sofri de excesso de criatividade e sempre pensei muito nisso, desde pequeno.

Quando crescem, as pessoas abandonam esse tipo de pensamento por ser “infantil” por “não ser coisa de adulto” etc. Muitas tem vergonha disso e lembram de si como “idiotas”, “retardados”, “bobos”, “bestas” etc.

Agora, essas mesmas pessoas admiram um escritor famosos, um músico ou pintor talentoso... Mesmo quando suas obras fogem totalmente à realidade. Ou tem alguma coisa de real em “O Senhor dos Anéis”? Ou nas pinturas cubistas de Picasso? (Picasso pintava cubismo né?).

Sabe qual a diferença entre esses dois grupos?

Os que pertencem ao segundo não abandonaram sua criatividade de criança.

Descobri que a criatividade não é um dom. criatividade é uma qualidade a ser trabalhada. Se alguns são mais criativos que outros, é porque eles trabalharam mais a sua criatividade ao longo dos anos e vidas, não tiveram vergonha de continuar, em parte, pensando como as crianças que foram, que são.

Sem falsa modéstia, a pessoa que vos escreve é relativamente criativa, bem mais do que a maioria das pessoas. Sou criativo por exercitar minha criatividade, produzindo, escrevendo, imaginando, pensando, brisando...

Mas não adianta nada ser apenas criativo. Uma pessoa pode ter facilidade em imaginar e criar, mas, se não alimentar a imaginação, não produzirá nada muito variado. Você tem que estar sempre dando novas informações para a sua mente processar, associar, destrinchar, analisar, unir e fundir com outras coisas.

Leia, observe a tudo e a todos, seres humanos e animais, a natureza, aprenda tudo o que for possível sobre tudo o que te cerca, não deixe seu cérebro parar de trabalhar.

Se quiser escrever, falar, pensar sobre algo, comece analisando o “tema”, pense no real significado da palavra, o que ela realmente é. Depois, passe para outros possíveis significados, comece a associá-la com coisas do dia-a-dia, com pessoas, situações, sentimentos. Não despreze nada. Por mais absurdo que possa parecer, alimente a idéia. E anote tudo, não confie na memória.

Quer ver como é fácil?

Vamos (eu) escolher um tema...

Hum...

Já sei!

O Sol.

Todos os dias, ao olhar pela minha janela, vejo o Sol raiar, nascer, crescer e se fortalecer. Seus raios luminosos levam um novo dia de vida, uma nova esperança...

Esperança...

Luz é esperança! Luz é vida que brota em nosso interior e irradia para todos os lados, iluminando a tudo e a todos, nos fazendo querer progredir e nunca deixar de viver.

O Sol.

Estrela de quinta grandeza, pequena e radiante, mas muito importante. Um pequeno ponto brilhante nessa imensidão de universo, isolado em um canto sem nunca ser menos que os outros.

Nós...

Nós somos luz! Irradiamos beleza e felicidade, amor e amizade. Temos, cada um, um pequeno Sol interior que pode ser milhões de vezes mais potente do que esse que nos ilumina! Podemos brilhar e fulgurar, iluminar sem nunca deixar de aumentar...

Viu? Não é tão difícil assim...

Use seus momentos de ociosidade para alimentar seu cérebro com novas informações e para trabalhar as que já tem.

Criatividade, novamente, é algo a ser trabalhado.

Não tenha vergonha de produzir e sempre mostre seu trabalho para alguém, pergunte o que a pessoa achou, aceite criticas e use-as para melhorar. Apenas treinando podemos evoluir.

Uma pessoa mais criativa, é uma pessoa mais inteligente, mais sagaz, com raciocínio rápido e direto, que encontra soluções com mais facilidade.

Questione sempre tudo ao seu redor. Se algo acontece, procure saber PORQUE, aquilo acontece, COMO acontece, QUANDO acontece, tudo sobre o mecanismo, objetivo... tudo. Esse é o método Socrático de analise. Sempre questionar tudo, nunca acreditar em nada sem pensar.

Vamos deixar a nossa criatividade aflorar!

Vamos, é só tentar....

