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13 de fevereiro de 2011

A culpabilidade humana


Ah, a culpa. Como gostamos de nos culpar não é? Adoramos nos sentir culpados ou atribuir a culpa de algo a alguém, como diriam nossas regras gramaticais.
Mas o que seria a culpa? É algo tão ruim? Ela existe realmente? Deveria existir, pelo menos?
Muitas perguntas não é? Vamos responder uma a uma.
Culpa: responsabilidade aferida a alguém por algo que tenha acontecido.
Responsabilidade... Guardem bem essa palavra.
Será que é algo tão ruim assim? Quando um time de futebol, por exemplo, ganha um jogo de virada por causa que um jogador fez quatro gols em uma partida, tal jogador é o culpado pela vitória, certo? Então porque essa palavra carrega tanto peso quando é proferida? É apenas uma palavra!
E o sentimento de culpa? O que seria um sentimento de culpa? Não dizemos “sentimento de amor” ou “sentimento de alegria”, “sentimento de raiva”... Amor, alegria e raiva são sentimentos. A culpa não. Aquele jogador citado anteriormente deveria sentir esse “sentimento de culpa” que gostamos de dizer por ter ganhado o jogo para o time? Não? Ele não é o culpado pela vitória? A culpa é uma só, então porque ele não vai se sentir mal por isso? Culpa é uma “responsabilidade aferida a alguém por algo que tenha acontecido”. Quando algo acontece, sempre existe um “culpado”. Sempre.
Jesus foi “culpado” pela existência da Bíblia. Tenho certeza que isso não foi algo ruim.
A culpa, na verdade, existe apenas nas nossas cabeças! Nos sentimos culpados quando fazemos algo errado, quando somos responsáveis por algo errado que tenha acontecido, mas não quando algo bom aconteceu.
O que existe, na verdade, é a responsabilidade.
Quando algo acontece, alguém foi responsável por aquilo. Quando algo ruim acontece, nos sentimos mal por isso ter acontecido. É aí que nasce a culpa. A culpa é uma cria dos nossos medos e inseguranças, das fraquezas que permeiam a humanidade. Mas, sentir-se culpado ajuda em alguma coisa? Não! Se você é responsável por algo errado que tenha acontecido, pare de se culpar e vá fazer algo para consertar!
Simples.
A culpa é a falta de perdão.
Nos sentimos culpados quando não nos perdoamos por algo que fizemos.
A culpa corrói a alma das pessoas, as torna amarguradas e sem vontade de viver, mina suas forças e capacidade de melhorar, de corrigir o erro que cometeu. Todos erram. Mas existem aqueles que erram, tropeçam, caem e se levantam. E existem aquele que, quando caem, deixam o peso da culpa os impedir de levantar.
Pergunto de novo: de que adianta se sentir culpado?
A culpa é um veneno que precisa ser extirpado do coração das pessoas. Sabe qual é o antídoto? O perdão.
Não se culpe, não culpe os outros. Quando se culpa alguém, acabamos, em nossos corações, com a possibilidade daquele erro ser reparado. E isso é péssimo.
Não é difícil sabia? É fácil. Apenas olhe em volte e pense: ok, errei, mas agora vamos analisar a situação e buscar uma solução para consertar o que eu fiz. Ainda que você não a encontre imediatamente, o fato de você buscá-la vai te ajudar a encontrar.
Não culpe, perdoe.

22 de setembro de 2010

Dilúvio Antropológico

Uma bela chuva ontem hein? É, eu estava no meio dela. Bem, não exatamente no meio (eu teria várias recordações se tivesse estado), mas foi quase a mesma coisa.

Estava eu sentado no banco do banco (*Leia sobre bancos no texto “Sente-se, por favor“ do mês de julho), esperando para falar com o gerente, quando a chuva começa. Inicialmente, foram apenas alguns pingos esparsos. Um minuto depois, milhares de litros d’água despencavam estrondosamente dos céus. Lá em cima devia estar mesmo frio, pois, quase com a mesma quantidade que a água, o granizo começou a bombardear o chão com pedras de pelo menos 2 cm.

A chuva caía lá fora, o banco funcionava internamente. Por pouco tempo, nas duas situações.

Uma gota caiu na mesa do gerente, todos olharam. Outra gota, mais longe, fez uma mulher interromper seu caminho. Em mais alguns instantes, não era apenas do lado de fora que chovia. A água jorrava pelo encaixe dos lustres no teto de gesso, molhando papéis, computadores e impressoras. Em algum lugar o forro começou a rachar. Abandonaram os computadores em meio à piscina que se transformava a agência e saímos antes que algo pior acontecesse.

Do lado de fora, não era possível dar um passo e continuar consciente. As pedras quicavam no asfalto e subiam quase um metro no ar. Mais um pouco e não mais podia se ver o asfalto, uma pequena camada de gelo se formando no chão.

Dei carona no meu guarda-chuva (ainda tem hífen?) para um funcionário do banco até o carro dele e ele me deu carona até em casa (uma troca de favores ;D). quando cheguei lá, o granizo já havia parado (ainda bem!), mas percebi que o guarda-chuva tinha sido acertado, pois está rasgado em cima.

A primeira coisa que eu vi quando entrei no hall do prédio: as plantas da minha mãe foram destruídas pelas pedras. Buracos imenso nas folhas. Bem, na verdade, havia mais buracos do que folhas, então não sei se eram buracos nas folhas ou folhas entre os buracos. Deu dó das coitadinhas.


Subi na laje do prédio e peguei um punhado de granizo. Cada uma daquelas pedras tinha o potencial de matar fácil, fácil um pássaro num só golpe.

Sai de casa, indo para o cabeleireiro (que, por sinal, cortou demais o meu cabelo =/) e fui registrando os estragos pelo caminho. Na televisão, as imagens eram impressionantes. Lugares com pelo menos 30, 50 cms de gelo. Cara, Guarulhos trocou de hemisfério e ninguém me avisou?

O cenário nas ruas parecia das nevascas norte-americanas e canadenses, tirando o fato que lá neva (principal diferença: neve quando cai não machuca!!).

Tentei desatolar um civic do meio do gelo, sem sucesso. O carro andou alguns metros e chegou um ponto que não avançou mais. Pessoas tiravam o gelo que havia entrado em suas casas e tentavam desimpedir as ruas, completamente tomadas pelo granizo. Fui caminhando pelo belo cenário (não deixou de ser uma coisa bonita, mesmo com tantos estragos) e registrando com o celular (sempre andar com uma câmera hein Vih! ;D)

Mas, o que causou todos esses estragos, todas essas perdas? Nós mesmos. Não temos do que reclamar. Em Guarulhos isso nunca aconteceu e, se está acontecendo agora, é porque nós desequilibramos a natureza. Estamos destruindo e modificando intensamente um sistema que era perfeito e equilibrado, por isso devemos nos acostumar a ver coisas que não víamos antes e ter prejuízos que, há dez anos, não aconteceriam.

A culpa é nossa e agora temos que arcar com as conseqüências...

 
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