;D

12 de outubro de 2010

Pensamentos dispersos


Quando a cabeça fica sem pensamentos, é extremamente difícil produzir algo. Nenhum pensamento passa, estão todos estagnados, estáticos, cada um dormindo no canto que lhe é reservado da minha mente, sem produzir ou pensar. Tento animá-los, agitá-los, mas nada funciona, eles continuam nos seus lugares de descanso.
Luzes brilham por todos os lados, refletindo-se mutuamente nas sílicas espalhadas pela metrópole, nas nuvens que recobrem um céu luminoso.
A cidade dorme. Sinto sua inspiração, sua expiração, em cada movimento que realizo. Concentro minha mente e escuto os ruídos longínquos de mentes que trabalham, influenciando a minha a fazer o mesmo.
Lembranças de um lugar distante e querido, à pouco visto, mas há muito lembrado, brotam em flashes esparsos que teimam em trazer memória prazerosas e dolorosas, ambas ao mesmo tempo.
O cérebro continua na ociosidade passageira, imagino luzes que não iluminam. Dessa vez, na máquina não sopra sequer uma brisa...
Lembro-me dela... E também deles, e delas, e em como todos me fizeram felizes. Recordo momentos passados entre amigos que foram, amigos que ficaram e amigos que estarão para sempre.
Não é maravilhoso encontrar alguém que não se via há muito tempo em um momento totalmente inesperado, totalmente por acaso, em um dia que prometia ser como outro qualquer?
Alguns fatos da minha vida dariam um bom livro... ;D
Quantas histórias não podiam rodar em volta de tantas pessoas, de uma pessoa...
Cada palavra, antes de chegar aos dedos, surge quase que instantaneamente no cérebro, que repassa a informação sem nem mesmo avaliar o que está sendo transmitido, e é nisso que dá um momento de vontade sem idéias...
Queria falar sobre tantas coisas... Mas não consigo focalizar uma apenas, nem mesmo muitas. Não consigo focalizar nada.
Quero produzir! Só não sei o que, nem como, nem porque...
Porque seria?
Para provar que posso? Talvez, mas não é isso... Às vezes é apenas algo que mantém a cabeça ocupada e a impede de pensar em coisas que não seriam tão agradáveis no momento, ou que exigiriam demais de uma mente cansada.
As pálpebras começam a se fechar, mas o que eu quero mesmo é passar a noite inteira com os dedos em movimento. Talvez eu passe mais algum tempo por aqui...
Sabe, escrever é a maneira perfeita de conversar consigo mesmo. Às vezes algumas ideias teimam em não querer se desenvolver e frutificar na nossa mente, temos dificuldade de formular um pensamento ordenado. A solução? Escrever. Esse ato ajuda a organizar melhor as ideias e muitas vezes você acaba pensando e chegando à conclusões que não tinha imaginado antes.
Está com um problema? Escreva sobre ele, quem sabe a solução não vem pelas suas próprias linhas?
É um pouco estranho em como eu me sinto à vontade de escrever tantas coisas de mim em algo tão sem privacidade quanto um blog na internet... Mas eu sinto como se esse pequeno site fosse um amigo. Um amigo que não me faltou em nenhuma hora que eu precisei, seja por ter escutado meus problemas e ideias, seja por ter me trazido as sábias palavras dos meus amigos.
Já disse isso muitas vezes, mas eu amo escrever. Não vou desistir desse sonhos. Quem sabe, um dia, esse blog não vai receber alguns milhares de visitas a mais por dia, depois que eu conseguir publicar meu primeiro livro?
O segundo? Está entrando no forno agora.
Algumas palavras estão se formando no espaço ocioso da minha cabeça. Vou escrevê-las para que não as perca.
Está vendo? Acabei de descobrir mais uma coisa: está sem inspiração para escrever? Escreva um pouco, essa é a resposta!
Valeu!
;D

10 de outubro de 2010

As luzes da vida





O tempo passa em tantos tempos da nossa vida. Tantas vezes perdemos segundos preciosos transformados em momentos de tristeza e maldizer.

Nos encolhemos nas sombras das palavras que dizemos, das injúrias que proferimos. Esquecemos de nós e dos outros nos nossos dias, pensando e agindo através de pessoas que não somos, que não queremos ser.

Encolhemos sensações, abafamos emoções, deixamos os sentimentos passarem por nós sem nos tocar, circundando nosso espaço sem nem mesmo reagir, interagir, ouvir ou tentar sentir.

Quantos de nós podem dizer que são felizes?

Poucos. A maioria nem sabe realmente o que é felicidade. Passam a vida praticamente sem ter um momento de alegria, um sorriso sincero por pura espontaneidade, simplesmente por sorrir sem ter que pensar, só porque deu vontade.

A Luz – do Sol, das estrelas, da Lua – incide sobre tudo e todos a todo instante, atravessando nuvens e paredes, iluminando qualquer espaço ou pessoa. Desde que tal ser deseje ser iluminado por ela.

Luz que viaja para todos os cantos do universo levando seu brilho, cobrindo milhares de quilômetros em um piscar de olhos.

Mas o que seria a Luz?

Existem tantas definições...

Pensamento é luz! A forma mais veloz e sublime, mais potente e que brilha mais forte, livre e indomável como o ar, transformador. Suas ondas viajam de um lugar ao outro com apenas a sua vontade, seu desejo, cobrindo milhões de quilômetros em um instante. Ilumina mais do que qualquer outra fonte, levando seus raios até mesmo para os lugares que se recusam a recebê-lo, pois pensamento é conhecimento.

Luz também é amor! Amor livre e poderoso que brilha e ilumina não só as pessoas que o sentem, mas tudo e todos ao seu redor, aquecendo e modificando profundamente, irreversivelmente.

Então o ar também é luz...

As palavras, onde quer que vão, levam faíscas, pulsares, brilhos dispersos ou não, luzes intensas e também mais fracas, levam vida e despertam a imaginação, incitam a emoção, movimentam a sensação.

Sentimentos que brilham com a intensidade de uma estrela, jogam seus raios para todos os lados sem discriminar. Sentimentos esses que também são levados pela fluidez de uma palavra, de uma escrita, de uma frase, de um texto ou de um livro. Palavras líquidas que se iluminam a quem quiser ler, ver, que se movimentam e ocupam espaços da mesma forma que a água que brilha e da vida.

E assim, a água também é luz...

E os sonhos? Ah, os sonhos são uma das mais belas formas de luz. Dão a esperança que já é implícita à luz para aqueles que tem medo de ver, medo de ouvir e sentir. Sonhos que mudaram nossa vida para sempre quando deixamos as trevas para viver na luz, quando começamos a sonhar com o sonhar, sonhar com a vida, assim como um dia fez a terra, vendo as sombras refugiarem-se nos cantos das paredes e de nossa alma com a luz que bruxuleia.

Assim também descobrimos a amizade.

A amizade, ainda que não queiramos ver qualquer outro tipo de luz, nos ilumina de dentro para fora e acabamos nos tornando a própria Luz.

Descobri que a terra também é luz...

Existem algumas emoções que são mais intensas, mais quentes, que brilham de um modo mais selvagem, quase incontrolável. Ainda assim, o desejo nos mostra, através de sua luz e calor, lados da vida que não poderíamos ver de outro modo. Ele nos testa e faz com que conheçamos melhor a nós.

O amor e a paixão ardem também com a ferocidade do fogo, nos queimando e consumindo, fazendo-nos viver com mais brilho e intensidade, com mais vida! Queimam, consomem e regeneram, sempre iluminando a tudo.

Alguém pode dizer que o fogo não é luz?

A Luz está em tudo em todos, está em nós e no universo, porque a Luz nada mais é do que o nosso criador. Deus criou a Luz da própria essência de seu ser. Luz é esperança.

Esperança de que poderemos dar mais um passo sem medo, pois há alguém que brilha por nós, iluminando nosso caminho, ajudando-nos a não tropeçar, nos mostrando o ponto de apoio para levantar.

Luz; matéria divina, imaterial e palpável, que ilumina e dá brilho, veloz e fluida, sonhadora e apaixonada, amante e intensa, sublime.

Então, é assim que nós somos...

Luz

3 de outubro de 2010

Pout Pourri (again)

Esse foi um dos primeiros textos que eu postei, no mês de agosto. Estou repostando ele em homenagem à minha grande amiga Paloma, que foi quem mais gostou dele!! ;D imagino que muitos de vocês não o tenham lido, então... aí vai uma possibilidade!! ^^


Primeiramente, nascemos. Então, programam-nos para receber o que os outros nos empurram. Crescemos cercados por ideologias e muitas vezes não nos encontramos em nenhuma delas. Algumas são tão exageradas que nos seguram com mãos de aço, exigindo que pertençamos à elas.

Grite! Não é dominando que irão nos entender.

Não fique em cima do muro. Ainda é cedo para desistir. O mundo é um moinho e a cada dia que acordamos, não temos mais o tempo que se foi, pois o tempo, o tempo não para.

Mesmo estando cercados por cofres e estátuas, não se assuste, o vento está lá fora, e muitas vezes é só imaginação. A humanidade é desumana, cruel. Quem dera-nos que fossemos vistos como os mais importantes.

Que pais é esse que mata seus ídolos? Sufoca os que querem mudar o mundo?

Mas os nossos filhos terão nomes de santo e ninguém os deixará acreditar que o mundo é perfeito. Tentarão fazer com que se percam entre monstros, monstros que eles mesmos criaram.

Perguntas serão abafadas, a critica não será aceita.

Porque o céu é azul? Expliquem toda essa fúria desse mundo!

Homens em paz não querem guerra com ninguém. Tem gente que não sabe amar. Nós não sabemos quem somos e se apagarmos, tudo fica escuro. A escuridão, porém, já foi pior. O medo não pode vencer, o futuro não pode repetir o passado, nossas idéias precisam corresponder aos fatos! Nossos inimigos estão no poder e acreditam que com o ouro entrarão no céu. Não vamos deixar que substituam nossos corações por medalhas! Brilhemos por toda parte, onde estivermos! Vamos transformar nossas lágrimas no sangue que nos deixa de pé.

Eu vejo a vida melhor no futuro, um novo começo de era. Vamos crer no amor!

Imagine no possessions! Ok, I’m a dreamer, mas eu não sou o único. Encontremo-nos! Acesso é poder e o poder é a informação. Não deixe que vendam as nossas almas em um leilão, nós podemos mudar o mundo, ninguém roubará nossa coragem dessa vez. Não vamos deixar que derrubem nossos muros. Que a nossa garganta arranhe a tinta das paredes deles ao gritarmos a nossa revolta.

Não vamos sentar em nossas casas, esperando o tempo passar para depois pensar que devíamos ter amado mais, chorado baixo pelos cantos, ter visto o Sol nascer, nenhum tempo é perdido.

O Sol, ah, o Sol, ele nasce para todos e mostra-nos que os caminhos são sim, muitos, porém levam todos para o mesmo lugar. Vamos pedir a Deus um pouco de malandragem e assim viveremos ainda mais com a caridade daqueles que nos detestam.

Veja! Não diga que a canção está perdida! Vamos ter fé! É só desejar profundo, com sinceridade. Amanhecemos brilhando mais forte. Com a ajuda de nossa camarada, fiquemos tranqüilos. Quem disse que a sorte não pode vir em um realejo?

Se não deu certo, tente outra vez! Pra quem tem pensamento forte, o impossível é questão de opinião! Não viva esperando dias melhores. Faça o seu dia melhor.

29 de setembro de 2010

Quando as luzes se acendem

O ser humano é uma criatura estranha. Desde o começo, esforçou-se para aprender tudo o que podia sobre tudo o que o cercava.

Ao ver o choque entre duas rochas produzir uma faísca, descobriu o fogo. Observando os pássaros voarem, inventou o avião. Tentando apreender tudo o que o cercava, começou a enxergar Deus.

Ávidos por conhecimento, não cessamos nunca de pensar e imaginar.

A imaginação porem, associada ao pensamento não-lógico, algumas vezes, cria outras coisas que não coisas para o nosso benefício.

Crenças e superstições, lendas, mitos, fantasias, realidade. Medo.

O medo sempre esteve junto do homem, acompanhando-o a partir do instante que pode compreendê-lo. Medo das feras, da chuva, dos raios, do fogo, da natureza, do homem, da morte, do escuro. Medo do Medo.

Existem centenas, milhares, infinitas razões, racionais ou não, para sentirmos medo. Algumas são lógicas e reais, algumas imaginativas e etéreas. O homem teme, principalmente, pela sua vida e o desconhecido, dois medos lógicos e também não, racionais e emocionais.

Mesmo entre os que acreditam que a vida não acaba quando o corpo morre, o medo do que há além da “vida” esta presente em suas (nossas) vidas, pois nesta passagem, juntam-se os dois maiores medos do homem que eu acabei de falar, morte e desconhecido.

O desconhecido pode causar dor, revolta, sofrimento, desconforto, angustia, perdas, loucura, morte. São algumas razões (racionais ou não) que nos fazem temer o desconhecido, o escuro (Leia o texto “Quem tem medo do escuro” no mês de agosto).

Há, porém, alguns que temem algo maior e melhor, e esses são os que merecem toda a nossa compaixão.

Pessoas que se entregaram às sombras e ao medo, cavando buracos profundos em suas mentes e escondendo-se lá, refugiando-se do medo nele mesmo, acolhendo-o, cegando-se por sua própria vontade, perdendo-se em labirintos sem fim entre seus iguais, seus eu-mesmo (Leia o texto “A dança das estátuas” do mês de agosto).

Nessa hora, o medo já faz parte delas, elas não o sentem mais. Pelo menos, não pelo que deviam sentir.

Se você tem medo do escuro, sinta-se reconfortado, essas pessoas, elas sentem medo da Luz.

Transformaram-se em estátuas-vivas, presas infinita e atemporalmente na inércia de sua falta de movimento. Movimentam-se em círculos sem fim, temendo sempre que seu mundo possa desmoronar por causa do brilho de um vagalume.

Escondem-se nas sombras criadas pela Luz, sempre fugindo seus olhos do brilho que cega, que machuca, que amedronta.

Não vêem, na aprendem, não sentem, não amam.

O conhecimento lhes foge, pois acham que sabem de tudo. O outro lhe é invisível, pois, quando o olha, vê apenas um espelho que reflete seu egoísmo e sua ignorância.

Não suportam bons sentimentos, pois eles brilham. Não suportam o amor, pois ele é Luz.

Não poderão se salvar se não enfrentarem o seu medo, coisa que “nunca” farão, pois temem o medo.

Esses são os que mais sofrem no mundo.

Não deixe que seus olhos, sua mente, se acostume com as sombras, é muito fácil. Difícil é voltar depois para a Luz.

Tenha medo das sombras, mas nunca da Luz.

20 de setembro de 2010

Yin Yang

"Pois o bem e o mal, o claro e a escuridão, um lado e também o outro, os opostos, estão em tudo o que existe"

25 de agosto de 2010

Um sonho

Uma pequena parte de mim sempre sabia que aquelas coisas nunca se passavam de sonhos, mas, mesmo agora, enquanto o sonho se desenrolava, essa parte não tinha uma influência grande o suficiente para fazer com que eu não sentisse tudo o que aquele sonho me passava, mesmo que eu não fizesse a mínima ideia do que significava.
Eu não sabia onde eu estava. Nada parecia muito real ou sólido ali. Era como se eu estivesse andando entre nuvens sólidas o suficiente para que meus pés afundassem apenas alguns centímetros nelas, porém, fluidas também, redemoinhando ao meu redor, envolvendo tudo em um ar etéreo, escondendo as coisas, os movimentos, mesmo que não houvesse muito que se esconder ali.
Já tivera aquele sonho algumas vezes e continuava sem entender o que ele significava. Era sempre igual, nada nunca mudava, tudo sempre acontecia do mesmo jeito. Ainda assim, eu sabia que não era uma repetição. Eu estava mesmo ali, aquilo tudo era real.
Pensamentos lógicos como esse sempre eram afastados quando eu estava ali.
Continuei seguindo meus passos de noites passadas. Só quando eu estava lá, nos momentos que passava entre aquelas nuvens, é que eu podia me lembrar claramente do que se passava. Pena que não conseguia organizar os pensamentos o suficiente para encontrar a lógica de tudo aquilo.
Novamente esqueci do que estava pensando e voltei minha atenção para o ambiente.
Uma luz suave e branca iluminava o ambiente. Mas não era uma fonte de luz, como uma lâmpada ou o Sol. A luz emanava de tudo ao redor. Tudo é maneira de dizer, pois, no momento, a única coisa que estava ao meu redor eram aquelas nuvens brancas e esfiapadas.
Os sentimentos eram confusos, não conseguia defini-los direito. Fui atravessando as nuvens como sempre, esperando o momento em que tudo mudaria.
Eu sentia o ar se agitando ao meu redor, um sentimento estranho crescendo dentro de mim com força exponencial. Um vento forte meio que soprou ou passou, não sei, pois as nuvens sequer se mexeram, apenas bruxulearam, sua luz oscilando enquanto aquele poder devastava as emoções de tudo ao redor. Era sempre igual, como um furacão imenso, gigantesco. Mas ele não era capaz de afetar as coisas materiais (não tinha certeza se algo ali realmente era material). Ela mexia com a atmosfera do lugar, com as vibrações.
Antes, tudo era calmo. Não era exatamente uma atmosfera boa, parecia mais imparcial. Depois, tudo era diferente. O ar ficava pesado e as luzes que emanavam das nuvens se apagavam rapidamente, como chamas de velas assopradas. Eu não estava mais sozinho e as nuvens não eram mais nuvens, e sim presenças sombrias.
Elas estavam em toda parte, compondo o ambiente e também fazendo parte dele. Eu não sabia nem mesmo se eram apenas um ou vários. Sei que estavam ali, sempre estiveram, porém, antes, não podiam, não deviam, aparecer para mim. Aquilo estava errado, não era para acontecer, eu sabia que não era. Não sabia disso em um pensamento racional, já que eles não existiam ali, mas por algo que vibrava dentro de mim.

10 de agosto de 2010

Sombra e Escuridão

Antes de mais nada, não é sobre os dois leões assassinos que eu vou falar. Certo, sem zoação nesse texto.

Primeiramente, refletiremos.

Sombra e escuridão são a mesma coisa?

.

.

.

Não.

E porque não?

Pense mais um pouco.

.

.

.

Vamos fazer assim. Qual a definição de escuridão? É a ausência de luz. E a de sombra? Silhueta criada a partir da incidiação de luz sobre um corpo ou objeto.

E de qual temos mais medo?

Da escuridão, é claro. E porque temos tanto medo dela? É apenas a ausência de luz! Tudo continua do mesmo jeito, no mesmo lugar que estava quando a luz estava acesa.

Até mesmo os que nunca pensaram por esse lado, não tem medo “do escuro”, mas sim do que ele esconde. O medo que as pessoas realmente sentem, é do desconhecido.

Pense por outro lado agora. O desconhecido é ruim? Não. Já pensou no pavor que um bebê sente quando começam as contrações para expulsá-lo do útero quente da sua mãe? O mundo dele está prestes a mudar mais drasticamente que em todo o resto da sua existência. E nem por isso o nascimento é algo ruim. O desconhecido é bom, ele não é óbvio (;D)*. Quando bater aquele medo do escuro, comece a cantar, é bom para distrair a mente.

Eu tenho mais medo, é das sombras.

As sombras das nuvens escurecem a beleza de um dia. Uma sombra pode provocar a morte de uma planta. As sombras são rápidas, traiçoeiras. O pior de tudo, é que elas nem existem de verdade.

Elas “habitam” os lugares mais fétidos e malignos, tomando conta dos corações das pessoas, enchendo-as de medo e angústia. As sombras são perversas. Tramam contra os nossos olhos, escondem-se e ludibriam, enganam.

Avolumam-se, muito maiores que o próprio corpo, e, mesmo dependendo da luz, é quando esta começa a se extinguir que elas ficam ainda maiores.

E como destruímos as sombras? Infelizmente, isso não é possível. Onde há luz, há sombras, sempre no plural. Se você acabar com uma sombra, outras aparecerão, multiplicando-se sempre mais.

E como enfrentá-las então?

Tornando-se a luz.

Se você próprio for sua fonte de luz, nenhuma sombra poderá te tocar, por maiores e mais numerosas que elas forem. A luz não vence as sombras, assim como o contrário não acontece. São duas forças que co-existirão para todo o sempre, sem nunca se tocar.

Você só tem que escolher o seu lado.

sombra, ou Luz.

*Leia mais no texto “Quem tem medo do escuro?”, neste mesmo blog!

^^

 
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